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China vai afundar 34 “prédios de concreto” de 3.500 toneladas cada no mar, leva estruturas de até 5 andares em diques flutuantes e começa a montar uma muralha submarina de 675 metros com precisão centimétrica
Escrito por Ana Alice
Publicado em 22/08/2026 às 17:03
Atualizado 22/08/2026 às 17:48
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Uma obra marítima na costa chinesa reúne estruturas gigantes de concreto, transporte sobre plataformas flutuantes e sistemas de posicionamento de alta precisão para montar, peça por peça, um quebra-mar ligado a um novo complexo energético.
Imagine um bloco de concreto com altura comparável à de um prédio de cinco andares, pesando 3.500 toneladas, sendo colocado sobre uma estrutura flutuante, rebocado lentamente mar adentro e depois baixado até o fundo com precisão medida em centímetros.
Essa operação já começou na costa de Qingdao, na província chinesa de Shandong.
No início de agosto de 2026, equipes instalaram o primeiro dos 34 enormes caixões de concreto que formarão o quebra-mar sul de 675 metros de um novo complexo ligado à infraestrutura marítima e energética da região.
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Chamados tecnicamente de caixões, esses elementos não são prédios convencionais que serão simplesmente jogados ao mar.
São grandes estruturas pré-fabricadas de concreto, com dimensões que chegam a 16,07 metros por 24,19 metros e entre 12 e 15 metros de altura, transportadas de maneira controlada até o ponto exato em que passam a integrar a estrutura marítima.
A primeira unidade instalada mostra por que a comparação com um edifício ajuda a visualizar a escala da obra.
Além do tamanho, cada peça possui sistemas próprios para transporte, posicionamento e descida, enquanto uma combinação de GPS, cálculos de estabilidade e monitoramento eletrônico acompanha uma operação em que vento, ondas, correntes e marés podem mudar as condições rapidamente.
Primeiro caixão de 3.500 toneladas já chegou ao fundo do mar
O avanço mais recente ocorreu na região marítima de Tianheng, no distrito de Jimo, em Qingdao.
A primeira estrutura foi levada até o mar em um dique flutuante puxado por rebocadores e instalada como uma das unidades principais do quebra-mar.
Embora o trajeto marítimo tivesse aproximadamente um quilômetro, o deslocamento levou perto de uma hora.
Depois da chegada à área de instalação, o dique flutuante conduziu o caixão até uma zona com cerca de 17 metros de profundidade, onde começou a etapa mais delicada da operação.
O processo envolve posicionamento por GPS, entrada controlada de água e preenchimento interno depois que a estrutura alcança sua localização planejada.
Segundo a imprensa chinesa que acompanhou a obra, a precisão alcançada na instalação foi da ordem de centímetros.
Na prática, isso significa colocar milhares de toneladas de concreto no fundo do mar sem depender apenas da posição visual de embarcações ou operadores.
O sistema precisa saber onde a peça está, como ela está inclinada e de que maneira está descendo enquanto as condições do oceano continuam atuando sobre toda a operação.
Estruturas de concreto podem chegar à altura de cinco andares
O número de 3.500 toneladas já chama atenção sozinho, mas as dimensões tornam a escala mais fácil de imaginar.
O primeiro caixão divulgado mede pouco mais de 16 metros em uma direção e 24 metros na outra, enquanto sua altura varia de 12 a 15 metros dependendo da unidade.
No ponto mais alto, a estrutura alcança uma altura comparável à de um edifício de cerca de cinco pavimentos.
É justamente por isso que veículos chineses passaram a descrever os caixões como “gigantes” de concreto durante a divulgação da operação.
Ao todo, o quebra-mar sul deverá receber 34 unidades desse tipo.
Elas serão posicionadas em sequência para formar a estrutura de gravidade prevista no projeto, modelo no qual o grande peso das peças ajuda a garantir estabilidade diante da ação das ondas e do próprio ambiente marítimo.
A obra integra o projeto de infraestrutura do Parque Industrial de Desenvolvimento Integrado de Energia Marinha de Qingdao.
Quando concluído, o quebra-mar fará parte da estrutura portuária destinada a apoiar uma base energética que reunirá atividades relacionadas a energia eólica offshore, energia solar fotovoltaica e hidrogênio.
Como a China transporta uma peça de 3.500 toneladas
Antes de chegar ao mar, cada caixão precisa deixar a área de fabricação sem sofrer danos e sem perder estabilidade.
Para isso, a equipe adotou uma sequência que começa com o levantamento da estrutura por grandes bolsas de ar e continua com o deslocamento interno até o dique flutuante.
Depois que o caixão é colocado sobre essa plataforma, rebocadores assumem o transporte marítimo.
Não basta, porém, apenas puxar o conjunto em direção ao local escolhido, porque o peso e o formato da peça exigem cálculos prévios sobre estabilidade durante a flutuação.
