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Homem que viveu cinco anos nas ruas após fugir de casa aos 10 transforma a própria história em missão, acolhe mais de 47 crianças abandonadas nos Estados Unidos e adota seis delas para dar a outros a família que ele próprio não teve
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 14/08/2026 às 07:30
Atualizado em 14/08/2026 às 07:31
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Peter Mutabazi fugiu de casa aos 10 anos em Uganda, sobreviveu por cinco anos nas ruas de Kampala e só voltou a estudar depois da ajuda de um desconhecido. Décadas depois, nos Estados Unidos, tornou-se pai solteiro, acolheu mais de 47 crianças e, até junho de 2026, já havia adotado seis filhos.
Aos 10 anos, Peter Mutabazi deixou a casa onde vivia em Uganda e foi parar sozinho nas ruas de Kampala. Sem residência estável, passou aproximadamente cinco anos tentando encontrar comida e sobreviver até que a ajuda de um desconhecido abriu caminho para que voltasse à escola. Décadas depois, aquela experiência se transformaria no ponto de partida de uma trajetória completamente diferente nos Estados Unidos.
Em 2026, Mutabazi vive na Carolina do Norte e é conhecido por abrir sua casa para crianças do sistema de acolhimento temporário. Desde que começou a atuar como foster parent em 2017, já recebeu mais de 47 crianças. Em junho de 2026, o Washington Post informou que o pai solteiro já havia adotado seis filhos, atualização importante em relação a 2025, quando três adoções estavam concluídas e outras três ainda estavam em andamento.
Aos 10 anos, Peter Mutabazi fugiu de casa e foi parar nas ruas de Kampala
Mutabazi cresceu em Uganda em um contexto de pobreza severa e problemas dentro de casa. Aos 10 anos, decidiu fugir. Segundo seu próprio relato, caminhou até uma estação de ônibus e perguntou qual veículo iria para o lugar mais distante possível, terminando em Kampala, capital do país.
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A mudança não trouxe segurança imediata. Peter passou aproximadamente cinco anos vivendo nas ruas, sem casa e dependendo do que conseguia encontrar para sobreviver. Em entrevista à ABC11, contou que carregava compras de outras pessoas até os carros em troca de algum dinheiro para comida.
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A experiência deixou marcas que mais tarde influenciariam diretamente sua decisão de receber crianças em situação de vulnerabilidade. Em entrevistas posteriores, ele descreveu aquele período como marcado por fome, pobreza, solidão e pela sensação de não pertencer a lugar algum.
Ajuda de um desconhecido tirou o menino das ruas e abriu caminho para os estudos
A trajetória começou a mudar depois que Mutabazi conheceu um homem cuja reação contrariou tudo que ele esperava. Peter contou à People que estava tentando roubar algo do desconhecido por necessidade quando, em vez de puni-lo ou afastá-lo, o homem perguntou seu nome e passou a demonstrar interesse por sua situação.
Depois de aproximadamente um ano e meio de contato, esse homem ofereceu a Peter a possibilidade de retornar à escola. Mutabazi aproveitou a oportunidade, avançou nos estudos e posteriormente obteve uma bolsa que o levaria aos Estados Unidos.
A experiência se tornou uma referência permanente para ele. Se um estranho havia conseguido alterar profundamente o futuro de uma criança que vivia nas ruas, Mutabazi passou a considerar que também poderia exercer esse papel na vida de outros jovens sem uma estrutura familiar estável.
Em 2017, Peter começou a abrir a própria casa para crianças em acolhimento
Já estabelecido nos Estados Unidos, Mutabazi inicialmente pensou em trabalhar como mentor de adolescentes. Ele acreditava que adoção e acolhimento não eram caminhos acessíveis para um homem solteiro como ele, até que uma assistente social perguntou se havia considerado se tornar foster parent.
Em 2017, começou oficialmente a receber crianças em sua casa. Nos oito anos seguintes, o número cresceu rapidamente.
Em maio de 2025, a WBTV registrava 47 crianças acolhidas; reportagens posteriores continuaram usando esse número enquanto Mutabazi permanecia ativo no sistema.
Acolhimento temporário não significa adoção automática. Em muitos casos, o objetivo do sistema é permitir que a criança retorne à família biológica quando houver condições seguras. Mutabazi afirmou que procura apoiar essa reunificação, oferecendo uma casa permanente somente quando essa possibilidade não existe.
