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Ratinho comprou uma fazenda no Paraná e transformou a operação agrícola em uma lavoura com cerca de 1,3 milhão de pés de café, além de soja e milho, enquanto a empresa rural ligada ao empreendimento passou a reunir dezenas de milhões de reais em capital social
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 14/08/2026 às 23:57
Agronegócio
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Em 2004, Carlos Roberto Massa, o Ratinho, adquiriu a Fazenda Ubatuba, em Apucarana, no norte do Paraná, e iniciou uma nova fase para uma propriedade que já havia sido fortemente ligada à cafeicultura décadas antes. A Revista Cafeicultura registra que, depois de ter seus cafezais devastados pela geada de 1975 e migrar para a soja, a Ubatuba voltou a receber café após a compra por Massa. Já o Compre Rural informa que a lavoura chegou posteriormente a cerca de 1,3 milhão de pés, coexistindo com soja e milho.
A dimensão empresarial também pode ser verificada fora das reportagens sobre o apresentador. Dados cadastrais da Agropastoril Café no Bule Ltda., cuja matriz está registrada justamente no endereço da Fazenda Ubatuba, mostram situação ativa em 2026, Carlos Roberto Massa entre os sócios-administradores, cultivo de soja como atividade econômica principal e capital social de R$ 35.848.384.
O caso, portanto, ultrapassa uma propriedade de celebridade e envolve uma operação agrícola estruturada, com produção de café e grãos e empresa formalmente constituída no setor.
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Fazenda Ubatuba voltou ao café depois de décadas produzindo soja
A história agrícola da Ubatuba começou muito antes da chegada de Ratinho. Segundo a Revista Cafeicultura, a propriedade havia sido conhecida como uma das fazendas produtivas de café da região durante os anos 1970, período em que o norte do Paraná ainda ocupava posição importante na cafeicultura brasileira.
A chamada Geada Negra de julho de 1975 alterou profundamente esse cenário. A publicação relata que os cafezais da propriedade foram devastados e que, posteriormente, a fazenda migrou para o cultivo de soja, cultura que avançava sobre a região naquele período.
Foi somente depois da aquisição por Carlos Massa, no final de 2004, que uma operação cafeeira de grande escala começou a ser reconstruída.
Em vez de converter uma fazenda sem histórico agrícola, o investimento significou recuperar uma atividade que havia sido interrompida após uma transformação produtiva provocada pelo clima.
Ratinho comprou a propriedade em 2004 e iniciou o replantio
O Compre Rural informa que a Fazenda Ubatuba foi comprada por Ratinho em 2004, por aproximadamente R$ 9 milhões naquele momento.
Pouco depois da compra, a cafeicultura voltou a ocupar espaço relevante. Uma reportagem histórica da Revista Cafeicultura registrava, já em meados dos anos 2000, aproximadamente 1,2 milhão de pés de café arábica recém-implantados, com a primeira colheita prevista para 2008.
O número é importante porque mostra que a atual escala não apareceu repentinamente. A reconstrução do cafezal começou logo após a aquisição e exigiu anos entre implantação, desenvolvimento das plantas e entrada efetiva em produção comercial.
Lavoura chegou a aproximadamente 1,3 milhão de pés de café
Em julho de 2024, o Compre Rural informou que a operação da Fazenda Ubatuba já reunia aproximadamente 1,3 milhão de cafeeiros, número superior aos cerca de 1,2 milhão registrados durante a implantação inicial da lavoura.
A publicação descreve a propriedade como um dos principais empreendimentos rurais associados a Ratinho e confirma que a produção não está concentrada exclusivamente no café. Soja e milho também aparecem entre as culturas exploradas na fazenda.
Essa diversificação torna o empreendimento menos dependente de uma única commodity. Café, soja e milho possuem calendários, mercados e estruturas produtivas diferentes, permitindo que uma mesma operação rural distribua parte de sua exposição às oscilações de preço e produção entre cadeias distintas.
Empresa registrada na fazenda tem cultivo de soja como atividade principal
Um detalhe ajuda a demonstrar que a produção de grãos permanece relevante. A Agropastoril Café no Bule Ltda., empresa cujo endereço cadastral da matriz é a própria Fazenda Ubatuba, possui como CNAE principal o cultivo de soja.
