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Walisson concluiu o EJA, cursou Direito e recebeu a carteira da OAB, mas a história de anos vivendo na Rodoviária de Brasília voltou a circular apesar de investigação jornalística anterior ter contestado pontos centrais do relato que comoveu o país
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 14/08/2026 às 16:36
Atualizado em 14/08/2026 às 16:42
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Walisson dos Reis Pereira da Silva concluiu Direito e recebeu a carteira da OAB em 2022, fatos documentados pela seccional. A narrativa anterior sobre anos vivendo na Rodoviária de Brasília, porém, havia sido contestada em 2019 por investigação jornalística que apontou contradições e questionou campanhas de arrecadação ligadas ao relato.
Walisson dos Reis Pereira da Silva aparece em registros da OAB do Distrito Federal como advogado inscrito e teve a entrega da carteira divulgada em maio de 2022. A conclusão do curso de Direito e a aprovação no exame da OAB são, portanto, partes verificáveis de uma história que ganhou grande repercussão nacional.
Outra parte, porém, exige correção. A narrativa segundo a qual Walisson teria vivido durante anos na Rodoviária de Brasília, estudado em bibliotecas públicas e construído toda a graduação a partir dessa condição foi contestada por uma investigação jornalística publicada em 2019.
Formação em Direito e carteira da OAB são fatos documentados
A OAB/DF publicou em 2022 que Walisson havia sido aprovado no exame e recebido a carteira profissional. A mesma publicação registrou que ele começou a cursar Direito em 2013, concluiu a graduação em 2019 e colou grau em 2020.
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Esses marcos podem ser tratados separadamente da narrativa de origem. A formação acadêmica e o ingresso na OAB não dependem de aceitar como comprovada cada afirmação anterior sobre a Rodoviária de Brasília.
História sobre a Rodoviária de Brasília circulava desde pelo menos 2016
Reportagens publicadas anos antes apresentavam Walisson como alguém que teria dividido os estudos entre escola pública, bibliotecas e noites na Rodoviária de Brasília. O relato também aparecia ligado a dificuldades para pagar moradia e a campanhas de arrecadação destinadas a ajudar na formação em Direito.
Essa versão foi reproduzida por veículos diferentes e ganhou caráter inspirador. Quanto mais a história circulou, mais os mesmos detalhes passaram a ser citados como se a repetição entre reportagens fosse confirmação independente.
Investigação de 2019 apontou contradições na narrativa
Em março de 2019, a Ponte Jornalismo publicou uma investigação extensa sobre Walisson e confrontou informações fornecidas em diferentes momentos. A reportagem relatou contradições sobre moradia, cronologia acadêmica, condições financeiras e campanhas de arrecadação, além de registrar que ele negou as acusações e ameaçou processar a publicação.
A checagem não anulou o fato de que ele cursava Direito, mas colocou sob dúvida partes do enredo sobre anos na Rodoviária de Brasília. Por isso, o caminho editorial responsável é separar conquistas documentadas de uma biografia cuja versão mais conhecida foi publicamente contestada.
OAB voltou a divulgar a trajetória em 2022 sem reabrir a checagem anterior
Quando a carteira foi entregue, a OAB/DF reproduziu uma matéria do Metrópoles que retomava a versão de vida na Rodoviária de Brasília. A publicação celebrava a entrada de Walisson na advocacia e citava EJA, financiamento estudantil e bicos realizados durante a graduação em Direito.
O texto de 2022, contudo, não apresenta uma nova investigação independente capaz de resolver as contradições levantadas em 2019. Uma republicação posterior não transforma automaticamente em comprovado aquilo que já havia sido questionado com documentação e fontes conflitantes.
Conquista profissional pode ser contada sem repetir uma versão contestada
A trajetória verificável permite afirmar que Walisson concluiu o EJA, cursou Direito, formou-se e recebeu inscrição na OAB. Também existe registro oficial posterior com o nome completo e número profissional, o que confirma sua entrada formal na advocacia no Distrito Federal.
O que não deve ser apresentado como certeza é a sequência integral de cinco anos na Rodoviária de Brasília e estudo em bibliotecas como se não houvesse contestação.
Para você, quando uma história inspiradora tem fatos centrais questionados depois, o mais correto é atualizá-la, retirá-la ou republicá-la com a checagem visível? Conte nos comentários.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

