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Italiano de 16 anos sai de Elmas, na Itália, percorre 10 mil km e chega ao interior de São Paulo para estudar, morar com família brasileira e viver experiência inédita
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 18/08/2026 às 11:18
Atualizado em 18/08/2026 às 11:19
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Lorenzo Picciau deixou a Itália aos 16 anos, viajou mais de 10 mil quilômetros e passou a estudar em Itapetininga durante projeto piloto que recebeu 31 estudantes estrangeiros em escolas públicas do interior paulista
Aos 16 anos, o italiano Lorenzo Picciau deixou Elmas, na Itália, e percorreu mais de 10 mil quilômetros para participar de um intercâmbio em Itapetininga, no interior paulista. A experiência integra o projeto piloto Conexão SP, que recebeu 31 estudantes estrangeiros e teve os custos da vinda do jovem pagos pelo Governo de São Paulo.
Lorenzo chegou ao Brasil em 20 de julho. Durante o período no país, o adolescente frequenta a escola, convive com famílias brasileiras, conhece cidades da região e experimenta uma rotina que considera bastante diferente daquela que tinha na Itália.
O estudante conheceu o programa por meio de um anúncio no aplicativo da escola onde estuda. Como já desejava estudar fora e conhecer outro país, decidiu preencher o formulário de inscrição.
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“Eu apenas enviei um documento tentando ser aceito. Eu vi e achei que seria uma boa ideia tentar. Eu fui aceito e, assim, foram feitos os procedimentos para vir pra cá”, contou ao g1.
Intercâmbio em Itapetininga coloca italiano na rotina de uma família brasileira
Nos primeiros 15 dias no Brasil, Lorenzo ficou hospedado com uma família. Depois, passou a morar com Solange Nunes, que se inscreveu voluntariamente para receber um estudante estrangeiro em casa.
Solange trabalha na Diretoria de Ensino de Itapetininga e conheceu o projeto por causa de sua atividade profissional.
Segundo ela, a possibilidade de apresentar a cidade e a rotina brasileira a um jovem estrangeiro motivou a inscrição.
Inicialmente, Solange acreditava que poderia receber um estudante canadense. A definição mudou quando descobriu que Lorenzo, um italiano, seria o jovem hospedado por sua família.
Antes da chegada, o adolescente enviou uma carta de apresentação. Solange também participou de uma videochamada com os pais do estudante para conversar sobre a hospedagem.
Segundo ela, os responsáveis ficaram mais tranquilos ao conhecer a família brasileira e receber informações sobre como seria a permanência de Lorenzo no município.
A chegada à casa de Solange teve até uma surpresa. Familiares e amigos receberam o italiano usando máscaras moldadas a partir do rosto dele, além de faixas da Itália e uma bandeira brasileira na entrada.
A comunicação é um dos desafios da experiência. Como os idiomas são diferentes, Solange afirma que a família utiliza tradutores on-line com frequência para conversar com Lorenzo.
Jovem italiano diz que Itapetininga é maior, mais calorosa e diferente de sua cidade italiana
Para Lorenzo, uma das primeiras diferenças percebidas está no tamanho e no comportamento das pessoas. Ele vive em Elmas, apresentada no material como uma cidade de apenas 9,5 mil habitantes.
“Itapetininga é bem diferente em comparação com a cidade que eu vivo. Ela é muito maior e ‘cheia de coisas’, apesar de ser bem menor que São Paulo”, afirmou.
O adolescente também destacou o comportamento dos moradores, principalmente de outros jovens. Segundo Lorenzo, colegas de sua idade demonstram curiosidade, fazem perguntas e procuram conversar com ele.
“Acredito que o que mais muda é a forma como as pessoas se comportam. Até os jovens da minha idade são muito calorosos e ficaram muito animados em conversar comigo”, relatou.
O objetivo, segundo Lorenzo, não é fazer atividades extraordinárias diariamente. Ele considera que experimentar tarefas comuns já permite conhecer diferenças entre a vida brasileira e aquela que levava na Itália.
Sua rotina inclui acordar, se arrumar, tomar café da manhã e ir à escola. Para ele, justamente essas situações cotidianas ajudam a entender a cultura local.
A barreira linguística permanece como a principal dificuldade. Lorenzo afirma que, nas salas, costuma encontrar pelo menos um aluno capaz de falar inglês e ajudá-lo quando não compreende alguma explicação.
Os professores também escrevem na lousa os conteúdos trabalhados. Dessa maneira, ele consegue acompanhar parte das aulas mesmo sem dominar o português.
Experiência inclui escola, cidades paulistas e até diferenças na culinária
Além da rotina escolar, Lorenzo visitou locais da região durante sua permanência. Entre eles estão a biblioteca japonesa de São Miguel Arcanjo e os conhecidos “itens gigantes” de Itu.
Em uma das visitas, levou para casa uma nota de dinheiro gigante, lembrança que virou brincadeira com Solange. Também apareceu usando uma camiseta do São Paulo, enquanto a anfitriã torce para o Corinthians.
A culinária brasileira foi outro ponto observado pelo estudante. Lorenzo afirmou ter gostado da comida tradicional e citou o bolinho de frango entre as experiências positivas.
A avaliação mudou quando o assunto foi comida italiana preparada no Brasil. Segundo o adolescente, os ingredientes e a forma de preparo são diferentes daqueles aos quais está acostumado.
Ele disse não ter gostado principalmente da textura e da quantidade de ingredientes utilizados nas massas.
Para Lorenzo, porém, a experiência vai além das diferenças gastronômicas ou escolares. O italiano afirma que a convivência em outra comunidade também influenciou sua maneira de se relacionar com outras pessoas.
Ele se descreve como tímido e diz que a temporada brasileira o ajudou a ficar mais aberto socialmente.
“Todas as pessoas que conheci, os lugares que estou visitando. Sou uma pessoa tímida, mas essa experiência fez eu me sentir mais aberto com as pessoas”, afirmou.
Conexão SP recebeu 31 estrangeiros e já prevê nova edição em 2027
A viagem de Lorenzo faz parte do Conexão SP, projeto da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Segundo a idealizadora da iniciativa na Seduc, Lidiane Cirilo, a edição atual funciona como projeto piloto.
A proposta começou a ser desenvolvida a partir de contatos com parceiros internacionais para trazer estudantes estrangeiros ao estado.
Por ser uma edição experimental, as famílias que recebem os adolescentes participam voluntariamente. Durante a seleção, representantes das diretorias de ensino visitam as residências para verificar se atendem às exigências da secretaria.
Ao todo, 31 estudantes participam dessa primeira edição em diferentes escolas paulistas. O grupo inclui irlandeses, canadenses, italianos e neozelandeses que estão no estado desde 17 de julho.
Segundo Lidiane, o objetivo também é complementar as ações de mobilidade estudantil realizadas com alunos paulistas, promovendo a presença de estudantes de outras culturas nas comunidades locais.
Apesar de ainda ser piloto, a iniciativa já tem uma nova edição prevista para 2027. A intenção apresentada pela dirigente é ampliar ligeiramente o período de permanência.
O planejamento mencionado prevê receber os estudantes entre 17 de julho e 25 de agosto de 2027, aproveitando as férias de verão desses jovens e permitindo a adaptação antes do início do segundo semestre escolar paulista.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do g1 e nos dados e declarações atribuídos à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo presentes no material fornecido, com números, datas e relatos preservados conforme o conteúdo consultado.
Fonte
https://g1.globo.com/goog
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

