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Brasileira deixa os dois filhos no Brasil para tentar a vida em Londres, passa a trabalhar como motogirl e enfrenta jornadas de até 14 horas por dia sobre uma moto para pagar aluguel, alimentação e outras despesas no Reino Unido enquanto envia dinheiro para sustentar a família a milhares de quilômetros de distância
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 18/08/2026 às 15:48
Atualizado em 18/08/2026 às 15:49
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A rotina de Sheyla mostra como brasileiras encontraram espaço no mercado de entregas de Londres, atividade marcada por longas horas sobre a moto, despesas próprias e exposição permanente ao trânsito
O trabalho por aplicativo transformou as ruas de Londres em fonte de renda para milhares de motociclistas e ciclistas. Entre eles estão brasileiras como Sheyla, entregadora acompanhada pelo Profissão Repórter, que chega a permanecer até 14 horas por dia sobre uma motocicleta realizando entregas na capital britânica.
A jornada extensa tem uma razão financeira concreta. Ela precisa retirar do próprio faturamento recursos para cobrir despesas da vida na Inglaterra e ainda enviar dinheiro aos dois filhos que permanecem no Brasil, fazendo com que o resultado obtido nas plataformas tenha de atender compromissos em dois países.
Segundo informações apresentadas pelo Globoplay, Sheyla trabalha como motogirl pelas ruas de Londres e depende dessa atividade para formar sua renda. O caso ajuda a mostrar como funciona uma parcela do chamado trabalho sob demanda, no qual o veículo, o combustível e boa parte dos custos operacionais ficam diretamente ligados ao trabalhador.
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A brasileira não representa um caso isolado. Outras mulheres do país encontraram no delivery uma alternativa de trabalho no Reino Unido e criaram até uma rede própria para trocar informações sobre a profissão.
Trabalhar 14 horas significa administrar faturamento e custos durante praticamente todo o dia
Para quem observa apenas a quantidade de entregas concluídas, o dinheiro recebido pelas plataformas pode parecer equivalente à renda final do trabalhador. Na prática, a conta é mais complexa.
No caso de uma motociclista, combustível, manutenção, pneus, seguro e despesas relacionadas ao veículo podem consumir parte do valor obtido durante o expediente. Moradia e alimentação em Londres são outros compromissos que precisam ser pagos antes de calcular quanto efetivamente sobra.
Sheyla trabalha dentro dessa realidade. Ao mesmo tempo em que precisa manter sua estrutura na Inglaterra, parte do dinheiro é destinada aos filhos que vivem no Brasil.
O governo britânico possui regras específicas para despesas profissionais de trabalhadores por conta própria, inclusive custos relacionados ao uso de veículos. Isso ajuda a mostrar que a motocicleta utilizada no delivery deve ser vista como equipamento de trabalho, e não simplesmente como meio particular de transporte.
A motocicleta funciona como ferramenta de trabalho e determina quanto tempo o entregador permanece nas ruas
Uma jornada de até 14 horas muda completamente a relação do trabalhador com o veículo. Durante grande parte do dia, praticamente toda a atividade profissional de Sheyla acontece sobre a moto ou nos intervalos entre uma coleta e outra.
Quanto maior o período disponível para receber serviços, maior pode ser a possibilidade de realizar novas entregas. O outro lado dessa dinâmica é o aumento do desgaste da motocicleta, do consumo de combustível e do número de horas enfrentando o trânsito.
Esse modelo ajuda a explicar por que analisar somente o faturamento bruto de um entregador oferece uma visão incompleta da profissão. O resultado financeiro depende também do custo para continuar rodando e da quantidade de horas necessárias para alcançar determinado valor.
A rotina registrada pela televisão permite observar esse funcionamento de maneira concreta. Sheyla passa boa parte do dia circulando por Londres enquanto tenta produzir renda suficiente para equilibrar as próprias despesas e as responsabilidades financeiras mantidas no Brasil.
