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Memes viram negócio milionário: Aos 25 anos, fundador da No Boring Brands transforma memes em negócio de US$ 500 mil ao ensinar empresas B2B a falar a linguagem das redes sociais
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 17/08/2026 às 17:30
Atualizado em 17/08/2026 às 17:31
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No Boring Brands fatura US$ 500 mil por ano criando memes e vídeos para empresas B2B e cresceu 400% entre 2024 e 2025.
Uma agência fundada em 2023 encontrou nos memes uma forma de transformar produtos corporativos difíceis de explicar em conteúdo capaz de circular nas redes sociais. A No Boring Brands, criada pelo norte-americano Aidan Branning, de 25 anos, alcançou faturamento anual de US$ 500 mil — cerca de R$ 2,5 milhões — e cresceu 400% entre 2024 e 2025 sem receber capital de investidores.
Com cinco funcionários, a empresa atende mensalmente entre 10 e 15 clientes e produz de 50 a 60 peças por semana. Segundo matéria publicada em agosto de 2026 pela Revista PEGN, o foco está principalmente em companhias que vendem software para outras empresas, um mercado normalmente associado a comunicações técnicas e institucionais, mas que Branning acredita poder conquistar audiência com situações reconhecíveis e humor.
No Boring Brands transforma problemas corporativos em situações reconhecíveis
A proposta da No Boring Brands não é simplesmente publicar piadas no perfil de uma empresa. Em entrevista à Inc., Branning explicou que o humor serve para tornar perceptíveis problemas enfrentados pelo público e, a partir deles, facilitar o entendimento sobre aquilo que determinado produto resolve.
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Essa lógica leva a agência a trabalhar especialmente com setores nos quais certas frustrações são compartilhadas por milhares de profissionais. Vendas, marketing, recursos humanos, design, contabilidade e finanças aparecem entre os segmentos atendidos porque oferecem situações cotidianas que podem ser transformadas em histórias curtas.
O processo criativo segue caminhos diferentes de acordo com a dor que cada público reconhece:
- equipes comerciais podem virar personagens em cenas sobre dificuldades comuns de vendedores;
- profissionais de marketing podem ser retratados em situações ligadas a metas, ferramentas e cobranças;
- funcionários de RH podem aparecer em conteúdos construídos sobre problemas recorrentes da rotina corporativa;
- softwares entram na narrativa somente depois que a situação já desperta identificação.
Essa construção evita que o conteúdo comece com uma explicação direta do produto. Primeiro vem o comportamento ou o problema; só depois a marca encontra espaço dentro da conversa.
Vídeos com aparência amadora ajudaram cliente a multiplicar audiência
Um dos exemplos apresentados pela agência envolve a Apollo, empresa de inteligência voltada para vendas. Antes da parceria, os canais da companhia no Instagram e no TikTok estavam com baixo crescimento, segundo Katie Parkes, diretora de comunidade da empresa.
A No Boring Brands passou a produzir vídeos em que profissionais de vendas apareciam como personagens de situações encenadas. Embora houvesse roteiro, as gravações eram feitas pelo celular e preservavam um aspecto próximo ao conteúdo espontâneo encontrado diariamente nas plataformas.
A escolha estética foi proposital. Em vez de reproduzir a aparência de uma campanha publicitária tradicional, a agência buscou aproximar o material do formato que o usuário encontra enquanto percorre o feed.
De acordo com Parkes, os resultados incluíram aumento de 400% nas visualizações e avanço de 339% no engajamento. Em seis meses, os conteúdos acumularam mais de 600 mil visualizações orgânicas e, segundo a executiva, também contribuíram para levar novos usuários à Apollo.
Memes não funcionam como um quadro semanal, diz fundador
Para Branning, o erro de muitas empresas está em tratar o humor como um elemento isolado da estratégia. Publicar um meme em determinado dia da semana ou reservar uma sexta-feira para um post descontraído não significa que a marca tenha aprendido a se comunicar de maneira adequada naquele ambiente.
Cada cliente recebe um tom próprio. Isso obriga a equipe da No Boring Brands a entender como um setor fala, quais referências fazem sentido e até que ponto uma piada pode ser utilizada sem comprometer a credibilidade da empresa.
Branning também rejeita a ideia de que tornar uma comunicação divertida significa transformar o negócio em motivo de chacota. À Inc., ele afirmou que a função do humor é criar compreensão e familiaridade com as principais dores vividas pela audiência.
Carreira de Aidan Branning mudou depois de um processo seletivo com memes
A especialização surgiu de experiências profissionais bastante diferentes. Branning começou com um estágio em marketing em uma companhia de Baltimore, nos Estados Unidos, mas considerou o ambiente excessivamente corporativo e tradicional.
O contato seguinte com outra forma de comunicação aconteceu na Impact Snacks, fabricante de barras proteicas veganas. Durante o próprio processo seletivo, recebeu uma tarefa incomum: criar memes fazendo piada com a empresa.
Mais tarde, na The Marketing Millennials, ele aprofundou a habilidade que acabaria levando para o próprio negócio. Branning contou que precisou aprender a produzir humor destinado inclusive a gerações diferentes da sua, desenvolvendo a capacidade de observar referências, comportamentos e situações pela perspectiva de outras pessoas.
Nesse período, sua presença no LinkedIn também cresceu. A audiência construída na plataforma serviu posteriormente como ponto de partida para conquistar os primeiros contratos da agência.
Crescimento veio sem investimento externo
A No Boring Brands nasceu em 2023 e avançou sem rodadas de financiamento. O crescimento de 400% registrado de 2024 para 2025 permitiu transformar uma estratégia pouco convencional em um negócio com receita anual de meio milhão de dólares.
O resultado chama atenção porque a agência atua justamente em uma área na qual muitas empresas ainda tentam reproduzir nas redes sociais a mesma comunicação usada em apresentações comerciais e materiais institucionais.
Ao apostar em personagens, cenas cotidianas e memes, Branning construiu um modelo no qual a venda não necessariamente aparece primeiro. O objetivo é fazer a audiência reconhecer uma situação, compartilhar o conteúdo e, apenas então, perceber que existe uma empresa interessada em resolver aquele problema.
Fonte
Revista PEGN
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

