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Robôs submarinos que mergulham a até 6 mil metros e inteligência artificial que prevê falhas prometem reduzir custos e acelerar a indústria naval brasileira
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 20/08/2026 às 15:22
Atualizado em 20/08/2026 às 15:34
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Tecnologias apresentadas na Navalshore 2026 permitem ampliar inspeções no fundo do mar, acompanhar máquinas em tempo real e prever problemas antes que provoquem a paralisação de embarcações
A retomada da indústria naval brasileira não movimenta apenas estaleiros e fabricantes de grandes equipamentos. O novo ciclo de encomendas também abre espaço para tecnologias capazes de tornar navios e operações offshore mais seguros, conectados e eficientes.
Durante a Navalshore 2026, empresas apresentaram soluções que utilizam robótica submarina, sensores, internet das coisas e inteligência artificial para enfrentar alguns dos principais custos da atividade marítima: o tempo de embarcação, o consumo de combustível, as falhas de equipamentos e a exposição de trabalhadores a operações de risco.
Entre os exemplos mostrados na feira estão os veículos submarinos autônomos da família HUGIN, do Grupo Kongsberg, e o AESTUS Marine, plataforma da Maqsupply que monitora máquinas e utiliza inteligência artificial para apoiar a manutenção preditiva.
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Novas encomendas aumentam a demanda por eficiência
O avanço tecnológico ocorre em um momento de ampliação dos investimentos no setor. De acordo com o SINAVAL, Petrobras e Transpetro firmaram aproximadamente R$ 13,8 bilhões em contratos, somente no primeiro semestre de 2026, relacionados à construção de 45 embarcações.
Esse volume cria oportunidades para estaleiros, empresas de engenharia, fabricantes de máquinas, desenvolvedores de software e fornecedores de equipamentos especializados.
O desafio, entretanto, não é apenas construir mais navios. Para atender às novas demandas sem elevar os custos na mesma proporção, a indústria precisa incorporar tecnologias que reduzam paradas, aumentem a produtividade e melhorem o desempenho energético e ambiental das operações.
Veículos autônomos inspecionam estruturas no fundo do mar
Uma das soluções apresentadas pelo Grupo Kongsberg foi a família HUGIN de veículos submarinos autônomos, conhecidos pela sigla AUV, de Autonomous Underwater Vehicle.
Diferentemente de um ROV tradicional, que normalmente permanece ligado à embarcação por um cabo e é controlado por um operador, um AUV pode executar missões previamente programadas com maior autonomia.
Equipado com sonares, câmeras e diferentes sensores, o veículo percorre uma área para mapear o leito marinho, acompanhar dutos, inspecionar estruturas submarinas e coletar informações ambientais.
Segundo Pedro Dias, representante do Grupo Kongsberg entrevistado pelo Click Petróleo e Gás, uma das principais vantagens está na redução do tempo necessário para manter uma embarcação mobilizada durante o levantamento.
“Diária de embarcação é um custo significativo na operação. Com esses equipamentos, conseguimos cobrir uma área muito maior de inspeção e ganhar eficiência”, explicou.
Algumas configurações apresentadas podem navegar em velocidades de até seis nós enquanto realizam o levantamento. Com maior cobertura em menos tempo, a operação pode reduzir o número de dias de embarcação, o consumo de combustível e os custos das equipes envolvidas.
Ausência de cabos amplia a mobilidade e reduz riscos
Os veículos da família HUGIN não precisam permanecer fisicamente conectados à embarcação durante toda a missão. Essa característica permite que percorram áreas extensas sem as limitações impostas por cabos umbilicais.
A operação autônoma também reduz a necessidade de manter trabalhadores diretamente expostos a determinadas etapas da inspeção submarina. Dependendo da missão, isso pode diminuir riscos de acidentes durante a operação e o lançamento de equipamentos.
A Kongsberg informa que a família HUGIN possui versões destinadas a diferentes aplicações comerciais, científicas e de defesa, com capacidade para operar em profundidades de 3 mil, 4,5 mil e 6 mil metros.
Os veículos podem transportar sonares de abertura sintética, ecobatímetros multifeixe, câmeras, lasers, sensores ambientais e equipamentos para avaliação das camadas abaixo do fundo marinho.
Entre as aplicações estão o planejamento de novas instalações offshore, a inspeção de dutos, a identificação de obstáculos, o acompanhamento de estruturas submarinas e a elaboração de mapas detalhados do leito oceânico.
