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Casal de Cuiabá deixou para trás bar e lanchonete, mudou-se para os Estados Unidos para ajudar as duas filhas a realizarem o sonho de cursar Medicina, virou caminhoneiro e passou a cruzar o país por até dois meses seguidos em um Freightliner equipado como quitinete, ganhando cerca de US$ 2,5 mil por semana enquanto trabalha na estrada
Escrito por Carla Teles
Publicado em 19/08/2026 às 15:43
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Na rotina de caminhoneiro, Ana Martha e Guilherme Arruda cruzam os Estados Unidos em dupla, permanecem até dois meses na estrada, recebem novas cargas por despachador e utilizam um Freightliner Cascadia com camas, geladeira e equipamentos de cozinha, enquanto mantêm Orlando como base entre períodos prolongados de trabalho rodoviário profissional.
O trabalho de caminhoneiro passou a ser a principal atividade profissional de Ana Martha Arruda e Guilherme Arruda nos Estados Unidos, onde o casal opera em dupla, permanece cerca de dois meses seguidos na estrada e atravessa diferentes regiões do país transportando cargas. Na entrevista de 2023, eles descreviam uma rotina organizada em torno de um Freightliner Cascadia equipado para viagens prolongadas e de novas cargas direcionadas por um despachador.
As informações foram publicadas pelo MidiaNews em 17 de dezembro de 2023. A reportagem registra a operação naquele momento e não permite afirmar que remuneração, equipamento ou rotina permanecem idênticos em 2026. Ana e Guilherme são de Cuiabá, administraram negócios de alimentação antes de entrar no transporte e citaram a formação das filhas entre as razões econômicas que influenciaram a mudança para os Estados Unidos.
Casal passou de negócios em Cuiabá ao transporte rodoviário americano
Antes de trabalhar nas estradas, Ana e Guilherme estiveram ligados ao Bar do Jarbas e ao Jacaré Lanches, em Cuiabá. A mudança profissional ocorreu depois da ida para os Estados Unidos, em 2019, quando passaram por outras atividades antes de chegar efetivamente ao transporte de cargas.
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Guilherme tinha interesse anterior pela profissão e foi o primeiro dos dois a entrar no setor. A trajetória representa uma mudança de atividade econômica: de pequenos negócios no ramo de alimentação para uma operação profissional de transporte rodoviário de longa distância.
Guilherme entrou primeiro no caminhão e Ana trabalhava com entregas
Segundo o relato publicado pelo MidiaNews, Guilherme obteve sua habilitação para caminhão em 2022 e começou a trabalhar para a empresa à qual o casal estava vinculado naquela época. Ana, inicialmente, permaneceu em Orlando e fazia entregas para a Amazon.
A dinâmica mudou quando ela passou a acompanhar Guilherme em algumas viagens. Posteriormente, decidiu também obter habilitação para que os dois formassem uma equipe. A partir daí, o casal deixou de depender de um único motorista e passou a organizar as viagens com revezamento dentro do mesmo caminhão.
Habilitação teria levado cerca de 30 dias e custado US$ 4 mil naquele processo
Ana relatou em 2023 que, no processo realizado por Guilherme, a obtenção da carteira para caminhão levou aproximadamente 30 dias, considerando autoescola e prova prática, e teve custo próximo de US$ 4 mil.
Esses números correspondem exclusivamente à experiência descrita por ela naquele período. Não representam prazo, preço ou exigência universal para obter habilitação profissional nos Estados Unidos, já que custos e procedimentos podem variar conforme estado, escola, categoria e regras aplicáveis.
Trabalho em dupla aumenta o tempo de utilização do Freightliner
Depois de obter sua habilitação, Ana passou a trabalhar junto com Guilherme. No modelo descrito por ela, os dois se revezavam entre direção e descanso, permitindo que o Freightliner permanecesse em operação durante uma parcela maior das viagens.
Isso não significa que um único caminhoneiro permaneça 24 horas dirigindo. O ponto operacional está justamente no revezamento: enquanto um profissional assume uma etapa da condução, o outro pode cumprir seu período de repouso, ampliando a utilização do veículo sem confundir tempo de operação do caminhão com tempo individual ao volante.
Casal chega a permanecer cerca de dois meses seguidos na estrada
A dimensão das viagens aparece no tempo que Ana e Guilherme relatavam passar longe da base. Segundo a entrevista, o casal permanecia em média dois meses viajando, retornava a Orlando por aproximadamente dez dias e depois voltava às rotas.
Houve períodos ainda maiores. A fonte afirma que eles chegaram a permanecer três meses rodando. Essa permanência prolongada é possível porque a operação não depende de retornar à Flórida depois de cada entrega, já que novas cargas podem ser direcionadas enquanto o caminhão está em outra região do país.