Um menino de 11 anos chegou para passar um fim de semana e acabou se tornando seu filho
Depois de receber várias crianças, Mutabazi chegou a considerar uma pausa. As despedidas frequentes estavam se tornando emocionalmente difíceis e, após a saída de um grupo, ele disse à assistente social que precisava ficar pelo menos seis meses sem novos acolhimentos. Poucos dias depois, recebeu outra ligação.
A proposta era receber apenas durante o fim de semana um menino de 11 anos chamado Anthony. Peter aceitou com a intenção de manter distância emocional, mas, segundo contou à People, o garoto perguntou poucos minutos depois se poderia chamá-lo de pai e afirmou que queria escolhê-lo para exercer aquele papel.
Quando Peter descobriu que Anthony havia sido adotado anteriormente e depois deixado pela família adotiva, reconsiderou completamente a situação. A relação se tornou permanente, e Anthony foi formalmente adotado por Mutabazi em novembro de 2019.
Depois de Anthony, dois irmãos também passaram de acolhimento temporário para adoção
A família continuou crescendo. Anos depois, dois irmãos, Luke e Isabella, chegaram inicialmente para uma permanência temporária. A relação, porém, acabou avançando para adoção, concluída em 2023.
Em 2025, Peter tinha oficialmente três filhos adotivos: Anthony, Luke e Isabella. Naquele mesmo ano, o Washington Post informou que ele estava no processo de adotar outras três crianças, enquanto continuava recebendo jovens encaminhados pelo sistema de acolhimento.
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A situação mudou novamente em 2026. Em reportagem publicada em 20 de junho de 2026, o Washington Post informou que Mutabazi havia adotado seis filhos e já havia acolhido mais de 47 crianças. É esse dado mais recente que sustenta o número atualizado desta reportagem.
Pai solteiro passou a cuidar também de crianças com históricos de trauma e abandono
As crianças que passam por sua casa podem chegar depois de separações familiares, abandono ou sucessivas mudanças entre lares temporários.
Mutabazi reconhece que a função envolve muito mais do que fornecer alimentação e um quarto: parte do trabalho está ligada à adaptação emocional e à construção gradual de confiança.
Em janeiro de 2026, ele falou publicamente sobre outra dificuldade: seus primeiros filhos estavam entrando na vida adulta.
Como pai solteiro, afirmou não ter um segundo adulto em casa para dividir dúvidas e decisões, ao mesmo tempo em que precisava aprender a respeitar a autonomia dos filhos depois dos 18 anos.
O relato contrasta com uma versão idealizada da história. A decisão de acolher dezenas de crianças não eliminou conflitos, dúvidas ou desgaste emocional. Mutabazi chegou a interromper temporariamente novos acolhimentos no passado justamente porque sucessivas despedidas estavam se tornando difíceis de administrar.
Homem que não teve cama na infância hoje prepara quartos para jovens acolhidos
A própria experiência infantil acabou influenciando um detalhe aparentemente simples de sua atuação. Mutabazi contou que não dormiu em um colchão até os 16 anos e relaciona a existência de um espaço próprio à sensação de pertencimento que não teve durante grande parte da infância.
Por isso, além de receber crianças em casa, passou a participar de projetos que reformam e preparam quartos para jovens em acolhimento.
A ideia é que eles encontrem, mesmo que temporariamente, um ambiente pensado especificamente para recebê-los, em vez de apenas um espaço improvisado.
Mutabazi também criou a Now I Am Known, iniciativa voltada a crianças vulneráveis e famílias ligadas ao sistema de acolhimento, e passou a trabalhar publicamente com defesa e formação de foster parents. Sua história virou ainda livros, palestras e conteúdo nas redes sociais.
Mais de quatro décadas separam o menino nas ruas do pai de seis filhos
A sequência dos acontecimentos explica por que a história ganhou projeção internacional. Aos 10 anos, Peter fugiu de casa. Durante aproximadamente cinco anos, viveu nas ruas de Kampala.
Depois, recebeu ajuda para voltar à escola, conquistou uma bolsa, chegou aos Estados Unidos e, em 2017, começou a abrir a própria casa para crianças que também haviam perdido temporária ou definitivamente uma estrutura familiar estável.
Até 2025, eram 47 crianças acolhidas e três adoções concluídas, com outras três em andamento. Em junho de 2026, a atualização publicada pelo Washington Post já descrevia Mutabazi como pai adotivo de seis filhos e responsável por ter recebido mais de 47 crianças ao longo de sua trajetória.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

