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Cidade italiana com mais de mil casas escavadas diretamente na rocha, cavernas e igrejas de pedra, foi esvaziada nos anos 1950 por problemas sanitários e voltou a receber moradores décadas depois
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 14/08/2026 às 10:27
Atualizado em 14/08/2026 às 10:28
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Os Sassi de Matera atravessam milênios de ocupação, reúnem cavernas, igrejas e casas na rocha e revelam uma história de saneamento, retirada de moradores, preservação e retomada residencial desde os anos 1980 na cidade italiana
Os Sassi di Matera, no sul da Itália, formam um assentamento de mais de mil moradias integrado a cavernas e paredões calcários. Ocupada desde o Paleolítico, a cidade teve moradores transferidos nos anos 1950 por razões sanitárias e recuperou funções residenciais a partir dos anos 1980.
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Cidade une cavernas, casas e igrejas em área de 1.016 hectares
A paisagem de Matera foi construída aproveitando cavidades naturais e escavando diretamente a rocha. Casas, templos, mosteiros, eremitérios, lojas e antigas oficinas passaram a ocupar diferentes níveis da encosta.
Segundo a UNESCO, o sítio protegido possui 1.016 hectares e reúne mais de mil moradias. A ocupação humana da região começou ainda no Paleolítico e atravessou diferentes períodos históricos.
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Essa longa permanência produziu uma característica marcante: arquitetura e relevo praticamente se misturam.
Escadas, telhados, fachadas e entradas de cavernas aparecem encaixados em uma paisagem marcada também por ravinas e paredões rochosos.
Os principais núcleos históricos são Sasso Caveoso e Sasso Barisano. Entre eles fica a Civita, considerada o primeiro núcleo habitado e onde está a catedral românica construída no século 13.
O conjunto protegido inclui ainda o parque de igrejas rupestres e alcança a Murgia, planalto calcário localizado diante da parte antiga da cidade e marcado por cavernas e pela Gravina.
Lei de 1952 determinou transferência de moradores dos bairros históricos
Apesar de séculos de ocupação, uma mudança profunda atingiu os Sassi di Matera no século 20. A Lei italiana nº 619, de 17 de maio de 1952, estabeleceu medidas de saneamento para os bairros.
A legislação previa a transferência dos moradores que ocupavam ambientes considerados inabitáveis. Também determinava a identificação desses imóveis, de seus ocupantes e da ordem de desocupação conforme a urgência de cada situação.
Nem todo espaço deveria ser abandonado definitivamente. A própria norma previa reparar ambientes que pudessem ser adequadamente recuperados e realizar obras públicas voltadas às condições higiênicas.
A UNESCO registra que toda a população dos Sassi foi realocada durante os anos 1950. A medida buscava melhorar as condições sanitárias e permitir a renovação dos bairros históricos.
Moradores começaram a retornar a partir dos anos 1980
Décadas depois da transferência, o movimento mudou de direção. A recuperação ganhou força nos anos 1980, quando moradores começaram a retornar e usos tradicionais foram novamente incorporados aos espaços históricos.
A legislação de 1986 ajudou a estruturar essa recuperação. Foram estabelecidos planos urbanos voltados à conservação arquitetônica, ambiental e econômica, com atenção especial à retomada da função residencial.
Esses planos também passaram a orientar intervenções e a concessão autorizada de imóveis. Em 1993, os Sassi foram inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO sob três critérios culturais.
Outro marco ocorreu em 2019, quando Matera foi Capital Europeia da Cultura, depois de uma trajetória que passou pela ocupação milenar, pelo esvaziamento compulsório e pela recuperação dos bairros históricos.
Caminhar pelos Sassi revela como a cidade foi encaixada na rocha
O Comune di Matera recomenda conhecer os bairros históricos a pé. Os trajetos passam pelo Barisano, pela Civita e pelo Caveoso, acompanhando escadas, becos e fortes desníveis.
Entre os pontos destacados estão as igrejas rupestres de Santa Lucia alle Malve e Santa Maria de Idris. Esta última foi escavada no maciço rochoso conhecido como Monte Errone.
Os mirantes da Murgia oferecem outra perspectiva. Do lado oposto da Gravina, é possível observar a extensão dos Sassi e perceber como cavernas, fachadas construídas e a própria encosta formam uma única paisagem urbana.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da UNESCO, da Lei italiana nº 619 de 17 de maio de 1952 e do Comune di Matera, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://olhardigital.com.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