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Os dados cadastrais consultados em julho de 2026 mostram a companhia como ativa e localizada na Estrada Pirapó-São Pedro, Rodovia Erwin Schindler, zona rural de Apucarana. O complemento do endereço identifica explicitamente a Fazenda Ubatuba.
A empresa foi formalmente aberta em outubro de 2008, alguns anos depois da aquisição da fazenda. Entre os sócios aparecem Carlos Roberto Massa, Solange Martinez Massa e três filhos do casal: Carlos Roberto Massa Junior, Gabriel Martinez Massa e Rafael Martinez Massa.
O cadastro empresarial também permite dimensionar a estrutura econômica sem depender de estimativas de patrimônio divulgadas em matérias sobre celebridades. O capital social registrado da Agropastoril Café no Bule Ltda. é de R$ 35.848.384.
Capital social não é sinônimo de faturamento, lucro, patrimônio líquido ou valor de mercado da fazenda. Ele representa o montante formalmente declarado pelos sócios para compor o capital da empresa e, portanto, precisa ser interpretado separadamente de avaliações imobiliárias da propriedade.
Primeiros 1,2 milhão de cafeeiros foram plantados antes da primeira colheita
A reconstrução da cafeicultura exigiu uma estratégia de médio prazo. Quando a Revista Cafeicultura documentou o empreendimento nos anos 2000, os cerca de 1,2 milhão de pés ainda estavam em fase anterior à primeira safra comercial relevante.
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Naquele momento, a expectativa divulgada era colher pela primeira vez em 2008. Isso significa que o investimento realizado a partir de 2004 precisou atravessar vários ciclos agrícolas antes de começar a gerar receita de café em maior escala.
O projeto de café, portanto, nasceu inserido em uma estratégia empresarial e não apenas como recuperação paisagística de uma cultura histórica da propriedade.
Fazenda combina cafeicultura com soja e milho no norte do Paraná
A presença simultânea de café, soja e milho coloca a Ubatuba dentro de uma lógica de diversificação agrícola.
O Compre Rural confirma as três culturas na operação e aponta o café como um dos elementos mais visíveis devido à escala de aproximadamente 1,3 milhão de plantas.
Ao mesmo tempo, o cadastro atual da Agropastoril Café no Bule reforça a importância dos grãos ao manter o cultivo de soja como principal atividade econômica formal da empresa.
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A própria história da fazenda ajuda a explicar essa combinação. Depois da destruição dos antigos cafezais na década de 1970, a soja assumiu espaço; décadas mais tarde, o café retornou sem que a produção de grãos desaparecesse da estratégia agrícola.
Operação atual começou com uma inversão da estratégia tradicional do café
Um aspecto curioso documentado pela Revista Cafeicultura é que o investimento empresarial ligado ao café teria começado antes mesmo de a nova lavoura estar pronta para produzir.
Ratinho já trabalhava com a marca Café no Bulé enquanto os novos cafeeiros da Fazenda Ubatuba ainda estavam em desenvolvimento.
Na fase inicial, segundo a publicação, o café comercializado sob a marca não dependia exclusivamente dos grãos produzidos na Ubatuba, justamente porque os novos cafeeiros ainda não haviam alcançado a primeira colheita. A produção agrícola e a estratégia comercial avançaram, portanto, em cronogramas diferentes.
Esse histórico mostra uma operação estruturada em diferentes elos: propriedade rural, cultivo agrícola e atividade empresarial associada ao produto.
Décadas depois, o dado mais visível permanece no campo, com aproximadamente 1,3 milhão de plantas registradas nas reportagens mais recentes sobre a fazenda.
Negócio permanece ativo mais de duas décadas depois da compra
Mais de 20 anos separam a aquisição de 2004 dos registros atuais. Nesse intervalo, a Fazenda Ubatuba passou de uma propriedade que havia migrado do café para a soja após a geada de 1975 para uma operação novamente associada a cafeicultura em larga escala, soja e milho.
A continuidade empresarial também aparece nos dados de 2026. A Agropastoril Café no Bule Ltda. permanece ativa, com matriz registrada na Fazenda Ubatuba, capital social de R$ 35,8 milhões e Carlos Roberto Massa como um de seus administradores.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

