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Carioca deixou carreira de professora, mudou-se com o marido para Portugal, passou cerca de 5 anos entre fábrica de costura, carta e prova de mecânica até virar caminhoneira e hoje cruza países da Europa em dupla com ele
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 17/08/2026 às 17:36
Atualizado em 17/08/2026 às 17:37
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Mudança de país, abandono da sala de aula e uma sequência de desafios colocaram uma brasileira diante de uma transformação profissional improvável. Entre adaptação, habilitação e vida na estrada, sua trajetória mostra como uma decisão tomada ao lado do marido redesenhou completamente trabalho, rotina e relação com a Europa.
Patrícia Barreira deixou para trás a carreira de professora no Espírito Santo e construiu uma trajetória profissional completamente diferente depois de se mudar com o marido para Portugal, onde precisou reorganizar os planos antes de encontrar espaço no transporte rodoviário internacional.
Nascida no Rio de Janeiro, ela chegou à Europa sem sequer dirigir automóvel, passou por trabalho em uma fábrica ligada à costura e enfrentou etapas de habilitação até, cerca de cinco anos depois da mudança, assumir profissionalmente o volante de um caminhão.
Mais de duas décadas após desembarcar no continente, a rotina pública de Patrícia e do marido, Xibli, continua relacionada aos caminhões e às estradas europeias, mantendo viva uma trajetória iniciada muito longe da profissão que ela exercia no Brasil.
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O relato ganhou repercussão em uma reportagem do G1 publicada em 2018 e reproduzida pelo portal Chico da Boleia, quando Patrícia tinha 41 anos, acumulava 17 anos vivendo em Portugal e completava aproximadamente 12 anos trabalhando no transporte rodoviário.
A diferença entre os dois períodos indica cerca de cinco anos entre a chegada ao país europeu e a entrada na profissão, intervalo marcado por adaptação, emprego fora do setor e pelas etapas necessárias para que ela pudesse conduzir veículos pesados.
De professora no Brasil ao trabalho em fábrica em Portugal
Antes da mudança para a Europa, Patrícia trabalhava como professora no Espírito Santo, mas encontrou dificuldades para retomar a mesma atividade em Portugal, onde a burocracia necessária para continuar no magistério acabou tornando menos simples a continuidade imediata da carreira.
Enquanto Xibli conseguiu entrar primeiro no transporte rodoviário, Patrícia passou a trabalhar em uma fábrica ligada à costura e começou a acompanhar mais de perto a rotina profissional do marido, experiência que aos poucos aproximou a brasileira do universo dos caminhões.
Foi justamente durante essas viagens como acompanhante que surgiu a decisão de deixar de ocupar apenas o banco do passageiro e buscar a própria habilitação, transformando uma rotina inicialmente ligada ao trabalho do marido em um novo projeto profissional para ela.
Segundo Patrícia relatou na época, o incômodo de viajar sem poder assumir o volante chegou ao ponto de fazê-la decidir que só voltaria à estrada quando tivesse a própria “carta”, expressão utilizada naquele contexto para se referir à habilitação.
Habilitação para caminhão exigiu novas etapas de preparação
Como havia saído do Brasil sem sequer conduzir automóvel, a transição para o transporte pesado exigiu um caminho gradual, começando pela habilitação para carro e avançando posteriormente para o processo necessário para que pudesse dirigir profissionalmente um caminhão em Portugal.
Entre as etapas mencionadas pela própria caminhoneira estavam uma prova de mecânica e, posteriormente, uma avaliação prática, exigências que fizeram parte da preparação antes de ela abandonar definitivamente a condição de acompanhante e passar a dividir a condução com Xibli.
Somado ao período em outro emprego, esse processo separou a antiga rotina em sala de aula da nova vida atrás do volante, mostrando que a mudança profissional não aconteceu imediatamente após a chegada à Europa nem resultou apenas de uma decisão repentina.
Ao completar a preparação, Patrícia encontrou no transporte rodoviário uma atividade que não apenas modificou sua profissão, mas também passou a reorganizar horários, deslocamentos, períodos de descanso e a própria convivência com o marido durante viagens internacionais de longa duração.
Trabalho em dupla levou casal a cruzar países da Europa
Já inseridos profissionalmente no setor, Patrícia e Xibli passaram a trabalhar em uma operação estruturada para dois motoristas, sendo contratados como casal por uma empresa que prestava serviços na Espanha e utilizava a dupla na condução de um caminhão frigorífico.
