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Aos 32 anos, faxineira que passou sete anos limpando os pisos da própria universidade termina o expediente, troca o uniforme pela beca e sobe ao palco do mesmo campus para receber o segundo diploma em Logística depois de quatro anos conciliando trabalho em tempo integral e estudos
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 11/08/2026 às 15:12
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Thunyelwa Godongwana começou como faxineira na Nelson Mandela University em 2015, trabalhava das 7h às 15h e seguia de ônibus para as aulas; aos 32 anos, já havia conquistado dois diplomas em Logística na mesma instituição onde limpava os pisos.
Durante sete anos, Thunyelwa Godongwana conheceu os corredores da Nelson Mandela University por uma perspectiva muito diferente da maioria dos alunos. Ela chegava para trabalhar na limpeza, cumpria expediente em tempo integral e, depois das 15h, atravessava a própria universidade para assumir outra função: a de estudante de Logística.
Em 2022, aos 32 anos, a trabalhadora que havia começado como faxineira em 2015 já acumulava dois diplomas na mesma instituição onde limpava os pisos. Depois de aproximadamente quatro anos conciliando emprego e estudos, concluiu o diploma em Logística e o diploma avançado na área, chegando à formatura que anos antes parecia improvável.
Thunyelwa Godongwana adiou os próprios estudos para ajudar a família
Thunyelwa cresceu na região de Tsomo, no Cabo Oriental, na África do Sul. Ela era a quarta de cinco irmãos e, depois de concluir a escola, precisou colocar temporariamente seus próprios planos acadêmicos de lado para contribuir financeiramente com a família.
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Em 2014, mudou-se para Gqeberha, então conhecida internacionalmente como Port Elizabeth, para morar com uma tia. No ano seguinte conseguiu emprego como faxineira por meio da Supercare, empresa que na época prestava serviços terceirizados para a Nelson Mandela University.
A decisão de trabalhar tinha também uma razão familiar específica. Thunyelwa contou que percebeu o desejo da irmã mais nova de estudar e decidiu ajudar; em 2019, essa irmã se tornou a primeira graduada da família depois de concluir um diploma em Auditoria na Walter Sisulu University.
Faxineira começou a limpar a Nelson Mandela University em 2015
Quando começou no campus, Thunyelwa não estava matriculada em um curso universitário. Seu cotidiano era o de uma funcionária responsável por serviços de limpeza dentro de uma instituição em que ela própria sonhava estudar.
A situação mudou depois do movimento estudantil #FeesMustFall, que marcou universidades sul-africanas e também pressionou instituições pela internalização de funcionários terceirizados. A Nelson Mandela University incorporou centenas desses trabalhadores ao quadro da instituição.
Com a internalização, Thunyelwa tornou-se funcionária da universidade e passou a ter acesso a uma oportunidade educacional que mudaria sua trajetória. A instituição financiou seus estudos, permitindo que a mulher que trabalhava na limpeza finalmente se matriculasse no lugar onde sonhava estudar.
Expediente começava às 7h e terminava às 15h
A oportunidade não significou abandonar o emprego. Thunyelwa continuou trabalhando em tempo integral, com expediente diário das 7h às 15h no South Campus da Nelson Mandela University.
Quando o turno acabava, sua rotina acadêmica começava. Ela precisava pegar o transporte interno da universidade até o 2nd Avenue Campus, onde estudava, transformando a passagem de um campus para outro na ligação diária entre seu emprego e sua formação.
A própria Thunyelwa descreveu essa sequência como cansativa. Manter trabalho integral e faculdade simultaneamente consumia praticamente todo o seu tempo, mas ela decidiu que abandonar a formação não seria uma opção e passou a dedicar o restante dos dias aos livros.
Quatro anos de trabalho e estudos levaram ao primeiro diploma em Logística
A formação escolhida estava ligada à área de Logística, campo que engloba planejamento, transporte, estoques, distribuição e gestão de cadeias de suprimentos. A Nelson Mandela University mantém um Diploma in Logistics formalmente registrado no sistema sul-africano de qualificações.
Em 2021, aos 30 anos, Thunyelwa já havia concluído seu primeiro diploma. O programa oficial da formatura de abril daquele ano registra Godongwana, Thunyelwa entre os estudantes do Diploma in Logistics da Faculty of Business and Economic Sciences.
Naquele momento, ela não encerrou os estudos. Continuou na mesma área e ingressou em uma formação avançada, mantendo paralelamente o trabalho como funcionária da universidade.
Segundo diploma colocou a faxineira novamente entre os formandos
Em 2022, a trajetória ganhou uma segunda conquista acadêmica. Aos 32 anos, Thunyelwa havia completado tanto o diploma de graduação quanto o diploma avançado em Logística, acumulando duas formações depois de quatro anos de intensa conciliação entre emprego e universidade.
O contraste chamou atenção justamente pelo cenário. Era a mesma universidade em que ela havia entrado como trabalhadora terceirizada da limpeza em 2015 e onde continuava trabalhando sete anos depois.
A diferença estava no lugar ocupado por Thunyelwa durante a formatura. Os corredores e espaços universitários que faziam parte de seu expediente também passaram a representar sua própria conquista acadêmica, com a funcionária chegando ao segundo diploma na instituição.
Ansiedade fez Thunyelwa questionar se conseguiria terminar
A aparente linearidade da trajetória escondeu dúvidas durante o percurso. Thunyelwa contou que enfrentou ansiedade e se perguntava repetidamente se realmente conseguiria concluir a formação enquanto mantinha o ritmo de trabalho diário.
Também houve ceticismo externo. Segundo seu relato, algumas pessoas duvidavam que alguém que havia começado “de baixo”, trabalhando como faxineira, pudesse obter uma qualificação universitária.
Quando o segundo diploma chegou, esse questionamento havia sido substituído pela própria conclusão dos cursos. Aos 32 anos, ela havia conseguido terminar a trajetória acadêmica em aproximadamente quatro anos sem abandonar o emprego que inicialmente a levara ao campus.
Sonho passou a ser abrir a própria empresa de Logística
Depois da formação, Thunyelwa estabeleceu um objetivo profissional bastante diferente daquele que tinha quando chegou à universidade como faxineira. Ela declarou que sonhava em abrir uma empresa de Logística.
Antes disso, queria acumular experiência prática na área. O objetivo era entender o funcionamento profissional do setor para chegar a um empreendimento próprio com conhecimento e segurança suficientes para administrá-lo.
A formação acadêmica, portanto, não foi tratada apenas como símbolo pessoal. Os dois diplomas representavam uma tentativa de mudar concretamente sua trajetória profissional depois de anos sustentando a família e trabalhando em serviços de limpeza.
Aos 32 anos, os mesmos corredores passaram a representar duas histórias
Durante anos, o campus significou para Thunyelwa um local de trabalho. Ela chegava pela manhã, cumpria o expediente na limpeza e seguia até as 15h antes de pegar o transporte interno para começar sua segunda jornada.
Depois, o mesmo espaço passou também a significar aulas, avaliações e dois diplomas. Em quatro anos, a funcionária concluiu a formação inicial em Logística e avançou para uma qualificação superior sem deixar de trabalhar em tempo integral.
Aos 32 anos, o resultado reunia duas histórias no mesmo endereço: a mulher que passou sete anos limpando uma universidade e a graduada que recebeu duas qualificações acadêmicas dessa mesma instituição.
O campus que lhe ofereceu primeiro um emprego acabou se tornando também o lugar onde ela conseguiu mudar os rumos da própria carreira.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

