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Pesquisadores mergulham por até 7 horas numa gigantesca caverna submersa de Mato Grosso, descem além de 130 metros e já mapeiam quase 2 km de galerias escondidas sob o Brasil enquanto novos canais continuam aparecendo no escuro
Escrito por Ana Alice
Publicado em 22/08/2026 às 17:21
Atualizado em 22/08/2026 às 17:25
Ciência e Tecnologia
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Sob o cerrado de Mato Grosso, uma rede de galerias inundadas segue revelando passagens, grandes profundidades e caminhos ainda desconhecidos enquanto pesquisadores tentam entender como a água circula por esse sistema subterrâneo.
A entrada fica no cerrado de Mato Grosso, mas o que existe abaixo da superfície ainda não cabe completamente em um mapa.
Em Nobres, pesquisadores estão seguindo galerias inundadas que já os levaram além dos 130 metros de profundidade e por quase 2 quilômetros de caminhos subterrâneos, enquanto novas passagens continuam sendo identificadas durante as expedições.
A exploração ocorre no Parque Estadual Gruta da Lagoa Azul, principalmente na região da Dolina do Pai João, uma formação natural que dá acesso a uma extensa rede inundada.
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A área fica a cerca de 120 quilômetros de Cuiabá e vem sendo estudada em sucessivas campanhas que combinam espeleologia, geologia, hidrologia e mergulho técnico.
Na quarta etapa divulgada em 2026, a equipe permaneceu dez dias na região.
Os mergulhadores chegaram a passar entre cinco e sete horas debaixo d’água em uma única operação, período que inclui não apenas a exploração das passagens, mas também as longas etapas necessárias para retornar com segurança depois de permanecer em grandes profundidades.
O que eles procuram não é apenas descobrir até onde a caverna vai.
Cada nova galeria ajuda a montar uma espécie de mapa das águas escondidas sob essa parte de Mato Grosso e pode trazer pistas sobre de onde a água vem, por onde circula e como diferentes cavidades da região podem se relacionar.
Quase 2 quilômetros de galerias já foram mapeados em Nobres
Em quatro expedições, os pesquisadores já ultrapassaram 130 metros de profundidade e percorreram aproximadamente 2 quilômetros de galerias inundadas, segundo informações divulgadas em junho de 2026 pelo portal Primeira Página.
A extensão conhecida aumentou conforme novas rotas foram abertas e medidas pelos mergulhadores.
Isso não significa que a caverna tenha apenas 2 quilômetros.
O número representa o que já foi alcançado e registrado nas linhas de exploração, enquanto setores permanecem sem mapeamento completo.
Durante a campanha mais recente, a equipe identificou dois grandes canais que se conectam a aproximadamente 115 metros de profundidade.
A partir dessa junção, os mergulhadores encontraram acesso a uma galeria ainda maior, que segue como alvo das pesquisas.
É justamente nesse ponto que a escala do sistema começa a ficar mais clara.
Mesmo depois de anos de trabalho e de mergulhos que atravessam boa parte de um dia, ainda existem caminhos sem resposta e trechos em que a luz das lanternas alcança espaços que não haviam sido incorporados aos mapas anteriores.
Cabos-guia e sensores ajudam a mapear a caverna submersa
Explorar uma caverna completamente inundada é diferente de mergulhar em mar aberto.
Depois que o pesquisador entra em uma galeria, não existe a possibilidade de simplesmente subir verticalmente até a superfície caso seja necessário interromper o mergulho.
Por isso, cabos-guia fazem parte do sistema utilizado para registrar e orientar o percurso.
Sensores associados ao trabalho de levantamento coletam informações que permitem reconstruir posteriormente a rota percorrida dentro da rocha.
Com esses dados, a equipe produz mapas que ajudam a decidir onde o próximo mergulho deve avançar.
O objetivo é transformar um ambiente que, durante a exploração, aparece apenas no alcance limitado das lanternas em uma representação capaz de mostrar profundidade, direção e conexão entre diferentes passagens.
O pesquisador Sergio Rhein Schirato, ligado à Universidade de São Paulo e à exploração das cavernas da região, aparece entre os autores de um trabalho científico sobre as cavidades de Pai João e João Terêncio.
