5 min de leitura
Depois de perder o emprego, brasileiro aceitou uma vaga de faxineiro em universidade ao descobrir que funcionários ganhavam bolsa, entrou em Administração, começou a ajudar alunos em atividades e em apenas quatro anos trocou a limpeza pela sala de aula como professor da mesma instituição
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 14/08/2026 às 13:24
Atualizado em 14/08/2026 às 13:38
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Recomeço profissional, bolsa de estudos e oportunidades internas transformaram uma vaga no setor de higiene em um percurso acadêmico e docente dentro da mesma universidade, numa trajetória marcada por trabalho, graduação, mudança de área e entrada em sala de aula ao longo de poucos anos.
Ednei Francisco Monteiro chegou à Universidade Metodista de São Paulo em busca de uma nova oportunidade profissional depois de ser demitido de uma empresa do setor de alimentos, sem imaginar que uma vaga no setor de higiene também abriria caminho para o ensino superior.
Durante o processo de contratação, porém, uma informação mudou o peso daquela oportunidade: funcionários da instituição tinham direito a bolsa de estudos, benefício que permitiu a Monteiro aceitar o trabalho como faxineiro e aproximar-se do objetivo de cursar uma graduação.
Enquanto cumpria as tarefas ligadas à limpeza da universidade, Monteiro ingressou em Administração de Empresas e passou a conciliar o expediente com a rotina acadêmica, transformando o próprio local de trabalho no espaço onde começaria a construir uma nova trajetória profissional.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Mais adiante, uma seleção interna para o departamento de Comunicação Visual aproximou-o de atividades relacionadas à experiência que já possuía com vendas e merchandising, além de criar contato frequente com estudantes que precisavam de ajuda para executar trabalhos acadêmicos.
Foi justamente dessa aproximação com os alunos que surgiu a possibilidade de ensinar, pois Monteiro começou a orientá-los na montagem de peças publicitárias e materiais de merchandising até receber um convite para ministrar uma aula para uma das turmas.
A experiência deixou de ser pontual e passou a se repetir, abrindo espaço para outra função dentro da universidade: a de professor tutor voluntário em um curso de Marketing a distância, etapa que ampliou sua participação em atividades ligadas ao ensino.
Bolsa de estudos abriu caminho para a graduação em Administração
Segundo reportagem publicada pelo portal Semana7, Monteiro trabalhava desde os 16 anos e havia acumulado experiência em vendas e merchandising antes de perder o emprego, contexto que o levou a procurar alternativas e aceitar a indicação de um conhecido sobre vagas na universidade.
Ao procurar o setor responsável, ele conversou com o encarregado de limpeza e manutenção, participou do processo seletivo e foi contratado para atuar na higiene, função que inicialmente representava uma fonte de renda, mas logo passou a oferecer também uma oportunidade concreta de formação.
Como já desejava cursar o ensino superior, Monteiro percebeu que a bolsa destinada aos funcionários poderia transformar a necessidade imediata de emprego em acesso à universidade, motivo pelo qual assumiu o trabalho de limpeza enquanto começava a graduação em Administração de Empresas.
Mesmo enfrentando situações de preconceito, inclusive reações negativas vindas de antigos colegas de trabalho, ele permaneceu na função e manteve o plano de estudar, chegando posteriormente a classificar aquela vaga como o melhor emprego que havia conseguido até então.
Da limpeza ao departamento de Comunicação Visual
A primeira mudança interna ocorreu enquanto Monteiro ainda era estudante, quando participou de uma seleção para trabalhar no departamento de Comunicação Visual e, antes mesmo de conhecer o resultado, passou a demonstrar interesse pelo setor e oferecer ajuda voluntária em algumas atividades.
Cerca de um ano depois, ele deixou a equipe de higiene e assumiu tarefas na Comunicação Visual, onde passou a montar e fabricar banners, produzir cartazes e preparar materiais institucionais usados na divulgação dentro do campus universitário.
Essa nova função também recuperou conhecimentos adquiridos anteriormente na área de merchandising e aproximou Monteiro das demandas acadêmicas dos estudantes, especialmente quando professores propunham trabalhos que exigiam a criação de peças publicitárias e materiais que alguns alunos tinham dificuldade para desenvolver.
Por dominar parte desses processos, ele começou a orientar os universitários e chamou a atenção dentro da instituição, movimento que acabou levando ao convite para ministrar uma aula e, depois, à repetição dessa participação em outras atividades relacionadas ao ensino.
Contato com os estudantes abriu espaço para a docência
Quando surgiu a oportunidade de atuar como professor tutor voluntário em um curso de Marketing a distância, Monteiro decidiu aprofundar a própria formação e ingressou em uma pós-graduação na área, novamente utilizando uma bolsa integral concedida pela instituição onde trabalhava.
Gradualmente, o mesmo espaço que o havia recebido no setor responsável pela higiene passou a reunir sua graduação, as novas funções profissionais e as primeiras experiências de docência, numa trajetória construída por movimentações internas, estudo e aproveitamento das oportunidades disponíveis.
Mais tarde, a atuação voluntária no ensino transformou-se em posição profissional, e Monteiro foi contratado como professor auxiliar do ensino superior, consolidando uma mudança que havia começado quando passou a auxiliar estudantes durante atividades práticas dentro da universidade.
A docência também se conectava à experiência profissional anterior, pois ele já havia realizado treinamentos relacionados a merchandising antes de ingressar na instituição, conhecimento que passou a ganhar outra função à medida que sua presença em sala de aula aumentava.
Trabalho, formação acadêmica e ensino no mesmo espaço
Depois da graduação e da especialização em Marketing, Monteiro continuou direcionando sua formação para a carreira acadêmica e passou a planejar novos passos em Administração, enquanto a universidade permanecia como o lugar onde trabalho, estudo e ensino haviam se encontrado.
Sua trajetória dentro da instituição reuniu diferentes papéis ao longo do tempo — trabalhador do setor de higiene, estudante de Administração, funcionário da Comunicação Visual, orientador informal, tutor voluntário e professor auxiliar — sem que essa transformação ocorresse de maneira imediata.
Cada mudança esteve ligada a uma oportunidade concreta surgida enquanto Monteiro trabalhava e estudava na universidade, fazendo com que uma vaga buscada após a perda de um emprego se tornasse também a porta de entrada para formação superior e atuação docente.
Se um trabalho procurado inicialmente para substituir uma renda perdida pode também abrir acesso à formação superior e mudar uma carreira, quantas oportunidades profissionais podem esconder caminhos que só aparecem quando alguém decide aproveitar aquilo que existe além da primeira função?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