Despachador monta sequência de cargas entre diferentes regiões
Ana explicou que um despachador era responsável por direcionar sucessivamente novos fretes. Como exemplo, descreveu uma lógica em que o casal poderia levar uma carga até Nova York e, depois da entrega, receber outra para a Califórnia e posteriormente seguir para Washington.
Essa dinâmica ajuda a entender por que o veículo permanece semanas fora da base. A operação funciona como uma sequência: entrega, nova carga, novo destino e outra coleta, reduzindo deslocamentos vazios de retorno apenas para Orlando e mantendo o caminhão inserido continuamente na malha de fretes.
Freightliner Cascadia funciona como base durante viagens prolongadas
O veículo utilizado pelo casal na época da reportagem era um Freightliner Cascadia que havia sido adquirido por Ana e Guilherme. Como as viagens podiam durar semanas, a cabine precisava atender necessidades muito além da condução.
Segundo Ana, o caminhão possuía duas camas, geladeira, panelas elétricas, air fryer e forno. Ela chegou a descrever o interior como uma “quitinete”. A estrutura mostra como caminhões de longa distância também funcionam como espaço de repouso, alimentação e organização cotidiana para profissionais que passam longos períodos fora da base.
Alimentação é preparada dentro do próprio caminhão
A autonomia da cabine também interfere na organização financeira e operacional das viagens. Ana relatou que preparava diferentes alimentos dentro do Freightliner, usando os equipamentos disponíveis durante as paradas.
Esse tipo de estrutura reduz a dependência exclusiva de restaurantes ao longo do percurso e permite adaptar refeições aos horários das rotas. Em operações que duram várias semanas, geladeira, camas e equipamentos de cozinha deixam de ser apenas itens de conforto e passam a integrar a rotina prática do trabalho.
US$ 2,5 mil por semana era remuneração relatada em 2023
Na entrevista ao MidiaNews, Ana afirmou que caminhoneiros vinculados a empresas, como ela e Guilherme naquele modelo, recebiam aproximadamente US$ 2,5 mil por semana. Ela também estimou cerca de US$ 4 mil semanais para determinados profissionais que atuavam por conta própria.
Os valores precisam ser entendidos como relatos referentes ao contexto de 2023. Não são salário médio oficial dos caminhoneiros americanos em 2026 e não devem ser generalizados para todas as empresas, estados ou tipos de transporte. Contratos, experiência, modalidade de pagamento e condições do mercado podem alterar significativamente a remuneração.
Parte da renda era destinada à formação das filhas
Ana afirmou que um dos motivos econômicos considerados pela família ao mudar para os Estados Unidos era contribuir com a formação universitária das duas filhas. Na época da reportagem, Gabriela cursava Medicina na Unic, enquanto Giovana ainda buscava ingresso no curso.
Esse elemento explica parte da decisão financeira que levou o casal a mudar de atividade, mas não altera o eixo profissional da trajetória. O que sustenta a operação é o trabalho de longa distância, o revezamento dos dois motoristas, a remuneração obtida e a capacidade de permanecer semanas transportando cargas entre diferentes regiões.
Nevasca em Utah mostrou o risco de operar em condições severas
As rotas de longa distância também colocam os motoristas diante de diferentes condições climáticas. Ana contou que Guilherme passou por uma situação de risco durante forte nevasca no estado de Utah enquanto acompanhava outro motorista que estava em treinamento.
Segundo o relato, estradas da região haviam sido fechadas e, durante uma subida, o outro motorista perdeu o controle do veículo. O caminhão acabou sendo contido próximo a uma árvore e precisou de um guincho para ser retirado. O episódio ilustra como neve intensa, fechamento de rodovias e perda de aderência podem interromper a operação e exigir procedimentos de recuperação do veículo.
Longa distância transformou o caminhão em centro da atividade econômica do casal
A trajetória de Ana Martha e Guilherme permanece relevante mesmo sem o componente familiar da mudança. Retirando Medicina, saudade ou qualquer narrativa de realização pessoal, sobra uma operação concreta: dois brasileiros habilitados para caminhões, trabalhando em dupla, permanecendo até dois meses na estrada, utilizando um Freightliner Cascadia preparado para longas viagens e seguindo cargas sucessivas indicadas por despachador.
O caso mostra como o transporte rodoviário de longa distância envolve muito mais do que dirigir: exige organização de descanso, alimentação, cargas, destinos e permanência prolongada dentro do próprio veículo. Você trabalharia em dupla por semanas seguidas na estrada para manter um caminhão operando entre diferentes regiões do país? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

