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Depois de anos entre van e caminhão, Molly troca a estrada por uma casa de 4 metros no High Desert, paga US$ 2.800 pela estrutura usada e passa a depender do sol, da nascente e da lenha todos os dias
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 20/08/2026 às 07:19
Atualizado em 20/08/2026 às 07:20
Construção
Canal
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Com painéis solares, bateria, água buscada numa nascente e um fogão a lenha, a casa circular de Molly reúne cozinha compacta, cama elevada, prateleiras e internet via satélite, mas transforma banho, abastecimento e aquecimento em tarefas que exigem planejamento, esforço manual e atenção constante aos recursos disponíveis na propriedade remota.
Depois de passar anos viajando e morar em van e caminhão, Molly encontrou uma casa fixa em uma propriedade remota do High Desert, no Novo México, nos Estados Unidos. A estrutura circular usada custou US$ 2.800 e já tinha um fogão a lenha quando foi comprada.
A mudança preservou parte da autonomia que ela buscava na estrada, mas acrescentou uma referência permanente para onde voltar. Longe da infraestrutura convencional, Molly passou a gerar eletricidade com painéis solares, buscar água com os irmãos e realizar manualmente tarefas que seriam automáticas em uma residência urbana.
Estrutura de 4 metros reorganizou a ideia de espaço doméstico
A moradia tem 13 pés de diâmetro, medida equivalente a aproximadamente 4 metros. Trata-se de uma yurt, construção circular de origem mongol produzida artesanalmente com materiais naturais, entre eles madeira e lona de algodão. O formato compacto obrigou a moradora a definir com cuidado a função de cada área.
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A reportagem publicada pelo Diário do Litoral informa que Molly comprou a estrutura de segunda mão por US$ 2.800, com o fogão a lenha já instalado. O valor se refere à yurt usada e não foi apresentado como custo total da mudança, do terreno ou dos equipamentos acrescentados depois.
Mesmo reduzido, o interior ganhou setores diferentes. Há uma cozinha pequena, uma área próxima à entrada para sapatos e objetos, um armário aberto, uma cômoda e um canto de leitura. A disposição permite que atividades domésticas dividam o mesmo ambiente sem eliminar completamente a organização visual.
Cama elevada e prateleiras liberaram a parte inferior da casa
A cama foi feita sob medida e instalada em posição elevada. A escolha usa a altura da estrutura e libera o espaço inferior para outras funções, solução importante numa casa em que móveis convencionais poderiam bloquear a circulação ou ocupar uma parcela desproporcional do ambiente.
Prateleiras suspensas ampliam o armazenamento sem preencher o piso. Elas guardam livros e equipamentos necessários ao funcionamento da moradia. A bateria ligada aos painéis solares e o aparelho de internet via satélite também foram incorporados ao interior, aproximando itens técnicos da rotina cotidiana.
Essa combinação mostra que o espaço não foi tratado apenas como abrigo para dormir. Cozinhar, guardar roupas, ler, acessar a internet e acompanhar o sistema elétrico acontecem dentro do mesmo volume circular. A funcionalidade depende menos da quantidade de móveis e mais da posição escolhida para cada objeto.
Painéis solares fornecem eletricidade fora da rede convencional
A propriedade fica distante da infraestrutura urbana, por isso os painéis solares são responsáveis pela geração de eletricidade. Durante o dia, o sistema capta energia e abastece baterias, que mantêm o fornecimento quando não há sol disponível.
A presença das baterias exige acompanhamento do nível de carga. Molly observa a energia armazenada para saber se haverá eletricidade suficiente para suas necessidades. Não foram divulgadas a potência dos painéis solares, a capacidade do banco de baterias nem a quantidade média consumida pela moradora.
Internet via satélite mantém uma conexão que não depende da chegada de cabos convencionais à propriedade. A solução, entretanto, também utiliza a eletricidade armazenada. Na prática, geração, reserva e consumo formam um único sistema, e o uso diário precisa considerar quanto de energia foi produzido.
Os painéis solares reduzem a dependência da rede, mas não tornam a rotina automática. Dias com produção diferente exigem atenção ao armazenamento, enquanto equipamentos e bateria ocupam parte do espaço interno. A autonomia energética aparece, assim, acompanhada por monitoramento e planejamento.
Água de nascente precisa ser transportada pela propriedade
O abastecimento não ocorre por uma ligação residencial comum. Molly e os dois irmãos buscam água numa nascente próxima e distribuem o recurso pelos diferentes pontos do terreno. O transporte é feito em recipientes menores, o que acrescenta deslocamentos à rotina.
Carregar água de nascente transforma uma necessidade cotidiana em trabalho físico recorrente. Beber, cozinhar, limpar e tomar banho dependem de um recurso que precisa chegar primeiro à área de uso. A capacidade dos recipientes, a distância percorrida e o volume transportado não foram informados.
