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Morador de rua constrói casa completa no alto de árvore e coloca cozinha, sofá, varanda e até chuveiro dentro do abrigo improvisado que criou para escapar das noites ao relento em área de mata na Nova Zelândia durante um ano
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 18/08/2026 às 11:20
Construção
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O morador conhecido como Shayne levou aproximadamente um ano para construir uma casa na árvore em uma área de mata de Whangārei, na Nova Zelândia. O abrigo improvisado ganhou cozinha, sofá, varanda, fogão a lenha, chuveiro, varal e um quarto organizado dentro de uma barraca doada.
Grande parte dos objetos e materiais havia sido descartada antes de receber uma nova função. Embora a estrutura revele criatividade e esforço, ela permanece exposta à umidade, ao vento e às incertezas de uma ocupação sem garantia de permanência, sem substituir uma moradia convencional e tecnicamente segura.
Morador levou cerca de um ano para erguer a casa na árvore
Segundo o Diário do Litoral, Shayne construiu o abrigo improvisado ao longo de aproximadamente 12 meses. A casa na árvore fica escondida em uma área de vegetação e no alto de uma encosta íngreme nos arredores de Whangārei.
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O projeto avançou com materiais encontrados, objetos doados e soluções desenvolvidas pelo próprio morador. O período de um ano mostra uma montagem progressiva, na qual cada novo item ampliou o uso interno do espaço. A construção surgiu como resposta individual às noites sem abrigo, mas continua inserida em uma situação de vulnerabilidade habitacional.
Caminho até o abrigo atravessa uma encosta íngreme e lamacenta
O acesso começa por uma trilha cercada de vegetação e segue por um terreno inclinado. Em parte do percurso, há uma corda usada como apoio durante a subida. Próximo à entrada, uma prancha atravessa um trecho da encosta e conduz à estrutura instalada entre as árvores.
A dificuldade do caminho ajuda a manter o local afastado da circulação cotidiana da cidade, mas também torna mais complicado transportar água, alimentos e materiais. O isolamento que aumenta a sensação de privacidade impõe obstáculos diários para chegar, sair ou levar qualquer objeto até a casa na árvore.
Chapas metálicas, lona e bambu formaram o abrigo improvisado
A construção reúne chapas metálicas, lona, bambu, cordas, madeira e outros componentes reaproveitados. Shayne afirmou que parte da base se apoia sobre duas árvores pūriri caídas e que vigas estruturais e uma peça de aço também foram incorporadas ao conjunto.
Esses elementos produziram a aparência de uma casa suspensa sobre a vegetação, mas não transformaram o local em residência convencional. O abrigo improvisado não deve ser confundido com uma obra submetida aos mesmos controles de uma construção regular. A aparência de casa completa convive com limitações estruturais e ambientais que permanecem visíveis.
Sistema de transporte ajudou a levar objetos pela encosta
Um dos maiores desafios foi mover itens pesados até o alto do terreno. Shayne criou um mecanismo de transporte para suspender objetos e conduzi-los pela encosta, evitando que fossem simplesmente arrastados pela vegetação. O recurso foi usado para levar parte do mobiliário encontrado até o abrigo.
O sistema explica como peças volumosas alcançaram um local de acesso tão difícil, mas sua presença não elimina os riscos associados ao terreno. A solução permitiu aproveitar móveis descartados sem transformar a encosta íngreme em um percurso simples ou seguro.
Sofá de couro e piso laminado mudaram o interior da construção
Um grande sofá de couro ocupa parte da área interna e teria sido retirado do descarte antes de chegar à mata. O piso recebeu revestimento laminado, criando uma superfície diferente do terreno ao redor e aproximando visualmente o espaço de uma sala doméstica.
O mobiliário não foi escolhido apenas pela utilidade. Shayne demonstrou preocupação com a aparência do ambiente e procurou organizar os elementos para criar uma sensação de acolhimento. O sofá e o revestimento deram identidade ao interior, embora não eliminassem a precariedade da estrutura.
Cozinha reúne bancada, armários e utensílios reaproveitados
A área usada como cozinha possui bancada e armários para guardar alimentos, café e outros mantimentos. Uma chaleira de ferro fundido aparece sobre um pequeno fogão a gás, enquanto o abrigo também conta com um fogão a lenha e uma pilha de madeira organizada nas proximidades.
A divisão do espaço em funções diferentes permitiu separar preparo de alimentos, descanso e armazenamento. Mesmo assim, a cozinha permanece dentro de uma construção exposta às condições da mata. Os utensílios ampliaram a autonomia cotidiana de Shayne, mas não oferecem as garantias de uma instalação residencial regular.
Varanda, chuveiro e varal ampliaram as funções do espaço
Uma pequena varanda cercada pela vegetação foi montada com corrimão de bambu. Shayne também improvisou um chuveiro e instalou um varal para secar roupas, incorporando ao abrigo atividades que normalmente exigiriam ambientes separados em uma residência convencional.
Esses recursos mostram a tentativa de organizar higiene, roupas e momentos de permanência em uma área limitada. A água, porém, precisa ser levada pela encosta junto com os demais suprimentos. Cada comodidade acrescentada à casa na árvore também cria uma nova demanda de abastecimento e manutenção.
Quarto funciona dentro de uma barraca recebida como doação
O espaço reservado para dormir fica dentro de uma barraca doada por uma mulher. A solução cria uma camada adicional de proteção dentro da própria construção e delimita o quarto em relação aos outros ambientes organizados por Shayne.
A barraca não impede completamente a entrada de umidade ou vento, problemas que continuam presentes no alto da encosta. O quarto oferece separação e algum resguardo, mas permanece vulnerável às mudanças do tempo e às limitações do abrigo improvisado.
