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Jamaicana viu US$ 20,8 mil em dinheiro por engano aparecerem em sua conta, sacou US$ 20 mil e enviou o dinheiro com amigos para comprar um carro, começar a construir uma casa e manter sua criação de porcos; o banco descobriu o erro meses depois, ela restituiu o valor e acabou condenada.
Escrito por Carla Teles
Publicado em 21/08/2026 às 16:15
Atualizado em 21/08/2026 às 16:16
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Kerron Fagon, jamaicana residente nas Ilhas Virgens Britânicas, recebeu US$ 20.809,51 em dinheiro por engano do Scotiabank em 2019, retirou US$ 1 mil no caixa eletrônico e US$ 19 mil no balcão, enviou valores à Jamaica, restituiu integralmente o valor ao banco e depois recebeu 12 meses de liberdade condicional.
Receber US$ 20.809,51 em dinheiro por engano levou a jamaicana Kerron Fagon de uma movimentação bancária inesperada a um processo por furto nas Ilhas Virgens Britânicas. O valor entrou em sua conta em 28 de março de 2019 e, semanas depois, praticamente todo o montante havia sido retirado e enviado à Jamaica por intermédio de amigos.
O desfecho foi relatado pelo London Daily, que informa que o juiz do Tribunal Superior Richard Floyd proferiu a sentença em 17 de julho, embora o texto consultado não explicite o ano dessa decisão. Já o BVI News havia noticiado a acusação em 18 de novembro de 2019, quando o caso ainda estava na fase criminal inicial.
Dinheiro por engano entrou na conta em março de 2019
Fagon mantinha uma conta pessoal no Scotia Bank, instituição posteriormente identificada pela fonte como Republic Bank após mudança de nome. Em 28 de março de 2019, US$ 20.809,51 foram creditados por erro, embora o dinheiro fosse destinado à conta de outro cliente.
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Antes daquele depósito, segundo os autos reproduzidos pelo London Daily, a conta costumava manter saldo reduzido. O próprio banco concluiu posteriormente que se tratava de um erro contábil e que Kerron Fagon não era a destinatária dos recursos.
Jamaicana disse ter procurado o banco após perceber o valor
Durante a apuração, Fagon reconheceu que não esperava receber aquela quantia. Ela declarou aos funcionários que teria procurado a central de atendimento do banco depois de perceber o crédito inesperado.
A versão apresentada por ela foi de que um atendente teria dito que poderia acessar os recursos. Essa afirmação partiu da própria acusada e aparece nas fontes como alegação de Fagon, não como uma orientação do banco posteriormente comprovada. O BVI News já registrava essa versão quando o caso chegou ao Judiciário em 2019.
US$ 1 mil saíram primeiro e outros US$ 19 mil foram retirados no balcão
Após o dinheiro por engano aparecer na conta, Fagon retirou inicialmente US$ 1 mil utilizando o cartão em um caixa eletrônico. Depois, foi ao atendimento presencial da instituição e sacou mais US$ 19 mil.
Há uma pequena diferença entre as fontes sobre a data exata dessas retiradas. O London Daily registra 3 de abril de 2019, enquanto a reportagem do BVI News publicada naquele ano aponta 4 de abril. As duas, porém, coincidem nos valores: US$ 1 mil primeiro e outros US$ 19 mil posteriormente.
Dinheiro foi dividido entre amigos e enviado para a Jamaica
O caso tomou outra dimensão quando os autos revelaram o destino de parte do dinheiro. Durante a audiência de acusação, o tribunal ouviu que Fagon distribuiu diferentes quantias em espécie a amigos para que os valores fossem enviados à Jamaica em seu nome.
A operação não foi descrita pelas fontes como uma simples transferência única para outra conta. Os recursos foram repartidos entre pessoas próximas e enviados ao país de origem de Fagon, que naquele período residia nas Ilhas Virgens Britânicas.
Carro, construção de casa e criação de porcos receberam os recursos
Segundo o processo, o dinheiro enviado à Jamaica teve três destinações principais. Parte foi utilizada para comprar um veículo, outra parcela ajudou a iniciar a construção de uma casa e recursos também foram empregados na manutenção de uma criação de porcos.
