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Aos 5 anos, menino se encanta com histórias em quadrinhos e depois começa a rabiscar desenhos até criar na própria mente um universo com mais de 400 personagens: Mauricio de Sousa desenvolveu famílias, amigos, histórias, revistas, filmes e parques em décadas de criação
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 20/08/2026 às 19:09
Atualizado em 20/08/2026 às 19:10
Curiosidades
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Fascínio por quadrinhos ainda na infância abriu caminho para uma trajetória criativa que atravessou gerações e formatos, conectando leitura, desenho e imaginação a um universo que cresceria durante décadas, ganharia novos personagens e ultrapassaria as páginas para chegar a diferentes formas de entretenimento.
Quando ainda tinha cerca de 5 anos, Mauricio de Sousa encontrou nas histórias em quadrinhos uma porta de entrada para a leitura e, pouco depois, passou a querer fazer seus próprios rabiscos, pintar desenhos e inventar narrativas com personagens próprios.
A curiosidade infantil cresceu ao longo dos anos até se transformar em uma carreira que produziu um universo com mais de 400 personagens, conectados por famílias, amizades, bairros e núcleos narrativos que chegaram às revistas, ao cinema, à televisão e aos parques temáticos.
O próprio cartunista relatou que sua relação com os gibis começou na primeira infância, quando encontrou uma revista em quadrinhos e pediu aos pais que lessem as histórias, despertando uma vontade crescente de compreender sozinho aquelas páginas cheias de desenhos e diálogos.
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Aos 5 anos, enquanto avançava no processo de alfabetização conduzido pela mãe, Mauricio passou a associar palavras, imagens e narrativa, combinação que alimentou tanto o interesse pela leitura quanto o desejo de rabiscar, pintar e criar histórias a partir da própria imaginação, como relatou em entrevista publicada pela Veja.
Dos primeiros rabiscos ao trabalho em jornal
Anos depois, já vivendo uma rotina distante daquela descoberta infantil, Mauricio tentou ingressar no jornalismo como ilustrador, mas acabou trabalhando como repórter policial, experiência que o colocou em contato com textos curtos, situações cotidianas e formas diretas de contar acontecimentos.
Foi dentro do ambiente de jornal que o desenho encontrou espaço profissional, até que, em 1959, ele publicou uma tirinha protagonizada por Franjinha e Bidu, o cachorro que se tornaria um dos primeiros personagens importantes de sua trajetória como autor.
Ainda distante das centenas de figuras que surgiriam nas décadas seguintes, esse início profissional já apresentava uma característica que permaneceria na obra: personagens ligados a ambientes, relações e situações capazes de crescer continuamente à medida que novas histórias eram incorporadas ao conjunto.
Pouco a pouco, nomes como Cebolinha, Cascão, Chico Bento, Horácio, Penadinho e Astronauta passaram a ampliar esse universo, enquanto Mônica, inspirada em uma das filhas do cartunista, surgia como a personagem que se tornaria a figura mais conhecida de sua criação.
Mais de 400 personagens formaram diferentes núcleos
Além da própria família, pessoas próximas e elementos da infância serviram de referência para personagens e situações, aproximando o universo ficcional de experiências familiares e do cotidiano brasileiro, sem limitar a expansão de histórias para ambientes rurais, urbanos, fantásticos e até espaciais.
Segundo a TV Brasil, Mauricio de Sousa criou um verdadeiro universo que já reúne mais de 400 personagens, número que ajuda a dimensionar a transformação ocorrida desde os primeiros rabiscos infantis até uma produção organizada em diferentes grupos, cenários e relações.
A emissora também registra que a primeira revista em quadrinhos de Mônica e sua turma foi publicada em 1970, depois de anos de desenvolvimento das tiras e dos personagens que circulavam em jornais e já formavam uma base narrativa cada vez mais ampla.
Em vez de crescer apenas pela multiplicação de nomes, esse universo passou a se organizar em núcleos próprios, com amigos, parentes, escolas, bairros e situações recorrentes que permitiam aos leitores reconhecer ambientes específicos e acompanhar diferentes tipos de história dentro da mesma produção.
