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Shakira ajudou a levar para o topo de um morro de Cartagena uma escola formada por blocos hexagonais, pátios ventilados, áreas esportivas e espaços que recebem mais de mil crianças por ano
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 15/08/2026 às 22:27
Atualizado em 15/08/2026 às 22:28
Construção, Indústria
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Vista do alto, a escola Lomas del Peyé parece uma sequência de grandes formas brancas encaixadas no topo de um morro. Shakira ajudou a levar para essa encosta de Cartagena uma construção formada por blocos hexagonais, pátios ventilados e áreas esportivas, capaz de receber mais de mil crianças por ano.
Concluído em 2014, o edifício não foi planejado apenas para acomodar salas de aula. Rampas, pátios internos, biblioteca, espaços coletivos e uma praça criada sobre parte da cobertura ajudaram a transformar a escola em um ponto de educação e convivência dentro do bairro La María.
A Fundação Pies Descalzos, organização colombiana voltada à educação de crianças vulneráveis, conduziu o projeto que recebeu apoio de Shakira. A participação da cantora ocorreu por meio da fundação que ela criou, pois a obra envolveu arquitetos, profissionais da construção e parcerias institucionais.
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Uma escola construída no alto de uma encosta de Cartagena
Construir uma escola de grande porte na Loma del Peyé exigia enfrentar um terreno com diferentes alturas. Um prédio escolar convencional, concentrado em um único volume, teria mais dificuldade para acompanhar a inclinação e distribuir os espaços sem criar barreiras internas.
O arquiteto colombiano Giancarlo Mazzanti organizou a escola em plataformas ligadas por rampas e escadas. Os ambientes acompanham os níveis do morro em vez de depender de uma área totalmente plana para funcionar.
Essa distribuição permitiu separar os espaços destinados às diferentes etapas de ensino sem afastá los do restante do conjunto. Salas, pátios e áreas compartilhadas permanecem conectados, enquanto a construção mantém contato visual com o bairro e com a paisagem de Cartagena.
A posição no topo também deu visibilidade ao equipamento público. Entre as casas da encosta, os grandes contornos geométricos formaram um marco urbano facilmente reconhecido pelos moradores.
Blocos hexagonais organizam salas, caminhos e pátios
Os hexágonos não foram escolhidos somente para criar uma aparência diferente. Cada módulo reúne salas ao redor de um pátio central, enquanto o contorno funciona como caminho de circulação entre os ambientes.
Esse desenho reduz a presença de corredores compridos e fechados. Ao circular pela escola, os estudantes passam por áreas abertas, rampas e espaços de convivência que tornam o deslocamento mais simples e integrado às atividades diárias.
Os blocos também possuem dimensões e funções diferentes. Os menores acomodam ambientes que precisam de mais separação, enquanto os maiores recebem salas e atividades destinadas a grupos numerosos. A repetição da forma mantém uma identidade visual sem obrigar todos os espaços a terem o mesmo uso.
Em um terreno irregular, os módulos podem ocupar alturas distintas e continuar ligados. A escola funciona como um conjunto de partes encaixadas na encosta, aproveitando melhor o espaço disponível no morro.
Pátios ventilados levam sombra, luz e circulação de ar
O formato hexagonal não produz conforto sozinho. A ventilação melhora porque as salas ficam voltadas para pátios, possuem grandes aberturas e mantêm contato com espaços descobertos. Essas escolhas facilitam a circulação do ar pelo edifício.
Os pátios receberam estruturas vazadas que oferecem sombra sem fechar completamente o espaço. Árvores e plantas tropicais contribuem para criar áreas mais agradáveis, nas quais os alunos podem conversar, descansar e participar de atividades fora das salas.
Grandes janelas permitem a entrada de luz natural e mantêm a paisagem visível. Em vez de salas isoladas do bairro, o projeto cria ambientes que permanecem ligados ao lugar onde a escola foi implantada.
A combinação entre sombra, vegetação, iluminação e passagem de ar ajuda a diminuir a sensação de confinamento. O pátio deixa de ser apenas um espaço vazio e passa a participar da rotina educacional.