O método também exige coordenação entre os moradores da propriedade. Como Molly divide o local com os irmãos, a busca e a distribuição fazem parte de uma estrutura compartilhada, embora cada ponto precise receber seu abastecimento. A disponibilidade natural da água não elimina o esforço necessário para levá-la até onde será utilizada.
A água de nascente representa uma das diferenças mais concretas em relação à antiga mobilidade e à residência convencional. Na yurt, não basta abrir uma torneira ligada à rede pública. Antes de qualquer uso, existe uma sequência de coleta, transporte e organização que precisa ser incorporada ao dia.
Banho ao ar livre depende de fogo aceso sob a banheira
O banheiro permanece fora da casa. Molly utiliza uma latrina ao ar livre e toma banho em uma banheira construída no exterior. Para aquecer a água, ela acende uma fogueira sob a estrutura e aguarda o processo antes de entrar.
O banho, portanto, não começa apenas quando a água está pronta. É necessário separar combustível, preparar o fogo e acompanhar o aquecimento. A rotina se soma à coleta de água de nascente e evidencia como tarefas simples passam a depender de várias etapas quando não há instalações convencionais.
O fogão a lenha cumpre outra função no cotidiano interno, enquanto gravetos e toras precisam ser recolhidos, cortados e empilhados. A lenha não aparece como detalhe decorativo: ela integra o trabalho necessário para manter aquecimento e atividades associadas ao fogo.
Não foram informados o tempo gasto para aquecer a banheira, a quantidade de lenha utilizada nem a frequência dos banhos. Ainda assim, a descrição da rotina deixa claro que fogo e água precisam ser preparados antecipadamente. O conforto existe, mas depende de trabalho manual antes de ser utilizado.
High Desert ofereceu estabilidade sem encerrar as viagens
Antes de se instalar no Novo México, Molly atravessou períodos de viagens longas e viveu tanto em van quanto em caminhão. A mobilidade fazia parte do estilo de vida, mas, depois de alguns anos, ela começou a procurar um ponto fixo que pudesse reconhecer como lar.
A propriedade no High Desert permitiu conciliar essas duas necessidades. Molly continuou valorizando as viagens, porém passou a ter um endereço para o qual retornar. A presença dos dois irmãos no mesmo terreno acrescentou convivência familiar a uma escolha que poderia parecer inteiramente solitária.
O High Desert não eliminou as exigências práticas da vida remota. Recolher gravetos, cortar e armazenar lenha, carregar recipientes e verificar baterias passaram a ocupar parte dos dias. A estabilidade conquistada não significou redução automática do trabalho, mas uma mudança no tipo de esforço realizado.
A casa circular ofereceu permanência sem reproduzir integralmente o padrão urbano que Molly havia deixado. Energia, abastecimento e banho continuaram ligados às condições do lugar, enquanto internet e organização interna preservaram recursos de uma rotina contemporânea.
Rotina simples exige participação diária da moradora
Morar perto da natureza aumentou o contato de Molly com o terreno e com os recursos usados diretamente. A eletricidade vem dos painéis solares; a água de nascente precisa ser buscada; e o fogão a lenha depende de combustível coletado e preparado. Nenhum desses sistemas funciona de maneira totalmente invisível para a moradora.
Essa participação ajuda a explicar por que a experiência não pode ser resumida apenas pelo preço de US$ 2.800. O valor de compra identifica a estrutura usada, mas o cotidiano envolve equipamentos, deslocamentos e trabalho. Não foram divulgados custos com painéis, bateria, internet, manutenção ou adaptação da propriedade.
Molly avalia positivamente a escolha, embora reconheça mudanças que ainda deseja realizar. Entre os planos estão construir um banheiro interno e, futuramente, talvez erguer uma pequena casa de adobe. As duas ideias indicam que o local continua em transformação.
Casa equilibra autonomia, estabilidade e esforço cotidiano
A experiência de Molly reúne elementos que costumam ser apresentados separadamente: uma moradia compacta, geração própria de energia, conexão via satélite e tarefas manuais ligadas a água e lenha. A combinação não elimina dificuldades, mas cria uma rotina ajustada às prioridades escolhidas por ela.
A casa de 4 metros tornou-se o ponto fixo que faltava depois dos anos na estrada. Ao mesmo tempo, morar no High Desert exige acompanhar painéis solares, transportar água de nascente e manter o fogão a lenha em funcionamento.
Assista o vídeo
A autonomia conquistada depende de participação constante, e não apenas de distância da cidade. Você viveria em um espaço assim ou considera a rotina manual pesada demais? Conte nos comentários qual parte dessa escolha mais chama sua atenção.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

