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Casal levantou antes das seis da manhã, arrancou o mato de um canto do quintal que só servia para varrer folha, cavou os buracos e fincou os palanques na mão, cobriu tudo com lona de estufa e plantou 15 pés de tomate italiano fora de época com as mudas que sobraram da venda
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 10/08/2026 às 11:19
Atualizado em 10/08/2026 às 11:26
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Eles acordaram antes das seis, e a filha pequena tinha pulado da cama às cinco. Antes das sete da manhã o casal já havia tomado café, colocado roupa para lavar e começado o serviço da semana, conforme registro publicado no canal Vivendo Simplesmente, apresentado por Josi e Adriana.
O alvo do dia era um pedaço do terreno que nunca tinha sido mexido, a não ser para varrer folha. Ali se acumulavam restos de poda, galhos de ingá e pés de mandioca. No lugar deles, ao fim da manhã, havia um canteiro coberto de lona com 15 pés de tomate italiano plantados fora da época recomendada.
Um canteiro construído em cima de um plano temporário
A escolha do local tem uma ironia embutida. Aquele ponto do terreno está reservado para outra coisa: será o futuro galinheiro da propriedade. Como a obra não tem data marcada, o casal decidiu aproveitar o espaço enquanto ele está livre.
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Isso definiu o material. Os palanques usados são de lenha comum, e não de madeira tratada. Josi reconhece a diferença durante a gravação, apontando que só uma das peças é tratada e duraria uns cinco anos, enquanto as demais não têm essa resistência. A conclusão deles foi pragmática: se durar um ano, já está ótimo. Se o resultado agradar, a ideia é refazer a estrutura em outro ponto do terreno, com material melhor.
O serviço pesado foi manual. Furar os buracos, cavar a terra e fincar os palanques consumiram a parte mais dura da manhã, e Adriana ficou com a preparação do solo, trabalho que o marido comparou ao de um trator ao ver o resultado.
A lona não está ali para segurar sol
O detalhe que diferencia esse canteiro de uma horta comum é a função da cobertura. A lona de estufa aproveitada por eles não foi instalada para aquecer as plantas nem para criar ambiente controlado, e sim para impedir que a chuva molhe as folhas.
A explicação que Josi dá é direta: a lona protege da chuva e deixa passar a luz do sol, então não cai tanta água nas folhas. Adriana complementa que a ideia partiu dele justamente por causa do excesso de chuva previsto para o período. Eles admitem no vídeo que não têm experiência com a cultura e que estão indo pelo que ouviram falar, usando o que chamam de bom senso.
Por que a intuição deles está tecnicamente certa
Aqui vale checar a informação, porque o casal apresenta a hipótese com ressalva. E ela se confirma na literatura técnica.
A principal ameaça ao tomateiro em época chuvosa é a requeima, também chamada de mela, causada pelo fungo Phytophthora infestans. A Embrapa a descreve como doença de alto poder destrutivo, e material técnico sobre a cultura aponta que o fator climático decisivo para o início da infecção é a umidade vinda de chuva, irrigação ou orvalho. O patógeno se reproduz em abundância com umidade relativa próxima de 100% e temperaturas entre 15 e 25 graus, e pode completar um ciclo de infecção em quatro a cinco dias. É preciso água livre sobre a folha ou a haste para a doença começar.
As recomendações técnicas para reduzir o risco são exatamente as duas medidas que o casal adotou por conta própria: evitar o molhamento foliar e irrigar preferencialmente por gotejamento. A Embrapa orienta ainda evitar irrigação em excesso e locais úmidos sujeitos a neblina e orvalho. Josi comenta durante a gravação que o ponto escolhido é bem arejado, outro fator que a literatura associa à redução do problema, já que plantio adensado e pouca circulação de ar favorecem a doença.
O sistema de irrigação e o varal de arame
O projeto previa duas etapas que ficaram para depois. A primeira é a irrigação: Josi planeja descer uma mangueira a partir de uma torneira próxima e montar um sistema de gotejamento no pé de cada planta, sem molhar a folhagem por cima.
A segunda é o tutoramento. Ele fincou estaquinhas e passou três fileiras de arame em uma parte da estrutura, mas o material acabou antes de completar o serviço. A função desses arames é servir de apoio para amarrar as plantas conforme crescerem, prática necessária em variedades de crescimento indeterminado. O arame acabou no meio do trabalho, e ele encerrou o vídeo com a estrutura parcialmente montada.
Quinze pés de um tomate que a família gosta
A variedade escolhida foi o tomate italiano, que Josi também chama de tomate Andreia. É o formato mais alongado, diferente do tomate redondo comum de mercado, e a escolha foi de gosto da casa.
A contagem foi de cinco mudas por fileira, resultando em 15 pés no plano descrito. Elas vieram de sobras de produção própria, porque o casal produz e vende mudas na região, ele na feira e ela para clientes que aparecem na propriedade. A venda tinha desaquecido justamente pelo motivo que os fez plantar fora de época: com a chuva chegando, os compradores pararam de procurar mudas de tomate. Sobrou material, e a decisão foi usar em vez de descartar.
Palha de café, NPK e uma terra que parecia morta
O preparo do solo combinou matéria orgânica e adubo mineral. Foi aplicada palha de café, resíduo comum em região produtora, junto com um NPK de formulação 04-14-08, alta em fósforo, elemento associado ao desenvolvimento de raízes.
A observação de Adriana sobre o resultado é a que resume o dia. Segundo ela, a terra parecia improdutiva quando começaram, tomada por mato e sujeira, e mudou de aparência depois da limpeza, do revolvimento e da entrada da matéria orgânica. Ela disse que não imaginava que o projeto ficaria tão elaborado, e já falava em aproveitar a estrutura depois do ciclo do tomate para plantar morango ou repolho, cultura que segundo ela ocupa a horta inteira quando plantada no canteiro comum.
O que fica em aberto
Assista o vídeo
A matéria termina onde o vídeo termina, e vários pontos seguem sem resposta. Não há informação sobre a localização exata da propriedade, sobre há quanto tempo a família vive ali, nem sobre o resultado da colheita, que só apareceria em vídeos seguintes.
Há ainda uma imprecisão na própria contagem. Em um momento o casal fala em cinco mudas por fileira e 15 pés no total, e em outro a contagem falada durante a gravação fica confusa, com menção a um número diferente. Como o plano declarado foi de 15, é esse o número que o texto adota.
O canteiro nasceu de uma soma de sobras: um canto de terreno reservado para outra obra, madeira de lenha, uma lona de estufa que já existia, mudas que ninguém quis comprar e uma manhã de trabalho antes das sete.
Conta nos comentários: você já plantou alguma coisa fora da época recomendada e deu certo? E para quem tem horta em casa, o que faz mais diferença no tomate, o adubo, a proteção contra a chuva ou a forma de regar?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

