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Mergulhador desceu apenas 8 metros e encontrou dois guerreiros gregos de quase 2 metros, obras de até 2.500 anos que emergiram do mar em estado extraordinário
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 21/08/2026 às 11:06
Atualizado em 21/08/2026 às 11:07
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Mergulhador encontrou a apenas 8 metros de profundidade os Bronzes de Riace, duas esculturas gregas de quase 2 metros criadas há cerca de 2.500 anos e preservadas de maneira excepcional.
Um mergulho aparentemente comum realizado em agosto de 1972 terminou com uma das descobertas arqueológicas mais espetaculares do século XX. A apenas 8 metros de profundidade, diante de Riace Marina, no sul da Itália, Stefano Mariottini encontrou duas enormes figuras humanas de bronze que haviam sobrevivido em estado extraordinário. Eram esculturas gregas de quase 2 metros de altura, produzidas aproximadamente no século V a.C. e hoje conhecidas mundialmente como os Bronzes de Riace.
Segundo o Museo Archeologico Nazionale di Reggio Calabria, as duas estátuas representam figuras masculinas nuas e poderosas que originalmente portavam armas e acessórios hoje desaparecidos. A descoberta aconteceu em 16 de agosto de 1972, e as peças passaram por delicados trabalhos de restauração antes de serem apresentadas juntas ao público em Florença, em dezembro de 1980.
Um mergulho a 8 metros revelou dois gigantes de bronze
O cenário da descoberta não era uma escavação arqueológica cuidadosamente planejada. Os Bronzes de Riace surgiram no mar diante de Riace Marina, na Calábria, depois que Stefano Mariottini os encontrou durante um mergulho.
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O museu responsável atualmente pelas esculturas registra que as peças estavam a aproximadamente 8 metros de profundidade.
O número chama atenção porque grandes descobertas submarinas costumam ser associadas a expedições em águas profundas, robôs e equipamentos especializados. Nesse caso, porém, duas das esculturas gregas de bronze mais famosas do planeta estavam relativamente próximas da superfície.
A data também está documentada pelo Ministério da Cultura da Itália: 16 de agosto de 1972. O que apareceu naquele trecho do Mediterrâneo não era apenas mais um objeto antigo, mas duas estátuas monumentais praticamente em tamanho natural, com anatomia, rostos e detalhes ainda suficientemente preservados para revelar o nível técnico alcançado pelos fundidores gregos.
Os guerreiros foram criados há aproximadamente 2.500 anos
As esculturas pertencem ao período clássico da arte grega. O Museo Archeologico Nazionale di Reggio Calabria as classifica como obras-primas da escultura do século V a.C., enquanto estudos acadêmicos reunidos pelo Getty refinam a cronologia de cada peça.
Segundo os pesquisadores citados pelo Getty, muitos especialistas datam a chamada Estátua A entre 470 e 460 a.C., enquanto a Estátua B é colocada entre 440 e 430 a.C. Isso significa que as duas peças podem ter sido produzidas com algumas décadas de diferença, embora tenham sido encontradas lado a lado no mesmo trecho de mar.
Considerando essas datas, os Bronzes de Riace têm aproximadamente 2.450 a 2.500 anos. Poucos objetos permitem observar de maneira tão direta a capacidade dos grandes ateliers gregos de produzir corpos humanos monumentais em metal.
E justamente por serem originais gregos em bronze, sua sobrevivência é especialmente valiosa para arqueólogos e historiadores da arte.
Quase 2 metros de bronze sobreviveram com detalhes impressionantes
O primeiro impacto vem da escala. O museu italiano informa que cada estátua possui quase dois metros de altura, ligeiramente acima das proporções humanas comuns.
Não são pequenas peças decorativas preservadas dentro de uma tumba, mas figuras masculinas monumentais concebidas para serem vistas em pé e provavelmente integradas a um conjunto maior.
O segundo impacto aparece quando o observador se aproxima. As esculturas preservam músculos, cabelos, barbas, vasos sanguíneos e detalhes anatômicos cuidadosamente trabalhados. O realismo não depende apenas do bronze. Os artesãos utilizaram materiais diferentes para acentuar determinadas partes do corpo.
Os olhos, por exemplo, incorporam calcita e pasta vítrea. Lábios e outros detalhes apresentam aplicações de cobre, enquanto elementos metálicos adicionais foram utilizados para produzir contrastes que faziam as figuras parecerem ainda mais vivas.
Um guerreiro tinha faixa na cabeça e o outro provavelmente usava capacete
Apesar de serem popularmente chamados de guerreiros, a identidade exata das figuras continua sendo debatida.
O museu informa que a Estátua A possui uma faixa na cabeça e uma barba cuidadosamente trabalhada. Já a Estátua B foi concebida de maneira diferente na região superior do crânio, característica associada ao encaixe de um capacete elevado, hoje perdido.
As duas também possuíam acessórios que desapareceram antes de sua descoberta. Armas, escudos ou outros elementos podem ter completado originalmente a composição.
Atletas, guerreiros, heróis mitológicos e até personagens ligados a narrativas específicas da Grécia antiga já apareceram entre as interpretações propostas. O próprio museu ressalta que a atribuição continua incerta.
Técnica de cera perdida transformou metal líquido em anatomia humana
Para criar esculturas desse tamanho, os artesãos recorreram à fundição por cera perdida, técnica sofisticada utilizada na produção de grandes bronzes.
O princípio envolve construir uma forma em cera, criar um molde ao redor dela e depois aquecer o conjunto para que a cera seja eliminada. O espaço vazio resultante pode então receber o metal fundido. O Getty descreve a técnica como um dos processos fundamentais empregados historicamente na produção de esculturas de bronze.