Cobertura virou praça e áreas esportivas atendem diferentes usos
Parte da cobertura da escola foi transformada em uma praça de acesso. A solução aproveita a diferença de altura do terreno e cria um ponto de encontro entre os níveis do conjunto.
Essa praça evita que o desnível funcione somente como obstáculo. Crianças, profissionais e moradores encontram uma área aberta que ajuda a distribuir a circulação e aproxima diferentes partes do edifício.
As instalações esportivas, a biblioteca e os ambientes coletivos ampliam a função da escola. A organização dos acessos permite que determinados espaços sejam utilizados pela comunidade sem liberar a entrada nas áreas reservadas aos estudantes.
Dessa forma, o prédio não precisa permanecer fechado para o bairro fora dos horários de aula. Educação, esporte, leitura e convivência comunitária encontram espaço dentro do mesmo projeto arquitetônico.
O papel de Shakira aconteceu por meio da Fundação Pies Descalzos
A Fundação Pies Descalzos, entidade responsável pelo projeto educacional de Lomas del Peyé, apresenta a unidade como a segunda instituição construída pela organização e a primeira implantada em Cartagena. A escola atende mais de mil crianças por ano.
Shakira criou e apoiou a fundação responsável por reunir esforços para a implantação do colégio. Isso não significa que a cantora tenha desenhado, financiado ou construído sozinha a estrutura instalada no alto do morro.
O desenho arquitetônico ficou sob responsabilidade de Giancarlo Mazzanti e sua equipe. A realização também dependeu do trabalho de engenheiros, construtores, profissionais da educação, instituições e administração pública.
Essa distinção ajuda a compreender a dimensão coletiva da iniciativa. Shakira deu visibilidade e apoio institucional ao projeto, enquanto a fundação organizou uma ação que precisou combinar educação, arquitetura, recursos e participação pública.
Escola se abriu ao bairro em vez de permanecer atrás de muros
Uma biblioteca com acesso mais independente, áreas esportivas e espaços coletivos permitem que a comunidade se aproxime da escola. O objetivo não era criar um edifício totalmente separado das casas ao redor, mas estabelecer uma ligação com o bairro.
Quando moradores conseguem usar parte da estrutura, o prédio passa a desempenhar outras funções. Além das aulas, ele pode receber atividades ligadas à leitura, ao esporte e à convivência.
Essa abertura também fortalece a identificação da população com o espaço. Uma construção visível no alto da encosta pode representar acesso à educação e, ao mesmo tempo, oferecer ambientes que antes não estavam disponíveis naquela região.
Assista o vídeo
A escola torna concreta uma ideia simples: um equipamento educacional pode beneficiar estudantes sem ignorar as necessidades da comunidade que vive ao redor.
Projeto de Cartagena traz reflexões para periferias brasileiras
Encostas ocupadas, ruas estreitas e poucos terrenos planos também fazem parte de diversas periferias brasileiras. Os modelos administrativos não são iguais, mas o desafio físico é semelhante: construir escolas e equipamentos públicos em lugares onde o relevo dificulta acessos e aumenta a complexidade das obras.
Lomas del Peyé mostra que a inclinação pode ser incorporada ao projeto. Plataformas, rampas, pátios e módulos distribuídos permitem acompanhar o terreno, desde que segurança, acessibilidade e manutenção sejam consideradas desde o planejamento.
O projeto também revela que uma escola não precisa ser formada apenas por salas e corredores. Praça, biblioteca, vegetação, esporte e espaços comunitários podem fazer parte da infraestrutura educacional e melhorar a relação do prédio com seu entorno.
Concluída em 2014, a escola de blocos hexagonais transformou uma parte do topo da Loma del Peyé em espaço de aprendizagem. Mais de mil crianças são atendidas por ano em uma estrutura criada para acompanhar o terreno e permanecer conectada ao bairro.
A obra apoiada por Shakira uniu arquitetura, educação e participação coletiva. Seu principal legado está em mostrar que até uma encosta difícil pode receber um equipamento público capaz de ensinar, acolher e criar novos pontos de encontro.
Se uma escola pode funcionar também como praça, biblioteca e espaço esportivo, por que tantos bairros ainda recebem prédios fechados para a comunidade? Deixe sua opinião e compartilhe esta história.
Fonte
Fundação Pies Descalzos
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