Os engenheiros verificam também o calado, que no transporte divulgado foi calculado em aproximadamente 8,7 metros.
Além disso, a saída precisa coincidir com condições adequadas de maré, criando janelas relativamente curtas em que o deslocamento pode ser realizado com segurança.
O planejamento divulgado prevê aproveitar as marés altas para manter o ritmo das operações.
A programação considerada pela equipe trabalha com a possibilidade de movimentar uma unidade a cada dois dias durante as janelas adequadas, com capacidade planejada de cerca de 12 por mês, embora o cronograma real continue sujeito às condições marítimas.
GPS ajuda a posicionar toneladas de concreto com precisão centimétrica
Uma das partes mais tecnológicas da obra aparece somente quando a estrutura já está sobre a água.
Depois do transporte, o caixão precisa descer exatamente na posição calculada para que as unidades seguintes possam se encaixar dentro da geometria prevista para o quebra-mar.
Para isso, a construção utiliza GPS e um sistema inteligente de monitoramento desenvolvido pela própria equipe, responsável por acompanhar em tempo real a postura e a descida da estrutura.
Um sistema automatizado também auxilia no controle da água utilizada durante o processo de submersão.
Cada caixão possui ainda 12 pontos de ancoragem, quatro válvulas de entrada de água e componentes previamente embutidos para o sistema de tração.
Essas partes são incorporadas durante a fabricação para evitar que adaptações importantes precisem ser feitas quando a estrutura já estiver pronta.
Nesse estágio, poucos centímetros podem fazer diferença na continuidade da construção.
O objetivo não é apenas chegar aproximadamente à região correta do fundo do mar, mas fazer com que cada unidade ocupe a posição prevista no projeto estrutural.
Construção dos caixões começa meses antes da instalação no mar
A etapa vista sobre a água representa apenas uma parte do trabalho.
Em 31 de março de 2026, o projeto já havia atingido outro marco com a concretagem da primeira grande unidade pré-fabricada, dando início à fase estrutural do quebra-mar sul.
Naquele estágio, informações divulgadas sobre a obra indicavam aproximadamente 1.300 metros cúbicos de concreto e 150 toneladas de aço para uma unidade do tipo apresentado.
Para sustentar a produção em série, foi montada uma área de pré-fabricação de cerca de 40 mil metros quadrados, equipada com grandes guindastes e espaços específicos para fabricação, cura e armazenamento.
A construção ocorre por segmentos, com grandes formas metálicas e bases modulares.
Segundo os responsáveis, algumas etapas de concretagem podem ser executadas em aproximadamente um dia por segmento, antes de começar o período necessário para cura e preparação da peça.
O ambiente marinho acrescenta outra preocupação: corrosão.
Como as estruturas permanecerão expostas à água salgada e à maresia, o concreto precisa atender a parâmetros específicos de resistência, enquanto cada unidade passa por verificações antes de ser liberada para transporte.
Vento, ondas e marés determinam a janela de instalação
Mesmo com milhares de toneladas envolvidas, uma das variáveis mais difíceis de controlar não está dentro do canteiro.
O quebra-mar fica em uma área marítima exposta, onde vento, ondas e correntes podem mudar durante o serviço.
Por esse motivo, as equipes acompanham previsões meteorológicas para encontrar a janela considerada adequada à movimentação.
Antes da partida, também são preparados procedimentos de lastro, inspeções de equipamentos e exercícios para situações de emergência.
A combinação ajuda a explicar por que transportar uma peça por apenas um quilômetro pode consumir quase uma hora.
Velocidade deixa de ser prioridade quando uma estrutura de 3.500 toneladas precisa permanecer estável sobre uma plataforma flutuante enquanto segue para um ponto previamente calculado.
Depois que ela chega, ainda é necessário aguardar e controlar a submersão.
Somente após o posicionamento e o preenchimento previsto no projeto a unidade passa efetivamente a funcionar como parte do quebra-mar.
Quebra-mar de 675 metros terá função ligada à energia
A estrutura completa terá 675 metros de extensão e fará parte de uma área portuária voltada ao desenvolvimento marítimo e energético de Qingdao.
O quebra-mar deverá proteger e dar suporte à infraestrutura do cais vinculada à futura base integrada de energia.
A CSCEC, grupo responsável pela divulgação internacional do avanço da obra, informa que o complexo deverá atender atividades ligadas à geração eólica no mar, à energia fotovoltaica e ao hidrogênio.
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Ana Alice
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O projeto também está inserido em uma expansão mais ampla da infraestrutura costeira da região.
Documentos públicos de Qingdao mostram que a primeira fase do empreendimento inclui ainda formação de terreno por aterro marítimo, proteção costeira, quebra-mares e vias de circulação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