No Bairro do Limoeiro ficaram concentradas muitas das aventuras de Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali, enquanto Chico Bento ganhou histórias ligadas à vida rural, Penadinho passou a ocupar um cemitério ficcional e Astronauta levou a criação para aventuras no espaço.
A presença da família de Mauricio também permaneceu importante nesse processo, já que Mônica foi inspirada na filha de mesmo nome e outros filhos serviram como referência para personagens incorporados às histórias ao longo de uma carreira marcada pela observação do cotidiano.
Turma da Mônica Jovem ampliou o universo dos personagens
Conforme o público se ampliou e novas possibilidades editoriais surgiram, personagens originalmente apresentados como crianças ganharam versões adolescentes em Turma da Mônica Jovem, série inspirada visualmente nos mangás japoneses e construída sobre figuras que já eram conhecidas por diferentes gerações.
Essa mudança acrescentou outra camada ao universo criado pelo cartunista, porque preservou personagens reconhecíveis enquanto os colocou diante de dilemas e situações associados a uma fase diferente da vida, permitindo que a mesma base narrativa fosse explorada sob outra perspectiva.
Fora das páginas, o alcance das criações aumentou quando personagens desenvolvidos inicialmente para tiras e revistas passaram a aparecer em televisão, animações, jogos, aplicativos e produções audiovisuais, levando relações construídas durante décadas para formatos que não existiam no início da carreira.
No cinema, essa expansão ganhou visibilidade com Turma da Mônica: Laços, que levou Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali para uma produção com atores, enquanto Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa transportou outro núcleo dos quadrinhos para uma experiência audiovisual.
Mesmo criados muito antes dessas adaptações, os personagens puderam ocupar novos formatos sem abandonar as características centrais que os tornaram reconhecíveis, mostrando como o universo inicialmente construído em tiras e revistas passou a sustentar projetos pensados para públicos e meios diferentes.
Parque da Mônica levou as histórias para fora do papel
Os parques também entraram nessa expansão quando o Parque da Mônica transformou personagens, cenários e referências das histórias em uma experiência física voltada ao público, levando para fora do papel elementos que durante anos haviam sido conhecidos principalmente por meio dos quadrinhos.
A TV Brasil registra que o empreendimento se tornou o maior parque temático coberto da América Latina, dimensão que evidencia até onde chegaram criações que nasceram de desenhos e histórias simples, antes de se transformar em uma produção com centenas de personagens.
Mesmo décadas depois dos primeiros contatos com gibis, o processo inicial de alfabetização mantém relação direta com a profissão escolhida por Mauricio, que queria compreender sozinho aquelas páginas e aproximou leitura, imagem e narrativa antes de existir qualquer estrutura profissional em torno de suas criações.
A primeira publicação profissional, em 1959, abriu caminho para uma sequência de novos personagens, e quatro anos depois, em 1963, Mônica apareceu inspirada na filha do cartunista, antes que a revista própria e outros núcleos ampliassem ainda mais aquele universo em formação.
Do Bairro do Limoeiro ao espaço e ao sobrenatural
Essa variedade ajuda a explicar como mais de 400 personagens puderam surgir sem pertencer ao mesmo ambiente narrativo, já que algumas figuras dividem ruas e escolas, enquanto outras vivem em universos específicos ligados ao campo, ao espaço, ao sobrenatural ou a aventuras próprias.
Ao longo do tempo, personagens também receberam novas fases, migraram para outros formatos e passaram a conviver com gerações diferentes de leitores, enquanto equipes de criação assumiam parte do trabalho necessário para manter e expandir histórias construídas durante décadas a partir daquela base inicial.
Entre os primeiros rabiscos e as centenas de personagens que vieram depois, Mauricio transformou desenho e narrativa em um universo que atravessou tiras de jornal, revistas, filmes, televisão, internet e parques temáticos sem perder a ligação com a curiosidade despertada ainda na infância.
Quantos universos criativos poderiam surgir se uma curiosidade descoberta ainda na infância recebesse espaço, estímulo e tempo suficientes para amadurecer até se transformar em uma obra capaz de atravessar gerações, formatos e diferentes maneiras de contar histórias?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