Os Bronzes de Riace mostram até onde esse método podia chegar no século V a.C.
Não bastava produzir um corpo inteiro. Era preciso controlar espessura, encaixar seções fundidas separadamente, trabalhar a superfície e acrescentar materiais diferentes em olhos, boca e outros pontos.
O resultado permaneceu suficientemente preservado para que pesquisadores modernos investigassem até a composição e a origem de alguns dos metais utilizados.
Análises revelaram que os dois bronzes podem ter histórias diferentes
As investigações científicas realizadas décadas depois da descoberta trouxeram outro elemento intrigante.
Pesquisadores ligados à Universidade de Pádua, ao Instituto Superior de Conservação e Restauração da Itália e à Universidade Roma Tre analisaram amostras metálicas retiradas do interior das esculturas. Os resultados foram apresentados no Congresso Internacional sobre Bronzes Antigos e publicados pelo Getty.
Os estudos apontaram diferenças entre as duas peças. O cobre da Estátua A apresentou compatibilidade com depósitos do Mediterrâneo ocidental, enquanto o material da Estátua B mostrou características compatíveis com minérios do Mediterrâneo oriental. Os pesquisadores também identificaram chumbo associado às duas peças com assinatura compatível com fonte grega.
Restauradores precisaram entrar virtualmente dentro das esculturas
Retirar as estátuas do mar foi apenas o começo. O museu registra que, depois do resgate, os Bronzes passaram por delicados trabalhos de conservação primeiro em Reggio Calabria e posteriormente em Florença. Décadas depois, novas intervenções permitiram investigar ainda mais profundamente sua estrutura.
Durante uma campanha de restauração realizada em Roma pelo instituto italiano especializado em conservação, pesquisadores chegaram às cavidades internas das esculturas utilizando braços mecânicos controlados remotamente. O objetivo era explorar e limpar regiões inacessíveis por métodos convencionais.
Esse trabalho interno também permitiu retirar pequenas amostras para estudos metalúrgicos e isotópicos.
Assim, a restauração não serviu apenas para devolver estabilidade visual e estrutural às peças. Transformou-se também em uma investigação arqueológica sobre como os escultores gregos haviam construído aqueles corpos de bronze aproximadamente dois milênios e meio antes.
O público precisou esperar oito anos para vê-los restaurados em Florença
A descoberta aconteceu em 1972, mas a primeira apresentação pública das duas esculturas restauradas em Florença só seria inaugurada em 15 de dezembro de 1980.
O Ministério da Cultura italiano registra a exposição no Museo Archeologico Nazionale di Firenze como a primeira ocasião em que as duas estátuas restauradas foram mostradas ao público naquele formato.
Entre o encontro no fundo do mar e aquela exposição decorreram mais de oito anos.
Quando finalmente foram exibidas, os dois guerreiros já haviam deixado de ser apenas um extraordinário achado submarino para se transformar em fenômeno cultural.
A raridade dos Bronzes de Riace está no fato de serem originais gregos
O Getty descreve as duas peças como estátuas gregas originais de bronze excepcionais. Essa definição ajuda a explicar por que seu valor científico ultrapassa a beleza estética.
Muitas imagens famosas associadas à escultura grega clássica são conhecidas por meio de versões posteriores, especialmente cópias romanas produzidas em outros materiais.
Os Bronzes de Riace oferecem algo diferente: grandes esculturas de metal originadas no próprio universo artístico grego do século V a.C.
Cada superfície, junção e composição metálica pode fornecer informação sobre técnicas de fundição, organização das oficinas, matérias-primas e escolhas visuais feitas pelos artistas.
Por isso, mesmo mais de meio século depois da descoberta, as duas figuras continuam sendo estudadas.
O mistério maior continua sendo como os dois guerreiros chegaram ao mar
Apesar de décadas de pesquisa, a história completa das esculturas continua incompleta. Sabe-se onde elas reapareceram em 1972. Sabe-se que são obras gregas do século V a.C. e que análises científicas conseguiram identificar características de seus metais e materiais internos. Mas isso não esclarece definitivamente quando ou por que acabaram naquele ponto do Mediterrâneo.
A hipótese de transporte marítimo é naturalmente relevante para esculturas encontradas juntas no fundo do mar, mas o contexto arqueológico não permitiu reconstruir com certeza uma embarcação, uma rota específica e um destino final.
Também permanece aberta a questão de quem exatamente as figuras representam.
Essa combinação de informações extremamente precisas e perguntas ainda sem resposta contribui para que os Bronzes de Riace continuem fascinando especialistas e visitantes.
Hoje os dois gigantes ocupam o coração de um museu italiano
Os Bronzes não permaneceram viajando indefinidamente por exposições internacionais. Seu endereço permanente é o Museo Archeologico Nazionale di Reggio Calabria, onde constituem o núcleo simbólico da coleção.
As estátuas são exibidas em um ambiente especialmente controlado, destinado a preservar obras cuja conservação depende de estabilidade ambiental e monitoramento cuidadoso.
Hoje, cada detalhe da temperatura, exposição e conservação é controlado dentro de um museu. Naquele dia, entretanto, duas obras produzidas há aproximadamente 2.500 anos simplesmente apareceram diante de um mergulhador a apenas 8 metros abaixo da superfície.
O acaso devolveu à arqueologia dois corpos de bronze quase do tamanho de homens reais. O trabalho científico que veio depois revelou metais de diferentes origens, técnicas sofisticadas de fundição e uma quantidade impressionante de detalhes preservados.
Mas nem meio século de estudos conseguiu responder completamente quem eram aqueles dois personagens nem como terminaram juntos sob as águas de Riace.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