O revezamento ao volante permitia manter o veículo em deslocamento por períodos extensos, enquanto cada motorista precisava organizar os momentos de direção e repouso conforme as exigências da operação e as regras aplicáveis ao transporte rodoviário internacional.
Com as rotas atravessando fronteiras de forma frequente, diferentes países passaram a fazer parte do cotidiano profissional do casal, que circulava entre Portugal, Espanha, França e Reino Unido enquanto cumpria entregas e permanecia boa parte do tempo dentro do caminhão.
Patrícia contou, por exemplo, que passava por Paris semanalmente e seguia também para a Inglaterra, embora a frequência das viagens não significasse uma rotina turística, já que os compromissos com a carga e os horários limitavam bastante as oportunidades de visitar atrações.
Mesmo cruzando repetidamente algumas das cidades mais conhecidas da Europa, ela dizia ter visto a Torre Eiffel apenas uma vez e nunca ter parado diante do Big Ben, contraste que evidencia a diferença entre conhecer lugares pela estrada e visitá-los como turista.
Caminhão virou espaço de trabalho, descanso e permanência
Assista o vídeo
Diante de tantos dias envolvidos com deslocamentos, o caminhão passou a cumprir funções que ultrapassavam o simples transporte da carga, tornando-se também espaço para guardar pertences, organizar refeições e descansar nos momentos permitidos durante as operações realizadas pelo casal.
O Mercedes Actros utilizado por Patrícia e Xibli contava com duas camas grandes, armários e geladeira, estrutura pensada para acomodar quem permanece longos períodos longe de casa e precisa transformar a cabine em um ambiente funcional durante as viagens.
Essa dimensão da vida a bordo também apareceu no canal Pathy RJ-Xibli, onde Patrícia publicou um vídeo dedicado a mostrar como dorme dentro do caminhão e apresentou aspectos de uma rotina que costuma permanecer invisível para quem acompanha o transporte apenas pelas estradas.
Ainda assim, a existência de camas na cabine não significava que um dos motoristas pudesse simplesmente dormir enquanto o outro mantinha o caminhão em movimento, já que o próprio relato de Patrícia descrevia uma dinâmica diferente durante os períodos de revezamento.
Em 2018, ela explicou que, durante cerca de 20 horas de alternância com o veículo em deslocamento, os dois permaneciam nos bancos, enquanto o descanso em cama ficava associado aos momentos em que a operação efetivamente permitia realizar uma pausa.
Dentro desse ambiente limitado, compartilhado pelo casal e cercado pelos equipamentos necessários ao trabalho, até atividades comuns precisavam ser adaptadas aos horários da estrada, às paradas disponíveis e à necessidade de continuar cumprindo o planejamento de transporte.
Refeições e rotina também precisaram se adaptar à estrada
Até mesmo a alimentação ganhou uma dinâmica própria, pois Patrícia relatou situações em que, enquanto um dos dois conduzia o caminhão, o outro preparava a comida dentro da cabine, chegando a segurar uma panela sobre um pequeno fogareiro.
A cena ajuda a dimensionar como a vida profissional se afastou da antiga rotina de professora, passando a ser organizada em torno de deslocamentos internacionais, horários de carga e descarga, períodos obrigatórios de parada e permanências prolongadas dentro do veículo.
Em vez de horários definidos por uma sala de aula, o cotidiano passou a depender das necessidades do transporte, dos trajetos programados e das condições encontradas pelo caminho, criando uma relação completamente diferente com trabalho, descanso e tempo disponível.
Essa transformação também aproximou Patrícia de situações que dificilmente fariam parte de sua antiga profissão, incluindo episódios de tensão nas fronteiras e circunstâncias inesperadas relacionadas ao intenso fluxo de pessoas e veículos em determinadas regiões da Europa.
Crise migratória em Calais marcou uma das viagens
Um dos episódios mais marcantes aconteceu em 2015, durante a crise migratória que atingiu a região francesa de Calais, quando Patrícia contou ter encontrado 11 pessoas escondidas no compartimento frigorífico do caminhão depois de atravessar para o Reino Unido.
De acordo com o relato, ela percebeu barulhos vindos do veículo, interrompeu o deslocamento, buscou ajuda e acionou a polícia, descobrindo então a presença das pessoas que haviam entrado clandestinamente no compartimento utilizado para transportar a carga.
