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Brasil prepara emissão de R$ 3,8 bilhões em Panda Bonds na China enquanto UnionPay planeja integrar aplicativos chineses ao Pix, movimento que aproxima os sistemas financeiros dos dois países e amplia alternativas ao dólar em meio ao aumento das tensões comerciais com os Estados Unidos
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 19/08/2026 às 22:55
Economia
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Brasil planeja emitir 5 bilhões de yuans em Panda Bonds, equivalentes a R$ 3,8 bilhões, enquanto a UnionPay estuda conectar aplicativos chineses ao Pix. As iniciativas aprofundam a aproximação financeira com a China, ampliam operações em moeda chinesa e surgem em um momento de tensão comercial com os Estados Unidos.
O Brasil prepara sua primeira emissão de Panda Bonds, títulos de dívida denominados em yuans negociados no mercado chinês, em uma operação planejada para captar 5 bilhões de yuans, equivalentes a R$ 3,8 bilhões. Paralelamente, a UnionPay planeja conectar aplicativos de pagamentos chineses ao Pix, inicialmente para permitir transações de turistas chineses no país.
As informações foram publicadas pelo Poder360 em 16 de agosto de 2026, em reportagem de Eric Napoli, de Pequim. A publicação relaciona os dois movimentos ao aprofundamento das relações econômicas entre Brasil e China em um período no qual as relações brasileiras com os Estados Unidos enfrentam tensões envolvendo tarifas norte-americanas e a abertura de um processo de reciprocidade pelo governo brasileiro.
Brasil e China avançam na aproximação financeira em meio às tensões com Washington
Brasil e China mantêm uma relação de longa data como membros fundadores dos Brics e participam há anos de discussões voltadas à aproximação do Sul Global e à redução da dependência dos sistemas financeiros norte-americano e europeu.
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O Poder360 avalia que essa aproximação passou a assumir uma dimensão mais concreta no sistema financeiro justamente enquanto as relações com Washington se deterioraram nos meses anteriores à publicação. Entre os movimentos citados estão a emissão planejada de Panda Bonds e o interesse da UnionPay em conectar seu ecossistema de pagamentos ao Pix.
Lula voltou a defender alternativas ao dólar e retomou discussão sobre moeda dos Brics
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia manifestado em diferentes ocasiões o desejo de reduzir a dependência do dólar nas transações internacionais. Segundo o Poder360, no mês anterior à reportagem, Lula retomou inclusive a ideia da criação de uma moeda unificada dos Brics.
A China também busca ampliar o uso internacional de sua própria moeda. Pequim já vinha estabelecendo acordos com países asiáticos para realizar operações em yuans, enquanto o comércio com a Rússia, segundo a publicação, já era feito havia anos quase integralmente em moeda chinesa.
Ministério da Fazenda planeja primeira emissão brasileira de Panda Bonds ainda em 2026
O primeiro movimento concreto destacado pela reportagem é o plano do Ministério da Fazenda de realizar a primeira emissão brasileira de Panda Bonds ainda em 2026. Esses papéis correspondem a títulos de dívida emitidos em yuans no mercado financeiro chinês.
A operação planejada prevê uma captação de 5 bilhões de yuans, montante apresentado pela fonte como equivalente a aproximadamente R$ 3,8 bilhões. Como a emissão ainda estava nos planos do governo na data da publicação, o valor não representava recursos já captados pelo Brasil.
Panda Bonds somaram mais de 160 bilhões de yuans apenas no primeiro semestre
A entrada brasileira nesse mercado ocorreria em meio ao crescimento das emissões denominadas na moeda chinesa. Segundo os dados apresentados pelo Poder360, somente no primeiro semestre de 2026 foram realizadas 60 emissões de Panda Bonds.
Essas operações somaram mais de 160 bilhões de yuans, cerca de R$ 120 bilhões ou US$ 17,8 bilhões. O montante registrado em apenas seis meses já correspondia a 82,5% de todos os Panda Bonds emitidos durante 2024, apontado pela reportagem como um ano recorde para esse tipo de operação.
Emissão brasileira colocaria dívida em yuans diretamente no mercado chinês
A operação planejada pelo Ministério da Fazenda representa uma aproximação direta do Estado brasileiro com o mercado financeiro da China. Em vez de captar recursos por meio de títulos denominados em dólar, a emissão prevista seria realizada em yuans.
O Poder360 interpreta a decisão de entrar no mercado de Panda Bonds como um indicativo de maior alinhamento do Brasil com o sistema financeiro chinês. A reportagem ressalta, porém, que esse tipo de emissão não é exclusividade brasileira e já vinha se tornando mais comum internacionalmente.
