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Homem recebeu cerca de R$ 5,6 milhões por falha bancária na Nigéria, enviou parte à mãe e à irmã, financiou uma obra e um novo padrão de vida, mas acabou condenado a um ano de prisão ou multa e ainda terá de devolver o saldo
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 20/08/2026 às 12:18
Atualizado em 20/08/2026 às 12:19
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O caso de Kingsley Ojo mostra que dinheiro recebido por engano não vira patrimônio do correntista, pois movimentar a quantia pode levar a rastreamento, devolução obrigatória, multa e prisão, mesmo quando tudo começa com um erro bancário.
E se você gastasse dinheiro que não é seu? Na Nigéria, Kingsley Ojo recebeu por erro bancário uma quantia estimada em cerca de R$ 5,6 milhões e decidiu movimentar os recursos em vez de comunicar a falha ao First Bank.
A informação foi publicada pelo PUNCH, jornal nigeriano que cobre notícias nacionais, economia e sociedade. O dinheiro entrou na conta por causa de falhas no sistema bancário, mas a origem acidental não deu ao correntista o direito de usar os valores.
As movimentações ocorreram entre junho e novembro de 2025. O caso terminou com a recuperação de grande parte do dinheiro, uma ordem de ressarcimento e a condenação a um ano de prisão ou multa de ₦ 5 milhões.
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O erro bancário colocou mais de ₦ 1,3 bilhão sob o controle do correntista
As falhas no sistema do First Bank fizeram com que mais de ₦ 1,3 bilhão fosse creditado indevidamente na conta de Kingsley Ojo. A conversão aproximada usada para apresentar o caso ao público brasileiro chega a R$ 5,6 milhões.
O valor disponível na conta podia ser transferido e utilizado, mas continuava pertencendo ao banco. Um saldo que aparece por engano não se transforma automaticamente em renda, prêmio ou patrimônio de quem o recebeu.
O ponto decisivo não foi apenas o depósito equivocado. A consequência jurídica surgiu quando Kingsley passou a transferir e utilizar conscientemente uma quantia que não lhe pertencia.
Parte do dinheiro chegou a contas de familiares e financiou uma construção
Kingsley enviou uma parcela dos recursos para contas bancárias pertencentes à mãe, Itohan Ojo, e à irmã, Edith Okoro Osaretin. Outra parte foi direcionada à conclusão de um projeto de construção.
Também houve gastos ligados a um novo padrão de vida considerado extravagante. Não foi apresentada uma justificativa pessoal para a decisão de usar o dinheiro, mas os movimentos bancários mostraram onde parte da quantia foi parar.
O PUNCH, jornal nigeriano que cobre notícias nacionais, economia e sociedade detalhou que a investigação conseguiu rastrear os valores enviados para diferentes contas. Esse caminho financeiro permitiu recuperar uma parcela expressiva do dinheiro.
Investigação recuperou mais de ₦ 1,1 bilhão antes da condenação
A Diretoria Zonal de Benin da Comissão de Crimes Econômicos e Financeiros, instituição nigeriana responsável pela investigação de delitos financeiros, recuperou ₦ 802,42 milhões das contas identificadas.
O First Bank também conseguiu reverter diretamente mais de ₦ 300 milhões que ainda estavam na conta de Kingsley. Somadas, as duas operações devolveram ao banco mais de ₦ 1,1 bilhão.
Portanto, não é correto afirmar que todo o dinheiro foi gasto. Uma parcela foi utilizada, outra foi transferida e grande parte ainda pôde ser localizada e recuperada durante a investigação.
Mesmo após essas recuperações, permaneceu um saldo de ₦ 272.252.193,59. A Justiça determinou que Kingsley devolvesse essa quantia ao First Bank dentro do prazo estabelecido pelo tribunal.
Pena de um ano ou multa não eliminou a obrigação de devolver o saldo
O Tribunal Superior do Estado de Edo, na cidade de Benin, condenou Kingsley a um ano de prisão ou ao pagamento de uma multa de ₦ 5 milhões. A sentença foi aplicada pelo juiz W. I. Aziegbemhin.
A possibilidade de pagar a multa funciona como alternativa à prisão. No entanto, essa escolha não apaga a ordem de ressarcimento nem permite que o condenado permaneça com o dinheiro ainda não recuperado.
Além da pena, Kingsley ficou obrigado a restituir os ₦ 272.252.193,59 restantes. Assim, cumprir a prisão ou pagar a multa não substitui a devolução do valor pertencente ao banco.
O episódio mostra a diferença entre receber dinheiro por uma falha e decidir utilizá lo. O primeiro fato pode ocorrer sem participação do correntista, enquanto o uso consciente dos recursos pode gerar responsabilidade financeira e criminal.
No Brasil, dinheiro recebido por engano também pode causar consequências jurídicas
Casos semelhantes no Brasil costumam ser chamados popularmente de apropriação indébita. O Código Penal possui uma previsão específica para a apropriação de coisa recebida por erro, com pena de detenção de um mês a um ano ou multa.
O simples recebimento acidental não transforma automaticamente o correntista em infrator. O problema aparece quando a pessoa percebe o erro e decide sacar, transferir, esconder ou gastar uma quantia que sabe não lhe pertencer.
Quem encontra um depósito inesperado deve evitar qualquer movimentação e procurar o banco pelos canais oficiais. Registrar o atendimento e guardar os comprovantes também ajuda a demonstrar que houve uma tentativa imediata de solucionar o erro.
A falha inicial pode ter sido da instituição financeira, mas isso não autoriza o uso do dinheiro. A atitude mais segura é manter o valor intacto até que o banco conclua a verificação e realize a devolução correta.
O caso de Kingsley Ojo terminou com rastreamento bancário, recuperação de mais de ₦ 1,1 bilhão, condenação criminal e uma dívida milionária ainda pendente. A quantia inesperada trouxe acesso momentâneo ao dinheiro, mas não transferiu sua propriedade.
A principal lição é direta: dinheiro que cai na conta por engano continua tendo dono. Movimentar o valor pode transformar uma falha bancária em investigação, processo judicial e obrigação de ressarcimento.
E você, saberia como agir diante de um depósito milionário inesperado? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe este alerta.
Fonte
PUNCH
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