Naquele período, tentativas de atravessar o Canal da Mancha escondido em caminhões se tornaram parte de uma situação especialmente delicada na região, colocando motoristas profissionais diante de ocorrências que extrapolavam completamente a rotina normal de entregas internacionais.
Embora esse episódio tenha sido excepcional, outros obstáculos apareciam de maneira mais previsível no cotidiano, incluindo neve, diferenças de idioma, acessos apertados e pressão pelos horários definidos para chegar aos locais de carga ou descarga.
Neve, idiomas e acessos apertados faziam parte das viagens
Ao circular por vários países, Patrícia também precisou lidar com dificuldades de comunicação, especialmente em destinos onde o idioma se tornava uma barreira, obrigando o casal a recorrer em determinadas situações a gestos e outras formas improvisadas de entendimento.
Somavam-se a isso as condições climáticas e os desafios de conduzir veículos grandes por áreas nem sempre simples de acessar, elementos que apareciam nos relatos e vídeos produzidos pela caminhoneira enquanto documentava aspectos concretos de sua profissão.
Apesar dessas dificuldades, Patrícia permaneceu no transporte rodoviário e começou a compartilhar a experiência com brasileiros interessados em conhecer melhor a atividade, levando para a internet situações que normalmente ficariam restritas aos próprios profissionais das estradas.
A produção de conteúdo acabou ampliando o alcance de uma história que começou com a mudança de país e a necessidade de reconstrução profissional, permitindo acompanhar não apenas os trajetos percorridos, mas também detalhes da convivência diária dentro do caminhão.
Pathy RJ-Xibli passou a mostrar a rotina nas estradas
Com o tempo, a parceria profissional com Xibli também passou a ser registrada no canal Pathy RJ-Xibli, criado para mostrar a rotina dos dois e transformar as experiências vividas durante o transporte internacional em conteúdo para quem acompanha o universo dos caminhões.
O trabalho conjunto, inicialmente motivado pelo revezamento ao volante, tornou-se uma parte central da história do casal, que passou a publicar trechos de viagens, dificuldades operacionais, paisagens e situações cotidianas enfrentadas ao atravessar diferentes regiões europeias.
Por meio desses registros, o público conseguiu observar aspectos que raramente aparecem quando um caminhão é visto apenas passando por uma rodovia, incluindo descanso, alimentação, permanência na cabine e os desafios encontrados entre um ponto de carga e outro.
Em agosto de 2026, o canal Pathy RJ-Xibli continuava ativo, reunindo cerca de 1,3 mil vídeos e novas publicações relacionadas a caminhões, rotas e deslocamentos pela Europa, preservando o vínculo público do casal com a vida nas estradas.
Entre os conteúdos associados ao canal aparecem referências a viagens pela Alemanha, Espanha, Portugal, França e Reino Unido, mantendo o caráter internacional de uma rotina que Patrícia já descrevia publicamente muitos anos antes em entrevistas sobre sua trajetória profissional.
Mais de duas décadas depois, estrada permanece ligada à trajetória profissional
Passadas mais de duas décadas desde a mudança para Portugal, a permanência no transporte dá outra dimensão ao período inicial de adaptação e ajuda a mostrar como aqueles primeiros anos foram determinantes para a mudança completa de profissão.
Os aproximadamente cinco anos entre a chegada à Europa e o início no transporte pesado envolveram abandono da antiga carreira, passagem por outro setor, aprendizado para dirigir e cumprimento de etapas necessárias para assumir um veículo de grande porte profissionalmente.
A partir dessa transformação, a estrada deixou de representar apenas o ambiente de trabalho do marido e passou a ocupar também o centro da vida profissional de Patrícia, que encontrou no caminhão uma atividade muito distante daquela exercida antes de deixar o Brasil.
Conhecer diferentes partes da Europa, nesse contexto, nunca significou seguir uma rotina convencional de turismo, porque os deslocamentos permaneceram condicionados às cargas transportadas, aos horários de entrega, às regras de descanso e às necessidades práticas de cada operação.
Enquanto paisagens mudam, fronteiras são atravessadas e cidades conhecidas aparecem ao longo do caminho, a cabine continua sendo o centro da jornada, reunindo pertences, alimentação, descanso e boa parte da convivência do casal durante o trabalho internacional.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