UnionPay planeja conectar aplicativos chineses diretamente ao Pix
A segunda frente da aproximação envolve o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Segundo reportagem do jornal chinês South China Morning Post, citada pelo Poder360, a UnionPay planeja integrar aplicativos chineses de pagamento ao Pix.
A UnionPay é apresentada pela fonte como a maior operadora chinesa de bandeira de cartões de pagamento, em posição comparável à ocupada por Visa e Mastercard em seus respectivos mercados. A empresa também é descrita como um serviço estatal.
Turistas chineses poderão escanear códigos Pix usando aplicativos utilizados na China
O projeto prevê, inicialmente, atender turistas chineses durante viagens ao Brasil. A proposta é permitir que pagamentos normalmente realizados por QR Code em aplicativos chineses possam ser feitos por meio da leitura dos códigos do Pix disponíveis nos estabelecimentos brasileiros.
Aplicativos como WeChat e Alipay são citados pela reportagem como exemplos dos meios de pagamento utilizados na China. A integração pretendida permitiria aproximar a experiência de pagamento desses usuários daquela à qual já estão acostumados em seu país.
Projeto piloto prevê pagamentos com UnionPay e aplicativos de bancos chineses
Na etapa piloto descrita pela fonte, usuários do aplicativo da UnionPay e de aplicativos de bancos chineses vinculados ao sistema poderiam escanear o código Pix de um estabelecimento brasileiro.
O valor seria pago a partir da conta bancária utilizada pelo cliente em seu país de origem. A proposta, portanto, busca criar uma ponte entre os aplicativos financeiros utilizados por chineses e a infraestrutura de pagamentos instantâneos disponível no Brasil.
Integração poderá alcançar outras carteiras digitais da rede global da UnionPay
A primeira etapa não necessariamente representaria o limite do projeto. Segundo a reportagem, posteriormente a integração poderá ser estendida a outras carteiras digitais pertencentes à rede global da UnionPay.
Essa eventual expansão ainda aparece como uma possibilidade, e não como uma etapa já concluída. O projeto descrito pela fonte permanecia, em agosto de 2026, associado inicialmente à conexão entre aplicativos chineses e os códigos utilizados pelo Pix no Brasil.
Pix ocupa espaço na disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos
O interesse da China ocorre enquanto o Pix também aparece nas tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos. Segundo a análise apresentada pelo Poder360, Washington questiona o sistema brasileiro em um contexto no qual o Pix permite realizar transações sem utilizar serviços de empresas de cartões como Visa e Mastercard.
A reportagem afirma que o governo brasileiro vinha mantendo posição firme diante das pressões norte-americanas relacionadas ao sistema. Nesse cenário, o interesse chinês em se integrar ao Pix cria uma dinâmica distinta daquela descrita na relação com os Estados Unidos.
China busca integração enquanto empresas norte-americanas enfrentam concorrência do Pix
A estratégia chinesa descrita pela publicação não envolve substituir o Pix, mas buscar compatibilidade com a infraestrutura brasileira. A UnionPay pretende permitir que usuários de seu sistema e de aplicativos associados possam utilizar os códigos já presentes no mercado brasileiro.
O Poder360 contrasta essa postura com o embate envolvendo empresas norte-americanas de pagamentos. Essa comparação é apresentada pela publicação no contexto das tensões comerciais mais amplas entre Brasília e Washington e da aproximação econômica entre Brasil e Pequim.
Panda Bonds e Pix avançam por frentes diferentes da relação financeira entre os países
Os Panda Bonds e a possível integração da UnionPay ao Pix representam movimentos diferentes. A primeira iniciativa envolve a captação planejada de recursos pelo Brasil diretamente no mercado chinês, enquanto a segunda trata da infraestrutura utilizada por consumidores para fazer pagamentos.
As duas frentes, entretanto, aproximam os sistemas financeiros brasileiro e chinês. A emissão prevista utiliza o yuan como moeda da operação, enquanto o projeto da UnionPay pretende conectar ferramentas chinesas ao sistema de pagamentos instantâneos criado no Brasil.
Brasil ainda planeja captar R$ 3,8 bilhões enquanto integração da UnionPay permanece em projeto
Até a publicação da reportagem, a emissão brasileira de 5 bilhões de yuans, equivalentes a R$ 3,8 bilhões, estava planejada para ocorrer ainda em 2026. A operação seria a primeira emissão brasileira de Panda Bonds.
A conexão entre UnionPay e Pix também permanecia em fase de projeto, com uma etapa piloto voltada inicialmente a usuários chineses no Brasil e possibilidade de expansão posterior para outras carteiras da rede global da companhia.
Na sua opinião, a aproximação financeira com a China por meio de Panda Bonds e da integração com o Pix pode ampliar as alternativas internacionais do Brasil diante da dependência do dólar? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