Peça de mosaico encontrada no descarte virou parte da decoração
Entre os objetos reaproveitados estava o mostrador de um antigo relógio de mosaico descartado por um centro comunitário. Em vez de abandonar a peça, Shayne a incorporou ao piso e transformou um resíduo em elemento visual da casa na árvore.
O morador também produz trabalhos artísticos com madeira e outros materiais recolhidos. Revistas de arquitetura e decoração encontradas dentro do espaço indicavam interesse por ambientes planejados e referências estéticas. A decoração não surgiu como detalhe secundário, mas como parte da tentativa de construir um lugar reconhecido por ele como lar.
Mudanças na visão aumentaram a importância atribuída à beleza
Shayne relatou que sua capacidade de enxergar estava piorando e que temia perder progressivamente a percepção visual. Esse contexto influenciou a decisão de criar um ambiente que considerasse bonito enquanto ainda podia observar formas, cores, objetos e a vegetação ao redor.
A preocupação ajuda a explicar a presença do mosaico, das revistas e das peças artísticas, elementos que ultrapassam a função prática de abrigo. Para Shayne, organizar algo visualmente significativo tornou-se uma forma de preservar lembranças diante da incerteza sobre a própria visão.
Antes de viver na mata, Shayne passou por uma moradia social. Ele afirmou ter deixado o local depois do furto de ferramentas e de dificuldades de convivência. A experiência fez com que passasse a considerar a área isolada mais segura para sua rotina.
Essa percepção pessoal não torna a casa na árvore uma solução habitacional adequada para outras pessoas em situação de rua. Ela mostra, porém, que oferecer uma unidade física pode não encerrar problemas ligados à segurança, convivência e permanência. Shayne escolheu o isolamento porque associou a moradia anterior à perda de bens e à insegurança.
Manutenção exige levar água e alimentos e retirar os resíduos
A rotina no alto da encosta inclui transportar água, alimentos e outros itens necessários ao cotidiano. Shayne também afirmou recolher e retirar os próprios resíduos da mata, uma tarefa dificultada pelo mesmo percurso usado para chegar à construção.
Vento, chuva e umidade exigem atenção contínua ao abrigo improvisado e aos objetos guardados em seu interior. A casa na árvore não funciona como estrutura pronta depois do primeiro ano de trabalho. A permanência depende de esforço diário para abastecer, limpar e conservar um espaço exposto ao ambiente.
Autoridades podem determinar a saída da área ocupada
Shayne acredita que as autoridades saibam da existência da construção e reconhece a possibilidade de receber uma ordem para deixar o local. A incerteza significa que o tempo dedicado ao projeto não assegura o direito de permanecer na área nem protege a estrutura contra uma eventual retirada.
O risco de deslocamento adiciona outra camada à situação de moradia. Mesmo depois de organizar diferentes ambientes, o morador não possui estabilidade comparável à de uma residência regular. Um ano de trabalho criou um espaço utilizável, mas não garantiu segurança jurídica ou permanência.
Trajetória anterior incluiu trabalho na pesca e dependência química
Shayne contou que trabalhou como pescador e chegou a obter uma renda elevada, mas perdeu os recursos acumulados. Também relatou um histórico de dependência química iniciado na juventude e afirmou estar afastado do consumo havia alguns anos quando apresentou sua casa.
O período prolongado de vulnerabilidade afetou diferentes áreas da vida, inclusive o acesso a cuidados de saúde. Depois de aproximadamente duas décadas com problemas dentários, ele recebeu próteses pelo sistema público. A construção na mata representa apenas um capítulo de uma trajetória marcada por trabalho, perdas, recuperação e necessidades de atendimento.
Família vive perto, mas não conhecia detalhadamente o abrigo
Os familiares de Shayne moravam relativamente perto, embora não conhecessem em detalhes a forma como ele estava vivendo. Ao ser questionado sobre uma possível visita, o morador demonstrou vontade de recebê-los na casa na árvore construída durante um ano.
O desejo de apresentar o espaço revela que o abrigo também carrega uma dimensão afetiva e de reconhecimento. Ainda assim, a proximidade geográfica da família não resolveu sua situação de moradia. O vínculo familiar existia, mas permanecia separado das condições concretas enfrentadas na encosta.
Whangārei já registrava crescimento da população sem moradia
Dados históricos publicados pela RNZ apontaram que a população sem moradia identificada em Whangārei passou de 21 pessoas em 2018 para 293 em 2020. O levantamento também registrou pessoas vivendo em veículos, perto de pontes e em outras estruturas precárias.
Os números são anteriores à construção apresentada por Shayne e não representam uma contagem atual, mas ajudam a situar um problema que já atingia a região. A casa na árvore chama atenção pela aparência incomum, enquanto sua origem está ligada a uma crise habitacional mais ampla.
Casa na árvore expõe criatividade sem resolver a falta de moradia
Assista o vídeo
Durante um ano, Shayne reaproveitou materiais e reuniu sofá, cozinha, varanda, chuveiro, varal, arte e uma barraca usada como quarto. O resultado expressa capacidade de adaptação, mas permanece sujeito ao clima, à dificuldade de acesso, à ausência de inspeção e à possibilidade de retirada.
O abrigo improvisado oferece ao morador uma sensação de proteção que ele não encontrou anteriormente, sem deixar de revelar a fragilidade de sua situação.
Na sua opinião, qual resposta deveria receber prioridade em casos semelhantes: moradia permanente, acompanhamento social, segurança nos alojamentos, atendimento de saúde ou apoio para reconstrução da renda? Conte nos comentários qual frente faria maior diferença.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