O estudo reuniu mapas subaquáticos e informações geológicas para começar a entender como funciona o aquífero cárstico de Nobres.
Água subterrânea pode percorrer grandes profundidades
A geologia ajuda a explicar por que essas cavernas são importantes.
A região possui terrenos cársticos, formados em rochas que podem ser dissolvidas lentamente pela água ao longo de grandes períodos, criando vazios, canais e cavernas subterrâneas.
Parte das pesquisas anteriores identificou características associadas a sistemas chamados vauclusianos, nos quais a água subterrânea percorre condutos profundos e volta em direção à superfície sob pressão.
É uma dinâmica que pode fazer uma nascente esconder, abaixo dela, um caminho muito maior do que aquilo que aparece externamente.
O estudo científico sobre Pai João e João Terêncio mostrou diferenças entre as duas cavidades.
João Terêncio apresenta características de uma nascente com fluxo ascendente, enquanto Pai João funciona de outra maneira, com a água ocupando uma dolina conectada a condutos profundos.
Uma dúvida importante continua aberta: essas cavernas fazem parte de um mesmo sistema hidrológico ou representam redes independentes?
Os levantamentos científicos publicados até agora não permitiram fechar essa questão com segurança.
Chegar à Dolina do Pai João já exige uma operação própria
Antes mesmo de começar o mergulho, existe outro desafio: transportar pessoas e equipamentos até a entrada.
Na Dolina do Pai João, a equipe precisa vencer terreno íngreme e levar cilindros, sistemas de mergulho e materiais de apoio até uma área abaixo do nível do entorno.
Em 2024, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso participou da estrutura de segurança montada para a pesquisa.
Os militares instalaram sistemas de ancoragem para movimentar materiais e realizaram simulações antes das operações em profundidade.
“Para poder fazer isso, fizemos uma avaliação das árvores e da vegetação para identificar quais eram as mais adequadas para montar essa estrutura”, explicou o 1º sargento Édson de Oliveira Sá sobre o trabalho de apoio realizado para permitir a movimentação dos equipamentos.
Uma câmara hiperbárica também integrou a infraestrutura de segurança das expedições anteriores.
O trabalho científico publicado posteriormente informa que os procedimentos adotados permitiram realizar as operações sem incidentes e que o equipamento de emergência não precisou ser utilizado.
Por que os mergulhos podem durar até sete horas
Passar cinco, seis ou sete horas debaixo d’água não significa permanecer todo esse período avançando por galerias desconhecidas.
Em mergulhos muito profundos, uma parte significativa do tempo pode ser consumida pelo retorno controlado à superfície.
Quanto mais fundo e mais longa é a exposição, mais cuidadoso precisa ser esse processo.
A descompressão pode exigir paradas prolongadas, razão pela qual explorar algumas centenas de metros adicionais de uma passagem subterrânea pode transformar-se em uma operação de muitas horas.
Isso também limita quanto terreno pode ser investigado em cada tentativa.
O mergulhador precisa considerar o caminho de ida, o retorno, as reservas previstas para a operação e o período necessário para deixar as grandes profundidades.
O ambiente acrescenta outras dificuldades.
Há setores estreitos, regiões com sedimentos que podem reduzir a visibilidade e passagens muito maiores, onde a dimensão real só se revela à medida que os fachos de luz percorrem as paredes.
Assista o vídeo
Rick Stanton participa da exploração em Mato Grosso
A equipe de 2026 reuniu pesquisadores brasileiros e alguns dos nomes mais conhecidos internacionalmente no mergulho em cavernas.
Entre eles estava Rick Stanton, britânico que integrou a operação de resgate do time juvenil de futebol e de seu treinador presos na caverna Tham Luang, na Tailândia, em 2018.
Depois de conhecer o sistema de Mato Grosso, Stanton avaliou que a região ainda oferece potencial para muitos anos de exploração.
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A declaração combina com o que as próprias expedições vêm mostrando: mesmo após diferentes campanhas, novos caminhos continuam surgindo.
Também participou Jarrod Jablonski, diretor da Global Underwater Explorers, organização internacional envolvida no projeto.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

