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Aos 84 anos, Gilberto Gil dá nome a bosque em manguezal de 113,7 hectares em Magé, onde plantou mudas após vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo e hoje vivem 107 espécies de aves
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 15/08/2026 às 17:42
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Manguezal de Magé passou de área severamente degradada por óleo a espaço protegido, com vegetação recuperada, fauna catalogada, pesquisa científica e visitação controlada, enquanto a participação de Gilberto Gil no plantio de mudas permanece ligada à história de restauração ambiental da Baía de Guanabara.
Aos 84 anos, Gilberto Gil mantém seu nome ligado a uma área de manguezal em Magé, na Baixada Fluminense, que passou por um dos processos de recuperação ambiental mais emblemáticos da Baía de Guanabara e hoje integra uma unidade de conservação.
Nesse espaço, o artista participou do plantio de mudas durante a restauração, enquanto o atual Parque Natural Municipal Barão de Mauá reúne 113,7 hectares de vegetação recuperada e abriga 107 espécies de aves, segundo dados divulgados pela Prefeitura de Magé.
Vazamento de 1,3 milhão de litros atingiu a Baía de Guanabara
A origem dessa transformação está no vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo combustível provocado pelo rompimento de um duto ligado à Refinaria Duque de Caxias, episódio cuja mancha alcançou cerca de 50 quilômetros quadrados e atingiu 23 praias.
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Além de degradar o manguezal, o acidente comprometeu uma área utilizada por pescadores e catadores de caranguejo, e mais de 600 trabalhadores ligados à pesca e à coleta de crustáceos ficaram impedidos de exercer suas atividades por um longo período.
Para recuperar o terreno, foram necessárias sucessivas intervenções ambientais, entre retirada de resíduos, preparação do solo, plantio de espécies típicas do manguezal e acompanhamento da regeneração, com uso de mudas de mangue-vermelho, mangue-branco e mangue-preto ao longo do processo.
Foi nesse contexto que Gilberto Gil esteve no local, então como ministro da Cultura, acompanhado do ambientalista Alfredo Sirkis, e participou diretamente do plantio de mudas em uma das etapas destinadas à recomposição da vegetação atingida pelo óleo.
Gilberto Gil dá nome a bosque no manguezal
A passagem do cantor acabou incorporada à memória do parque, já que um dos bosques da unidade recebeu o nome de Gilberto Gil em reconhecimento à participação dele na recuperação ambiental desenvolvida na área ao longo dos anos.
Muito além da homenagem, porém, a dimensão do espaço restaurado chama atenção: o parque possui 113,7 hectares de mangue reflorestado e recuperado, extensão que a Prefeitura de Magé compara a aproximadamente 113 campos de futebol.
Com a retomada da cobertura vegetal, o ambiente voltou a oferecer abrigo, alimento e áreas de reprodução para diferentes espécies, e os levantamentos municipais passaram a registrar uma diversidade de fauna que evidencia a recuperação gradual do ecossistema.
Nos dados divulgados pelo município aparecem 107 espécies de aves, além de 21 espécies de mamíferos, 16 espécies de répteis e 11 espécies de crustáceos, conjunto que inclui aves residentes e migratórias que utilizam o manguezal em diferentes períodos.
Área recuperada passou a receber pesquisas ambientais
Ao lado da conservação da fauna, a área recuperada também ganhou função científica, permitindo que pesquisadores desenvolvam estudos sobre manguezais, biodiversidade e condições ambientais da Baía de Guanabara em uma região marcada por um grande episódio de contaminação.
Entre os recursos disponíveis estão alojamento destinado a pesquisadores e acesso a trabalhos acadêmicos produzidos a partir da área, com estudos voltados à restauração de manguezais, diversidade genética, percepção ambiental e presença de resíduos flutuantes na baía.
A visitação controlada também passou a fazer parte da estrutura, que conta com uma passarela suspensa de cerca de um quilômetro, um deck voltado para a Baía de Guanabara e uma torre de observação com aproximadamente 11 metros de altura.
Esses equipamentos permitem percorrer e observar o manguezal sem retirar da unidade sua função ambiental, especialmente por se tratar de um ecossistema de transição entre ambientes terrestres e marinhos, associado ao abrigo, alimentação e reprodução de diferentes espécies.
Acidente ambiental desencadeou processo de restauração
O acidente que desencadeou a restauração ocorreu em 18 de janeiro de 2000, quando um duto da Petrobras entre a Refinaria Duque de Caxias e o terminal da Ilha d’Água se rompeu e espalhou óleo pela Baía de Guanabara.
Nos anos seguintes, a limpeza e a recuperação avançaram com a participação de pescadores e instituições dedicadas à conservação, enquanto o Instituto OndAzul, segundo a Prefeitura de Magé, atuou nos trabalhos realizados entre janeiro de 2001 e julho de 2019.
Durante as primeiras fases, a remoção de resíduos e a recuperação das condições do terreno foram indispensáveis para que as mudas se desenvolvessem, e a recomposição vegetal acompanhou gradualmente o retorno de espécies dependentes do manguezal.
Paralelamente à restauração física do ecossistema, a área ganhou proteção institucional, passou a integrar uma unidade de conservação municipal e recebeu regras próprias para visitação, pesquisa e preservação ambiental, consolidando uma nova função para um território antes severamente degradado.
Parque ganhou proteção e reconhecimento público
O Parque Natural Municipal Barão de Mauá também foi reconhecido como patrimônio histórico, cultural, turístico e paisagístico do Estado do Rio de Janeiro, ampliando o valor público de uma área diretamente associada à degradação ambiental e à posterior recuperação.
Enquanto Gilberto Gil permanece ligado a essa história pelo plantio de mudas e pelo bosque que leva seu nome, Alfredo Sirkis, que participou da visita e manteve atuação vinculada à causa ambiental, também recebeu homenagem semelhante em outro trecho da unidade.
Hoje, os números reunidos pela Prefeitura de Magé sintetizam a escala da transformação: são 113,7 hectares de manguezal recuperado, 107 espécies de aves catalogadas e uma estrutura voltada à conservação, pesquisa, educação ambiental e visitação controlada.
No mesmo território que recebeu parte dos 1,3 milhão de litros de óleo derramados na Baía de Guanabara, a vegetação voltou a se estabelecer e diferentes espécies encontraram novamente condições de abrigo, alimentação e reprodução.
O que chama mais atenção nessa transformação ambiental de Magé: a recuperação de 113,7 hectares de manguezal após o vazamento de óleo ou o fato de o espaço hoje reunir 107 espécies de aves e estrutura voltada à pesquisa?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