Inteligência artificial acompanha máquinas a bordo
Se os AUVs ampliam a capacidade de coleta de dados abaixo da linha d’água, sensores e plataformas digitais estão transformando o acompanhamento dos equipamentos dentro dos navios.
A Maqsupply apresentou na Navalshore o AESTUS Marine, um software que integra informações de diferentes máquinas e utiliza inteligência artificial para identificar alterações no comportamento dos equipamentos.
A plataforma pode receber dados sobre pressão do óleo, temperatura, vibração, consumo de combustível e desempenho de motores e geradores. Essas informações são organizadas em painéis que podem ser consultados tanto pela tripulação quanto pelas equipes de manutenção em terra.
“Um chefe de manutenção em terra pode acompanhar em tempo real o que está acontecendo em uma embarcação que está navegando”, afirmou César Farias, representante da Maqsupply.
A empresa, que possui origem em Singapura e operações comerciais nos Estados Unidos e na América Latina, descreve o AESTUS Marine como uma solução de monitoramento por internet das coisas, manutenção preditiva com inteligência artificial e acompanhamento do consumo de combustível, conforme a lista de expositores da Navalshore.
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Manutenção preditiva tenta antecipar as falhas
Na manutenção corretiva, a intervenção acontece depois que o equipamento apresenta um problema. Na preventiva, as peças e os componentes são inspecionados ou substituídos em intervalos previamente determinados.
A manutenção preditiva acrescenta uma terceira possibilidade: utilizar os dados produzidos pela máquina para identificar sinais de desgaste e estimar quando uma falha poderá acontecer.
Uma alteração na pressão do óleo, na temperatura ou no padrão de vibração, por exemplo, pode indicar que um componente está começando a perder desempenho. O sistema procura reconhecer essas mudanças e gerar alertas para a equipe responsável.
Com a informação, a empresa pode planejar a manutenção para o momento mais adequado, organizar a compra de peças e evitar que o problema evolua para uma parada inesperada em alto-mar.
A tecnologia também pode contribuir para que uma peça não seja substituída antes da hora. Em vez de seguir apenas um intervalo fixo, o operador passa a considerar a condição real do equipamento.
A decisão final, entretanto, continua dependendo dos profissionais responsáveis pela embarcação. A inteligência artificial funciona como uma ferramenta de apoio e não elimina a necessidade de inspeções, conhecimento técnico e análise humana.
Monitoramento de combustível apoia redução de emissões
O acompanhamento digital também permite comparar o consumo de combustível em diferentes condições de navegação.
Alterações na carga, velocidade, condição do casco, funcionamento do motor e estado do mar podem modificar significativamente o desempenho da embarcação. Com dados históricos e informações em tempo real, os operadores conseguem identificar padrões de consumo e oportunidades de economia.
A redução do combustível utilizado diminui os custos da operação e também as emissões de gases de efeito estufa. No caso dos veículos submarinos autônomos, a possibilidade de executar levantamentos em menos tempo pode reduzir os dias de mobilização dos navios de apoio.
Dessa forma, digitalização e sustentabilidade passam a estar diretamente ligadas à produtividade.
Tecnologia precisa ser integrada à operação
A adoção dessas soluções também apresenta desafios. Navios mais antigos podem exigir novos sensores, infraestrutura de comunicação e integração entre sistemas de diferentes fabricantes.
A conectividade em alto-mar, a proteção contra ataques cibernéticos, a qualidade dos dados e o treinamento das equipes são outros pontos importantes. Um modelo de inteligência artificial alimentado por informações incompletas ou sensores descalibrados pode produzir recomendações pouco confiáveis.
Para obter resultados, as empresas precisam combinar tecnologia, manutenção, engenharia e capacitação profissional. Também é necessário estabelecer regras claras sobre quem pode acessar os dados produzidos pela embarcação.
Expansão naval abre mercado para empresas de tecnologia
Os exemplos apresentados na Navalshore mostram que o crescimento da indústria marítima não depende somente da ampliação física dos estaleiros.
O setor também precisará de robótica, automação, sensores, conectividade, análise de dados e sistemas capazes de apoiar decisões mais rápidas.
Os veículos autônomos podem ampliar a área inspecionada e reduzir a exposição humana em operações submarinas. Já a inteligência artificial pode ajudar a antecipar problemas, programar manutenções e melhorar o consumo de combustível.
Em um cenário de novas encomendas e expansão das atividades offshore, essas tecnologias podem ajudar o Brasil a aumentar sua capacidade operacional sem abrir mão da segurança, da eficiência e da sustentabilidade.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

