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NASA ativou protocolos de defesa planetária diante da aproximação de asteroide, enquanto telescópios, radares, inteligência artificial e supercomputadores recalculam sua trajetória e simulam milhares de cenários para avaliar possíveis riscos à Terra
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 11/08/2026 às 18:17
Atualizado em 11/08/2026 às 18:42
Ciência e Tecnologia, Curiosidades
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Monitoramento espacial reúne observações sucessivas, cálculos orbitais e sistemas automatizados capazes de acompanhar objetos próximos da Terra, reduzir incertezas sobre suas trajetórias e orientar protocolos internacionais sempre que algum corpo celeste ultrapassa os níveis de atenção definidos pelas redes de defesa planetária.
Após o asteroide 2024 YR4 superar, no início de 2025, o limiar de 1% de probabilidade de impacto com a Terra em 22 de dezembro de 2032, a NASA acionou mecanismos formais de defesa planetária e comunicou organismos nacionais e internacionais envolvidos no monitoramento.
Com a incorporação de novas observações aos cálculos orbitais, porém, a avaliação mudou progressivamente, e a agência concluiu que o objeto não representa risco significativo de colisão com a Terra em 2032 nem nos anos seguintes, reduzindo o nível de preocupação inicial.
Identificado pelo sistema ATLAS, financiado pela NASA, o 2024 YR4 foi comunicado ao Minor Planet Center em 27 de dezembro de 2024, a partir de observações realizadas no Chile, dando início a uma campanha destinada a acompanhar com maior precisão sua trajetória.
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Naquele momento, as primeiras projeções ainda apresentavam incertezas suficientes para incluir caminhos compatíveis com um possível impacto futuro, razão pela qual novas medições passaram a ser incorporadas continuamente aos modelos usados para determinar onde o asteroide poderia estar ao longo dos anos seguintes.
Defesa planetária foi acionada após risco superar 1%
Ao ultrapassar a marca de 1%, a probabilidade calculada atingiu o patamar previsto para uma notificação formal dentro da rede internacional de defesa planetária, levando a NASA a ampliar o compartilhamento de informações com instituições responsáveis pelo acompanhamento de possíveis ameaças espaciais.
Nesse processo, foram informadas outras agências do governo dos Estados Unidos, o Space Mission Planning Advisory Group e o Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior, seguindo o protocolo estabelecido pela International Asteroid Warning Network para situações desse tipo.
Embora o acionamento tenha elevado o nível de atenção, isso não significava que uma colisão fosse o cenário mais provável, mas indicava que a margem de incerteza orbital justificava observações coordenadas até que novas medições permitissem restringir melhor as trajetórias possíveis.
À medida que telescópios registravam novas posições do objeto, os modelos recebiam informações adicionais e estreitavam a faixa de caminhos compatíveis com os dados disponíveis, permitindo que estimativas inicialmente mais amplas fossem substituídas por projeções progressivamente mais precisas.
Sentry recalcula milhares de trajetórias possíveis
Responsável por parte desse monitoramento, o Centro de Estudos de Objetos Próximos da Terra, ligado ao Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, opera o Sentry, sistema automatizado que atualiza órbitas sempre que chegam novas observações ópticas ou de radar.
Em vez de considerar a primeira órbita calculada como definitiva, o sistema ajusta repetidamente a solução orbital para encontrar o caminho que melhor corresponde às medições registradas pelos observatórios, incorporando cada nova posição disponível ao conjunto de dados usado nas projeções.
Mesmo depois desses ajustes, nenhuma órbita é conhecida com precisão absoluta, porque toda medição carrega alguma margem de incerteza; por isso, o Sentry projeta como essa faixa evolui no tempo e verifica aproximações futuras envolvendo a Terra.
Nos cálculos, entram principalmente os efeitos gravitacionais exercidos pelo Sol, pelos planetas, pela Lua e por grandes asteroides, fatores capazes de influenciar a trajetória ao longo do tempo e que precisam ser considerados quando se analisam aproximações previstas para décadas futuras.