A reportagem inicial do BVI News detalhava que parte dos valores restantes teria sido utilizada para encomendar produtos pela internet destinados à criação suína. O episódio, portanto, envolveu gastos patrimoniais e uma atividade rural mantida por Fagon em seu país de origem.
Banco levou mais de cinco meses para identificar o erro
O crédito ocorreu em 28 de março, mas a instituição só identificou a transferência indevida em 3 de setembro de 2019. Isso significa que o problema permaneceu sem ser detectado pelo banco durante mais de cinco meses.
Depois de uma investigação interna, a instituição determinou que os US$ 20.809,51 pertenciam a outro cliente. Fagon foi então procurada para discutir a devolução do dinheiro por engano e compareceu ao banco, onde confirmou que não esperava receber aquele valor.
Tentativa de recuperar dinheiro acabou chegando à polícia
Após identificar o erro, o banco informou Fagon de que o dinheiro teria de ser devolvido. A documentação citada pelas fontes indica que ela concordou inicialmente em solucionar a dívida dentro de um prazo estabelecido.
Como a instituição não recebeu a solução esperada, o caso chegou às autoridades policiais. O BVI News relatou em novembro de 2019 que Fagon havia sido formalmente acusada de furto e que o processo poderia ser julgado no Tribunal Superior. Naquela fase, a responsabilização definitiva ainda não havia sido decidida.
Valor integral foi devolvido depois da prisão
A situação financeira mudou após a intervenção das autoridades. De acordo com a decisão reproduzida pelo London Daily, o banco posteriormente informou à polícia que os US$ 20.809,51 haviam sido restituídos integralmente por Fagon.
Essa devolução seria considerada mais tarde no momento da sentença. O juiz observou que ressarcir integralmente a instituição aparentemente não havia sido fácil para a ré e tratou essa atitude como um elemento favorável na avaliação final do caso.
Tribunal considerou uso do dinheiro uma conduta grave
Kerron Fagon acabou respondendo por um crime de furto envolvendo US$ 20.809,51 e assumiu responsabilidade ao se declarar culpada. Ao analisar o caso, o juiz Richard Floyd considerou grave o fato de ela ter se beneficiado de um erro contábil cometido pela instituição financeira.
O magistrado também entendeu que ela havia rapidamente se apropriado do valor depois de tomar conhecimento dos recursos. Ao mesmo tempo, a sentença não ignorou fatores favoráveis, como ausência de condenações anteriores, cooperação com a polícia, restituição integral, admissão de responsabilidade e demonstração de arrependimento.
Pena terminou em 12 meses de liberdade condicional
Depois de ponderar os fatores do processo, Floyd decidiu não aplicar uma punição mais severa e determinou 12 meses de liberdade condicional, acompanhados de condições específicas. Fagon deveria permanecer sob supervisão de um agente responsável pelo acompanhamento de sua pena.
Entre as determinações estavam manter bom comportamento, comparecer ao Tribunal Superior quando solicitada, comunicar previamente mudanças de endereço ou emprego e participar de tratamento ou aconselhamento indicado pelo serviço de acompanhamento. As medidas poderiam incluir orientação sobre prevenção de furtos e gestão financeira.
Dinheiro por engano virou caso judicial anos após simples erro bancário
O episódio começou com um lançamento incorreto de US$ 20.809,51, passou por retiradas de US$ 20 mil, envio dos recursos à Jamaica, compra de veículo, início de uma casa e manutenção de uma criação de porcos. Terminou com devolução integral do dinheiro e uma sentença criminal.
O caso mostra que dinheiro por engano disponível em uma conta pode desencadear consequências muito maiores quando o titular sabe que não esperava receber o valor e decide utilizá-lo. Na sua opinião, ao perceber uma quantia claramente inesperada na conta, a responsabilidade de comunicar o banco deve ser imediata ou a instituição deveria assumir integralmente as consequências do próprio erro? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

