5 min de leitura
Moto baratinha tem autonomia de 190 km, chega a impressionantes 128 km/h e traz 96 V, rodas de 12 polegadas, controle de tração e freios de 4 pistões, mas enfrenta obstáculo no Brasil
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 11/08/2026 às 18:24
Atualizado em 11/08/2026 às 18:42
Automotivo, Ciência e Tecnologia
1 pessoa reagiu a isso.
Prefira o CPG no Google
Desempenho de motocicleta, tecnologia avançada e dimensões pouco comuns colocam o GSPACE Mars GS bem acima dos patinetes urbanos tradicionais, enquanto potência, autonomia, suspensão reforçada e recursos eletrônicos ajudam a explicar por que o modelo também enfrenta um importante obstáculo para circular regularmente no Brasil.
O GSPACE Mars GS é um patinete elétrico de alto desempenho oferecido nas versões GS8440 e GS7660, com velocidade declarada de até 128 km/h, pneus de 12 polegadas, controle de tração e freios hidráulicos de quatro pistões nas duas rodas.
Em vez dos 96 V associados ao modelo, porém, a ficha técnica atual da fabricante apresenta configurações diferentes: o GS8440 utiliza bateria de 84 V e 40 Ah, enquanto o GS7660 trabalha com 76 V e 60 Ah, sem indicação oficial de uma versão de 96 V.
Autonomia do GSPACE Mars GS varia entre as versões
Também há diferenças importantes no alcance divulgado pela GSPACE, já que o GS8440 aparece com autonomia de até 170 quilômetros, enquanto o GS7660 pode chegar a 220 quilômetros, afastando a ideia de uma única autonomia de 190 quilômetros para toda a linha.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Ao apresentar o Mars GS em pré-venda, a própria empresa informa que pequenos ajustes nos parâmetros ainda podem ocorrer durante o avanço da produção em escala, razão pela qual velocidade, bateria, alcance e componentes devem ser conferidos conforme a versão efetivamente comercializada.
Sob a plataforma, o desempenho vem de conjuntos bastante distintos: o GS8440 combina dois motores de 3.500 W e totaliza 7.000 W nominais, enquanto o GS7660 usa duas unidades de 3.000 W, somando 6.000 W de potência.
Essa diferença também aparece na velocidade máxima declarada pela fabricante, pois o GS8440 pode atingir 128 km/h, enquanto o GS7660 chega a 120 km/h, números que colocam ambos muito acima do desempenho normalmente associado aos patinetes destinados ao deslocamento urbano cotidiano.
Rodas de 12 polegadas e suspensão reforçada
Para lidar com esse nível de potência, as duas versões utilizam pneus autorreparáveis de 12 polegadas, pinças hidráulicas de quatro pistões na dianteira e na traseira e sistema eletrônico EABS, combinação voltada a complementar a capacidade de frenagem do conjunto mecânico.
Na suspensão, a GSPACE adotou arquitetura dianteira de braço duplo, sistema multilink na traseira, amortecedor pneumático na frente e conjunto hidráulico com separação de óleo e gás atrás, além da presença de componentes feitos com fibra de carbono T300 na construção.
Outro elemento relevante é o TCS, controle eletrônico de tração desenvolvido para reduzir a patinagem das rodas em superfícies de menor aderência, enquanto o controlador G-Nue acrescenta cinco níveis de velocidade e permite alternar entre os modos Smart e Boost.
Enquanto o Smart regula a entrega de potência conforme a velocidade e as condições de rodagem para equilibrar desempenho e consumo, o Boost libera resposta adicional por períodos curtos, configuração que, segundo a própria fabricante, não é indicada para condutores inexperientes.
Mesmo com componentes de fibra de carbono, o peso continua elevado para um veículo dessa categoria: a ficha oficial aponta 62 quilos no GS8440 e 65 quilos no GS7660, condição que torna transporte manual e armazenamento mais trabalhosos.
Regras brasileiras criam obstáculo para o Mars GS
No Brasil, o principal entrave aparece na regulamentação, porque a Resolução Contran nº 996, de 15 de junho de 2023, considera equipamento de mobilidade individual autopropelido aquele com potência nominal máxima de 1.000 W e velocidade de fabricação limitada a 32 km/h.
Além desses limites, a mesma norma estabelece largura máxima de 70 centímetros e distância entre eixos de até 130 centímetros, determinando que veículos capazes de superar os parâmetros de potência ou velocidade recebam enquadramento compatível com suas características técnicas.
Quando a comparação passa para os ciclomotores elétricos, a distância continua significativa, já que a resolução estabelece potência máxima de 4 kW e velocidade máxima de fabricação de 50 km/h, patamares inferiores aos registrados nas duas configurações do Mars GS.
Com 7.000 W nominais e velocidade declarada de 128 km/h no GS8440, além de 6.000 W e 120 km/h no GS7660, nenhuma das duas versões se enquadra nos limites técnicos definidos para autopropelidos ou ciclomotores pela regulamentação federal brasileira.
Acima desses parâmetros, a própria Resolução nº 996 prevê classificação como motocicleta, motoneta ou triciclo, conforme as características do veículo, o que impede considerar apenas a aparência de patinete como suficiente para dispensar as exigências aplicáveis à circulação em vias públicas.
Tecnologia reforça o perfil de alto desempenho
Além do conjunto de suspensão, dos freios e do controle de tração, o Mars GS reúne controlador próprio com comunicação CAN, interface digital de condução, iluminação integrada, carregamento USB e recursos eletrônicos destinados ao acompanhamento de diferentes informações durante o funcionamento.
Somados, os pneus maiores, a potência elevada, o peso superior a 60 quilos e a velocidade acima de 120 km/h posicionam o equipamento em um patamar técnico distante dos autopropelidos urbanos tratados pela legislação como soluções individuais de mobilidade leve.
Por essa razão, para um interessado no Brasil, o desafio não se limita ao preço ou à autonomia anunciada, mas envolve principalmente o enquadramento legal exigido para um veículo cujas especificações superam amplamente os limites estabelecidos para autopropelidos e ciclomotores.
Com desempenho comparável ao de motocicletas, construção baseada no formato de patinete e especificações incompatíveis com as categorias mais simples previstas na regulamentação brasileira, o Mars GS conseguirá atrair compradores mesmo diante das exigências necessárias para circular legalmente em vias públicas?
Fonte
https://arevista.com.br/m
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