Quando projeções de longo prazo ampliam a incerteza, o sistema recorre a métodos não lineares e trabalha com milhares de “asteroides virtuais”, cujas órbitas apresentam pequenas diferenças entre si, mas continuam compatíveis com as observações disponíveis naquele momento.
A partir dessas variações, as trajetórias são propagadas numericamente para verificar quais passam perto da Terra e se alguma delas pode resultar em impacto, permitindo transformar uma região de incerteza orbital em diferentes cenários que podem ser avaliados individualmente.
Em uma das etapas iniciais do método atual, o Sentry realiza uma exploração de Monte Carlo com 10 mil asteroides virtuais, procurando aproximações potenciais ao longo dos próximos cem anos antes de aplicar filtros mais detalhados aos casos que exigem análise adicional.
Caso surjam condições relevantes durante essa triagem, novos cálculos procuram soluções compatíveis com impacto e estimam a probabilidade associada a cada cenário, refinando a avaliação à medida que mais observações reduzem o número de trajetórias ainda compatíveis com os dados registrados.
Novas observações reduziram o risco do 2024 YR4
No acompanhamento do 2024 YR4, o aumento do número de medições durante os primeiros meses de 2025 reduziu progressivamente a incerteza sobre sua posição futura, permitindo descartar caminhos que anteriormente permaneciam dentro da margem considerada possível pelos modelos.
Com esses dados incorporados às projeções, a NASA determinou que o asteroide não apresenta chance significativa de atingir a Terra em 2032 e além desse período, alterando a avaliação inicial feita quando a órbita ainda estava menos definida.
Também contribuíram para o refinamento observações no infravermelho realizadas pelo Telescópio Espacial James Webb, que melhoraram a estimativa do tamanho do objeto e situaram seu diâmetro entre 53 e 67 metros, reduzindo uma margem anteriormente calculada entre aproximadamente 40 e 90 metros.
Posteriormente, o Webb voltou a participar do acompanhamento e forneceu dados que permitiram a especialistas do JPL eliminar também a possibilidade de colisão com a Lua em 22 de dezembro de 2032, outro cenário que ainda permanecia sob análise.
Segundo os cálculos divulgados pela NASA, o 2024 YR4 deverá passar a cerca de 21,2 mil quilômetros da superfície lunar nessa data, distância que afastou a hipótese de impacto depois que as novas medições foram incluídas nas projeções orbitais usadas pelos pesquisadores.
Telescópios e radares ajudam a reduzir incertezas orbitais
Dentro da rotina de defesa planetária, observações sucessivas e processamento matemático trabalham em conjunto porque cada nova posição medida pode modificar a solução orbital anterior, reduzindo gradualmente a margem de erro que acompanha um objeto recém-descoberto.
Enquanto dados ópticos podem ser obtidos durante o período em que o asteroide permanece visível aos telescópios, observações por radar dependem de uma proximidade suficiente para que o sinal transmitido alcance o objeto e seu eco possa ser detectado pelos equipamentos terrestres.
Essa dinâmica explica por que uma probabilidade de impacto pode aumentar ou diminuir depois da descoberta sem que o asteroide tenha mudado subitamente de rota, já que o que muda é a precisão com que os cientistas conhecem sua trajetória futura.
Com novas medições, a região de incerteza encolhe e caminhos antes considerados matematicamente possíveis deixam de corresponder aos dados observados, enquanto o Sentry continua examinando objetos próximos da Terra e atualizando automaticamente suas soluções orbitais sempre que novas informações ficam disponíveis.
Em um próximo alerta que volte a ultrapassar os limites de notificação, quantas novas observações e refinamentos orbitais serão necessários para que os cientistas reduzam a incerteza inicial e consigam determinar, com segurança, se existe algum risco efetivo para a Terra?
Fonte
https://www.tupi.fm/mundo
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

