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Acorrentado à carroceria de uma caminhonete por 20 anos e obrigado a viajar com um circo peruano, leão-da-montanha Mufasa foi o último animal selvagem retirado dos picadeiros do país e ganhou um recinto próprio em uma reserva da Amazônia
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 20/08/2026 às 09:09
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Mufasa, um puma mantido por 20 anos acorrentado à traseira de um caminhão de circo no Peru, foi resgatado em 2015 após um impasse de oito horas. Depois de receber tratamento e recuperar a saúde, foi libertado na Reserva Ecológica de Taricaya, na Amazônia peruana, onde morreu um mês depois.
Mufasa passou cerca de 20 anos acorrentado à parte traseira de um caminhão enquanto integrava um circo itinerante no Peru. O puma foi retirado dessa situação em 2015 durante uma operação realizada pela Animal Defenders International (ADI) em conjunto com autoridades peruanas, depois que o país proibiu apresentações com animais selvagens.
As informações foram publicadas pela National Geographic em 21 de abril de 2016, em reportagem de Laurel Neme. O resgate fazia parte da Operação Espírito da Liberdade, criada pela ADI para localizar e retirar animais mantidos por circos após a mudança na legislação peruana.
Investigação de dois anos antecedeu proibição de animais selvagens nos circos
A Animal Defenders International realizou uma investigação durante dois anos sobre o tratamento dado a animais em circos da América Latina. O trabalho foi acompanhado por uma campanha pública que expôs casos de maus-tratos.
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Em 2012, o Peru proibiu apresentações circenses com animais selvagens. A decisão, porém, criou um novo desafio: era necessário localizar os circos, confiscar animais de grande porte, encontrar locais para mantê-los e posteriormente buscar destinos adequados.
Governo peruano pediu ajuda para colocar a proibição em prática
O governo do Peru não possuía experiência suficiente para executar uma operação daquela dimensão e solicitou apoio da Animal Defenders International. A organização, sediada no Reino Unido e dedicada ao combate aos maus-tratos contra animais, então iniciou a Operação Espírito da Liberdade.
Jan Creamer e Tim Philips, cofundadores da ADI, participaram da organização da ação. O trabalho exigia acompanhar circos itinerantes que continuavam se deslocando pelo território peruano.
ADI mapeou seis circos itinerantes antes das primeiras operações
A organização utilizou informações obtidas durante sua investigação para fazer um levantamento dos seis circos itinerantes identificados no Peru. As equipes acompanharam os locais por onde eles passavam e fizeram um inventário dos animais.
As primeiras ações policiais começaram no fim de agosto de 2014. Caminhões eram posicionados próximos aos circos para permitir uma intervenção quando surgisse a oportunidade de recolher os animais.
Donos dos circos resistiram e esconderijos dificultaram os resgates
A operação levou mais tempo do que inicialmente esperado. Tim Philips relatou que a resistência dos proprietários dos circos, somada à existência de esconderijos em regiões de montanhas e florestas, dificultou o trabalho.
Os circos conseguiram evitar as autoridades durante meses. A natureza itinerante das companhias também obrigava as equipes envolvidas na operação a acompanhar os deslocamentos e reagir rapidamente quando novos locais eram identificados.
Informações recebidas em julho de 2015 levaram equipes ao norte do Peru
Em julho de 2015, a ADI recebeu informações sobre dois circos instalados em vilarejos no norte do país, próximos à fronteira com o Equador.
As autoridades peruanas e a organização foram até os dois locais. Uma das ações resultou no resgate de Hoover, um tigre do Circo Africano que era o único sobrevivente de um grupo que havia reunido 12 ou mais tigres.
Resgate de Mufasa exigiu impasse de oito horas com o Circo Koreander
Outra intervenção ocorreu no Circo Koreander e terminou somente depois de um impasse que durou oito horas. Foi nessa operação que as equipes conseguiram retirar Mufasa.
O puma estava acorrentado à traseira de um caminhão havia 20 anos. Sua situação era diferente da de um animal instalado permanentemente em um zoológico ou santuário: Mufasa acompanhava a estrutura itinerante do circo durante seus deslocamentos.
Vinte anos preso ao caminhão deram lugar a tratamento após o resgate
Mufasa recebeu cuidados depois de ser retirado do circo. O animal foi tratado até recuperar condições de saúde que permitissem uma mudança de ambiente.
O resgate representou o fim de duas décadas em que o puma permaneceu associado ao caminhão utilizado pelo circo. A etapa seguinte passou a ser encontrar um destino para o animal longe da rotina das apresentações e dos deslocamentos circenses.
Mufasa foi levado para a Reserva Ecológica de Taricaya
Depois do tratamento, Mufasa foi destinado à Reserva Ecológica de Taricaya, localizada no Peru, em área da floresta amazônica.
O puma foi libertado na reserva em novembro de 2015. A transferência permitiu que deixasse definitivamente o ambiente do circo depois dos 20 anos em que havia permanecido acorrentado ao veículo.
Operação também retirou Hoover, único sobrevivente de pelo menos 12 tigres
A mesma ofensiva contra circos peruanos também alcançou Hoover, então chamado de Juver no Peru. A ADI posteriormente alterou seu nome para Hoover.
O tigre havia passado quase seus 12 anos de vida realizando truques em um circo itinerante. Ele era o único sobrevivente entre 12 ou mais tigres que haviam pertencido ao Circo Africano.
Hoover recuperou peso e seguiu para um santuário na Flórida
Hoover estava debilitado quando foi resgatado, mas recuperou força e ganhou peso durante o período sob os cuidados da ADI. A organização considerava que, por causa de seu histórico, o tigre continuaria necessitando de acompanhamento.
Em abril de 2016, estava programado que Hoover viajasse de Lima para Miami em um voo de sete horas, acompanhado por Jan Creamer e Tim Philips. Depois, seguiria por terra até Tampa.
Tigre ganharia novo recinto no dia em que completaria 12 anos
A chegada de Hoover ao Big Cat Rescue, na Flórida, estava programada para a manhã de 23 de abril de 2016, data de seu 12º aniversário.
Seu novo espaço teria árvores, gramado e um lago abastecido por nascentes. A estrutura do santuário também incluía instalações veterinárias que foram avaliadas positivamente pela ADI antes da transferência.
Mufasa morreu um mês depois de ser libertado na Amazônia peruana
A permanência de Mufasa na Reserva Ecológica de Taricaya foi curta. Cerca de um mês depois da libertação, o puma morreu.
A causa informada foi insuficiência renal e outros problemas relacionados à idade. O animal havia conseguido deixar o circo e receber tratamento antes de ser levado à reserva, mas os problemas de saúde associados à idade limitaram o período vivido após a transferência.
Na sua opinião, proibições ao uso de animais selvagens em circos devem vir acompanhadas de operações permanentes para localizar, resgatar e garantir destino adequado aos animais que ainda permanecem nessas condições? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