Mais de 500 brasileiras formaram uma rede ligada ao trabalho com delivery no Reino Unido
A presença de mulheres brasileiras nesse setor ganhou escala suficiente para gerar uma comunidade própria. A Rede Globo informou que Natasha Mendes, paranaense que trabalha com delivery em Londres há vários anos, criou em 2020 a página Motogirls UK.
A iniciativa deu origem a um grupo privado que reúne mais de 500 brasileiras. Nesse espaço, trabalhadoras compartilham experiências e informações relacionadas ao cotidiano das entregas no Reino Unido.
A rede tem utilidade profissional porque começar no setor exige muito mais do que saber pilotar. É necessário entender o trânsito britânico, documentação, funcionamento dos aplicativos, regiões de atendimento e despesas ligadas ao veículo.
Para brasileiras recém-chegadas, conversar com profissionais que já conhecem esse mercado pode reduzir erros no início da atividade. A dimensão do grupo também mostra que mulheres do Brasil já formam uma comunidade identificável dentro desse segmento de trabalho.
Longas jornadas aumentam também a exposição dos entregadores aos riscos do trânsito londrino
Ficar mais horas disponível para entregas pode aumentar o volume de serviços, mas também significa passar mais tempo circulando entre carros, ônibus, ciclistas e outros motociclistas.
Dados publicados pela Transport for London mostram por que o tema ganhou atenção das autoridades. Motociclistas representam uma parcela relativamente pequena da circulação viária da cidade, mas aparecem de forma desproporcional entre vítimas de acidentes graves.
A própria Transport for London passou a trabalhar com empresas do setor de delivery em ações voltadas à segurança dos profissionais. Plataformas como Uber Eats, Deliveroo e Just Eat participaram de iniciativas destinadas a reduzir riscos enfrentados por motociclistas e outros entregadores.
No caso de trabalhadores com jornadas muito extensas, existe ainda um fator adicional. Passar 10, 12 ou 14 horas em atividade significa acumular muitas horas de exposição ao trânsito durante uma mesma jornada de trabalho.
História de Sheyla mostra a realidade prática por trás do crescimento do delivery entre brasileiros em Londres
O Profissão Repórter levou as câmeras para as ruas justamente para mostrar profissionais que dependem economicamente de veículos de duas rodas. Em Londres, a equipe encontrou uma comunidade brasileira que utiliza o delivery como fonte de renda.
Sheyla aparece dentro desse contexto. Sua história pessoal chama atenção pela distância dos filhos, mas o cotidiano registrado pela reportagem também permite enxergar questões profissionais que vão além de um único caso, como jornadas extensas, custos operacionais, trabalho por aplicativo e segurança no trânsito.
A necessidade de enviar recursos ao Brasil aumenta a pressão sobre o orçamento da entregadora. Depois de pagar os gastos ligados ao trabalho e à própria permanência em Londres, parte do resultado precisa atravessar o Atlântico.
Por isso, comparar diretamente o faturamento de um entregador londrino com um salário pago no Brasil pode levar a conclusões equivocadas. A atividade é remunerada no Reino Unido, mas diversas despesas também são cobradas em libras e precisam ser descontadas antes que o trabalhador saiba qual foi sua renda efetiva.
A experiência de Sheyla funciona como uma amostra de um mercado no qual brasileiras já criaram redes próprias de apoio e passam horas diariamente sobre motocicletas para transformar entregas em renda. O caso reúne elementos de trabalho por aplicativo, imigração profissional, custos operacionais e segurança viária, além da responsabilidade pessoal de manter uma família em outro país.
A rotina de até 14 horas mostrada pela reportagem chama atenção para as condições enfrentadas por quem depende financeiramente das entregas. Você trabalharia tantas horas sobre uma motocicleta para conseguir formar renda em outro país? Deixe sua opinião nos comentários e conte como você enxerga as condições de trabalho dos entregadores por aplicativo.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

