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Estudantes criam carro elétrico que gera mais energia do que consome: com 1.700 células solares, só 550 kg e excedente capaz de adicionar 50 km de autonomia por dia em trajetos urbanos
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 15/08/2026 às 16:01
Atualizado em 15/08/2026 às 16:22
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Protótipo desenvolvido por estudantes da Universidade Clemson em parceria com a BMW combina células solares, baixo peso e sistemas de eficiência para testar uma arquitetura capaz de produzir excedente de energia em deslocamentos urbanos simulados sob diferentes condições de clima, iluminação e uso cotidiano.
Estudantes de mestrado em engenharia automotiva da Universidade Clemson, nos Estados Unidos, apresentaram em 6 de agosto de 2026 o Deep Orange 17, protótipo elétrico desenvolvido com a BMW para produzir, em determinadas condições urbanas, mais energia solar do que consome.
Batizado de Luminetta, o cupê de duas portas reúne mais de 1.700 células fotovoltaicas, peso de 550 kg e sistemas de eficiência, enquanto as simulações indicaram excedente suficiente para acrescentar, em média, 50 km de autonomia em um percurso diário de 20 km.
Como o Deep Orange 17 produz excedente de energia
A proposta parte de uma característica comum ao uso dos automóveis, que passam grande parte do dia estacionados, e aproveita esse período para captar luz solar por meio das células instaladas nas superfícies externas, tanto em repouso quanto durante os deslocamentos.
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Nesse conjunto, a geração fotovoltaica alimenta continuamente o sistema de armazenamento de energia e reduz a dependência de recargas externas, ao mesmo tempo em que a arquitetura do veículo busca diminuir o consumo necessário para manter o funcionamento em trajetos urbanos.
O sistema solar contou com participação do Fraunhofer Institute for Solar Energy Systems ISE, da Alemanha, e, segundo a BMW, foi projetado para continuar produzindo energia mesmo quando parte das células fica sombreada, além de receber uma película externa de proteção.
Para medir o potencial dessa configuração, os estudantes simularam condições ambientais e disponibilidade de luz solar em Greenville, na Carolina do Sul, Frankfurt, na Alemanha, Madri, na Espanha, e Mumbai, na Índia, usando como referência um percurso diário de aproximadamente 20 quilômetros.
Em todos os quatro cenários analisados, as simulações apontaram um excedente solar médio equivalente a 31 milhas, ou cerca de 50 quilômetros de autonomia adicional, resultado que depende das condições consideradas e não representa uma distância fixa garantida para qualquer dia de uso.
Peso de 550 kg ajuda a reduzir o consumo
Mais do que instalar células solares na carroceria, a equipe precisou reduzir a energia necessária para movimentar o veículo, levando ao desenvolvimento de soluções voltadas à aerodinâmica, eletrônica de potência, controle do trem de força e, principalmente, diminuição da massa total.
Com 550 kg, ou 1.212 libras, o Deep Orange 17 pesa aproximadamente um quarto do que muitos veículos de produção de tamanho semelhante, segundo a apresentação oficial, e utiliza aço, alumínio, fibra de carbono e conexões metálicas produzidas por impressão 3D em sua estrutura.
Na parte externa, o desenho também foi desenvolvido com foco na eficiência e buscou inspiração nas características aerodinâmicas do peixe-cofre, enquanto frenagem regenerativa, distribuição inteligente de torque e controles otimizados do conjunto motriz ajudam a recuperar energia e a reduzir perdas durante o funcionamento.
Tecnologia solar integra a estratégia energética do Luminetta
Ao integrar essas soluções, o projeto trata a captação de luz solar como parte central da estratégia energética do Luminetta, em vez de utilizar os painéis apenas como complemento, o que permitiu alcançar o resultado classificado pelos desenvolvedores como “energy-positive” no cenário urbano analisado.
Dentro da cabine, uma interface criada especificamente para o protótipo apresenta telemetria em tempo real e oferece integração com Apple CarPlay e Android Auto, mantendo o caráter experimental do Deep Orange e permitindo acompanhar informações relacionadas ao funcionamento e ao desempenho do veículo.
O desenvolvimento também segue a proposta acadêmica do programa Deep Orange, no qual os estudantes participam de etapas que incluem pesquisa, projeto, engenharia, fabricação e validação de um veículo funcional, aproximando a formação universitária de desafios encontrados na indústria automotiva.
Projeto envolveu 16 estudantes durante dois anos
Ao todo, 16 estudantes de mestrado trabalharam no Deep Orange 17 durante dois anos, depois de a BMW propor, no segundo semestre de 2024, o desafio de criar um veículo capaz de gerar mais energia do que utilizaria em uma rotina diária.
A pesquisa continuará no Clemson University International Center for Automotive Research, o CU-ICAR, em Greenville, onde o carro permanecerá como plataforma para novos estudos de mobilidade sustentável e poderá apoiar avaliações sobre integração fotovoltaica, eficiência energética e soluções aplicadas a veículos elétricos.
Além da continuidade dos testes no centro de pesquisa, Clemson e BMW informaram que o Deep Orange 17 está programado para ser exibido na CES 2027, em Las Vegas, ampliando a exposição de um projeto concebido inicialmente como experiência acadêmica e tecnológica.
Ainda na condição de protótipo acadêmico e de pesquisa, o Luminetta reúne baixo peso, integração fotovoltaica e gerenciamento eficiente de energia em uma mesma arquitetura, elementos que explicam por que o projeto conseguiu apresentar saldo energético positivo nas simulações urbanas divulgadas.
A combinação entre geração solar e consumo reduzido também evidencia que o resultado não depende de uma única solução isolada, mas do trabalho conjunto entre peso, aerodinâmica, eletrônica, armazenamento e aproveitamento da luz disponível ao longo da rotina diária.
Com esse conjunto de soluções, até que ponto tecnologias semelhantes poderão avançar de protótipos acadêmicos para aplicações práticas e, no futuro, reduzir a dependência de recargas externas em trajetos urbanos sem comprometer a eficiência, o desempenho e a viabilidade de uso cotidiano?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

