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Vale do São Francisco testa pera, maçã, caqui e cacau com irrigação, alcança até 60 toneladas por hectare e desafia a ideia de que frutas de clima temperado não podem prosperar no semiárido
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 11/08/2026 às 08:09
Atualizado em 11/08/2026 às 08:11
Ciência e Tecnologia
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Codevasf e Embrapa mostram que pera pode superar 60 t/ha no Vale do São Francisco, enquanto maçã chega a 42 t/ha e caqui avança no semiárido, ampliando a diversificação de frutas antes ligadas a regiões frias.
O Vale do São Francisco, conhecido pela força da fruticultura irrigada, ampliou a lista de culturas em avaliação com espécies que durante décadas foram associadas a regiões mais frias do país. Testes conduzidos por Codevasf e Embrapa incluem pera, maçã, caqui e cacau e já registram resultados comerciais relevantes para algumas delas.
A página técnica atualizada pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba, a Codevasf, em abril de 2026 informa que unidades demonstrativas instaladas em parceria com centros da Embrapa avaliam adaptação, manejo, controle fitossanitário e qualidade dos frutos em áreas irrigadas do semiárido.
Entre os números mais fortes está o da pera. A Codevasf registra produtividade superior a 60 toneladas por hectare por ano em condições de pesquisa e manejo adequadas. Esse resultado se refere à cultura da pereira, não às demais frutas em teste, e ajuda a explicar por que a espécie passou de experimento agronômico a alternativa observada por produtores da região.
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Pera chega a 40 a 60 toneladas por hectare no quarto ano em recomendações da Embrapa
A Embrapa Semiárido mantém uma solução tecnológica específica para introdução comercial da pereira no Vale do São Francisco. A instituição recomenda variedades como Triunfo, Princesinha e Centenária e informa que a produção começa a ganhar escala a partir dos primeiros ciclos após a implantação do pomar.
Segundo a Embrapa, pomares conduzidos com o pacote de manejo recomendado podem alcançar de 40 a 60 toneladas por hectare no quarto ano. O desempenho depende de variedade, irrigação, nutrição, poda, indução floral, condições do solo e outros fatores agronômicos, por isso o teto não deve ser entendido como produtividade automática para qualquer propriedade.
O interesse comercial também está ligado à possibilidade de organizar épocas de produção diferentes das regiões tradicionais. Em ambiente irrigado, os pesquisadores trabalham com técnicas para ajustar o ciclo das plantas e explorar janelas de mercado em períodos de menor oferta nacional.
Maçã alcança até 42 toneladas por hectare e amplia testes de frutas de clima temperado
A maçã é outro exemplo usado pela Codevasf para mostrar a adaptação de fruteiras de clima temperado ao semiárido irrigado. A companhia cita produtividade de até 42 toneladas por hectare em áreas experimentais e destaca o trabalho de manejo necessário para compensar características climáticas muito diferentes das encontradas nos polos tradicionais do Sul do Brasil.
Em vez de depender apenas do frio natural para organizar repouso e floração, as pesquisas combinam irrigação, poda, desfolha, indução de brotação e seleção de cultivares com maior capacidade de adaptação. O objetivo é obter produção regular e frutos com padrão comercial sem transferir mecanicamente para o sertão o mesmo sistema usado em regiões frias.
Os resultados não significam que toda maçã possa ser plantada com o mesmo desempenho no Vale. Eles mostram que determinadas combinações de cultivar e manejo conseguiram produzir em escala relevante, abrindo uma frente de diversificação dentro de uma região já especializada em agricultura irrigada.
Caqui pode ter duas safras e chegar a 8 toneladas por hectare no quarto ano
No caso do caqui, a Codevasf aponta produtividade de até 8 toneladas por hectare a partir do quarto ano e possibilidade de duas colheitas anuais em condições estudadas no Vale. A cultura também chama atenção pelo calendário, porque os pesquisadores identificaram potencial para ofertar fruta em meses nos quais a produção de regiões tradicionais diminui.
A companhia destaca especialmente a janela entre agosto e janeiro. Produzir nesse intervalo pode reduzir a concorrência com safras concentradas de outros polos, embora preço, escala, logística, qualidade e aceitação do mercado continuem determinando a viabilidade econômica de cada área.
O caqui reforça uma característica comum aos experimentos: a irrigação por si só não resolve a adaptação. As plantas exigem protocolos específicos de manejo, e a pesquisa acompanha desde o comportamento vegetativo até sanidade e qualidade dos frutos antes de recomendar expansão comercial.
Cacau também entra na diversificação, mas os dados publicados não sustentam a mesma produtividade das outras culturas
O cacau aparece entre as espécies avaliadas pela Codevasf e pela Embrapa no conjunto de novas culturas para projetos irrigados. A presença nos testes mostra o esforço de ampliar opções agrícolas no Vale, mas a página técnica consultada não atribui ao cacau os mesmos números de produtividade divulgados para pera, maçã e caqui.
Essa diferença é importante porque o número de 60 toneladas por hectare pertence à pereira em condições específicas. Generalizar a marca para todas as frutas testadas criaria uma comparação incorreta entre culturas com ciclos, exigências e produtividade totalmente diferentes.
A estratégia de diversificação busca reduzir dependência de poucas cadeias e aproveitar a infraestrutura de irrigação, pesquisa e logística já existente no Vale do São Francisco. Antes de qualquer expansão, porém, cada cultura precisa comprovar desempenho agronômico, qualidade, custo e mercado em escala compatível com a realidade dos produtores.
Resultados desafiam a antiga ideia de que o semiárido só comporta um grupo restrito de frutas
A própria Codevasf registra que espécies antes consideradas pouco viáveis para o clima regional já estão sendo cultivadas em condições experimentais ou comerciais. A mudança não transforma o semiárido em uma região fria; ela resulta de pesquisa aplicada, seleção genética, água controlada e técnicas capazes de reorganizar o ciclo produtivo das plantas.
O Vale do São Francisco já construiu reputação com uva e manga irrigadas. A entrada de pera, maçã, caqui e outras espécies amplia a discussão sobre como a mesma base tecnológica pode criar novas cadeias, novas épocas de colheita e alternativas de renda sem ignorar os limites de água, custo e manejo.
Os próximos passos dependem da consolidação dos resultados fora das unidades de pesquisa e do interesse de produtores em testar os sistemas recomendados. Os números divulgados até agora mostram que o clima do semiárido não encerra sozinho a decisão sobre o que pode ser cultivado quando irrigação, ciência agronômica e mercado são analisados em conjunto.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

