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Branco, marrom, azul ou verde? Entenda as diferenças e como é definida a cor dos ovos das galinhas
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 22/08/2026 às 23:31
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A cor do ovo é definida principalmente pela genética da galinha e pela deposição de pigmentos durante a formação da casca.
Um ovo de casca azul pode chamar mais atenção na prateleira do que outro completamente branco, mas isso não significa que tenha recebido uma alimentação especial ou que seja automaticamente mais nutritivo.
A explicação para a variedade que vai do creme ao chocolate e chega ao verde-oliva começa principalmente no DNA da galinha e nos pigmentos depositados enquanto a casca ainda está sendo formada.
Essa diferença visual pode parecer simples, mas envolve mecanismos biológicos capazes de produzir resultados bastante distintos entre linhagens.
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Segundo informações do Compre Rural em agosto de 2026, compostos específicos são incorporados em diferentes etapas e profundidades da casca, fazendo com que algumas tonalidades apareçam principalmente na superfície enquanto outras atravessem a estrutura mineral.
Cor do ovo não revela se alimento é melhor ou mais saudável
Uma das consequências mais importantes dessa explicação aparece na hora da compra. A cor da casca, sozinha, não permite concluir que determinado ovo possui maior valor nutricional.
O azul não é necessariamente mais saudável que o branco, assim como uma casca marrom não comprova que a ave foi criada em sistema caipira.
A qualidade nutricional depende de outros fatores relacionados à própria galinha e ao sistema produtivo, incluindo alimentação, idade, saúde, genética e manejo.
Isso significa que duas unidades visualmente muito diferentes podem ter características nutricionais semelhantes.
A aparência externa funciona muito mais como expressão biológica da linhagem do que como um selo de qualidade do conteúdo interno.
Pigmentação aparece enquanto a casca ainda está sendo construída
Antes de ganhar uma cor, o ovo passa por diferentes etapas dentro do aparelho reprodutivo da ave.
Sua casca é constituída principalmente por carbonato de cálcio. Essa estrutura mineral tende naturalmente para tonalidades claras, mas pode receber pigmentos enquanto o ovo percorre o oviduto.
A fase decisiva ocorre na região conhecida como glândula da casca, também chamada de útero.
É nesse ponto que a camada mineral ganha boa parte de sua espessura e, conforme as características genéticas daquela galinha, determinadas substâncias podem ser transportadas e incorporadas à estrutura.
A ave que produz ovos brancos apresenta pouca deposição dos pigmentos responsáveis pelos padrões marrons ou azul-esverdeados. Em outras linhagens, a situação muda completamente.
Ovo marrom recebe pigmentação principalmente na superfície
Um dos principais compostos responsáveis pelas tonalidades castanhas é a protoporfirina IX. Nas aves geneticamente predispostas a produzir ovos marrons, esse pigmento se acumula sobretudo nas áreas externas da casca e na cutícula.
Essa distribuição ajuda a explicar por que um ovo marrom pode apresentar interior da casca muito mais claro do que o lado externo. A intensidade também não precisa ser igual entre todas as galinhas.
Uma concentração menor de protoporfirina pode produzir tons mais claros, próximos do creme ou castanho suave. Em determinadas linhagens, uma deposição mais intensa resulta em cascas bem escuras, conhecidas popularmente como chocolate.
O DNA fornece a base para esse padrão, mas o tom final pode sofrer variações ao longo da vida da ave.
Idade e estresse podem alterar intensidade, mas não criar outra cor genética
A genética não significa que cada ovo colocado por uma mesma galinha terá exatamente a mesma tonalidade durante toda sua vida produtiva.
Idade, estresse, condições de criação, linhagem e algumas doenças podem modificar a intensidade ou a uniformidade da pigmentação.
Uma ave produtora de ovos marrons, por exemplo, pode apresentar variações entre tons mais claros e mais escuros em diferentes períodos. Isso, porém, não equivale a mudar completamente de padrão.
Uma galinha geneticamente associada à produção de casca marrom não passa a colocar ovos azuis simplesmente porque envelheceu ou recebeu uma ração diferente. O que tende a variar nesses casos é a força da pigmentação dentro do potencial definido geneticamente.
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Azul funciona de maneira diferente porque pigmento entra na estrutura
A casca azul envolve outro composto: a biliverdina. Enquanto a pigmentação marrom se concentra principalmente nas áreas mais externas, a biliverdina pode ficar distribuída de forma mais profunda pela matriz da casca.
O efeito pode ser percebido quando o ovo é quebrado. Em vez de apresentar apenas a parte externa colorida, a superfície interna de um ovo azul tende a conservar tonalidade azulada.
Essa característica abriu caminho para pesquisas sobre os mecanismos genéticos envolvidos na produção dessas cascas. Um dos genes associados ao fenômeno é o SLCO1B3, relacionado ao transporte da biliverdina.
Alteração genética ligada ao azul é herdável e não significa doença
Estudos realizados com populações de galinhas que produzem ovos azuis identificaram uma alteração próxima da área reguladora do gene SLCO1B3.
Trata-se de uma inserção de elemento retroviral conhecida como EAV-HP, que pode favorecer a atividade do gene na glândula responsável pela formação da casca.
O termo pode parecer associado a uma infecção atual, mas não significa que essas aves estejam doentes. Também não indica que sejam animais artificialmente modificados em laboratório.
É uma característica genética herdável que passou a ser transmitida entre gerações, integrando o patrimônio genético de determinadas populações.
As pesquisas indicam ainda que mecanismos associados aos ovos azul-esverdeados podem ter surgido separadamente em diferentes grupos de galinhas.
Verde surge quando mecanismos de pigmentação se combinam
Se o azul e o marrom dependem de compostos distintos, as tonalidades verdes mostram o que pode acontecer quando os dois sistemas aparecem juntos.
Uma casca que já possui biliverdina e apresenta base azulada pode receber também protoporfirina nas camadas mais externas. O resultado visual passa a assumir diferentes tonalidades de verde.
Quanto maior ou menor a participação de cada pigmento, mais o resultado pode se aproximar de um verde-claro, verde mais fechado ou oliva.
Isso explica por que ovos classificados comercialmente com a mesma cor nem sempre parecem idênticos quando colocados lado a lado. A diversidade depende tanto da combinação quanto da quantidade e da distribuição dos pigmentos.
Penas da galinha não são um guia seguro para prever o ovo
Uma associação popular relaciona aves claras a ovos brancos e galinhas marrons ou avermelhadas a cascas igualmente escuras.
Em algumas linhagens conhecidas comercialmente, essa relação pode até coincidir. Mas não se trata de uma regra biológica universal.
A genética responsável pela plumagem é diferente daquela que controla a pigmentação da casca.
O mesmo cuidado vale para a tentativa de prever o resultado observando a região do lóbulo da orelha da ave. Existem associações em algumas raças, mas também há exceções.
Para uma previsão confiável, é necessário considerar a genética e o histórico reprodutivo da linhagem.
Ração pode mudar a gema, mas não transforma casca branca em azul
A alimentação interfere profundamente na criação de galinhas. Uma dieta adequada afeta saúde, produtividade, qualidade estrutural do ovo e características de sua parte interna.
Determinados componentes da ração também podem alterar de maneira visível a pigmentação da gema. Isso não deve ser confundido, porém, com o mecanismo que determina a cor da casca.
Dar um alimento específico a uma ave produtora de ovos brancos não fará com que, de repente, ela passe a colocar ovos azuis.
As condições nutricionais e ambientais podem contribuir para alterações de intensidade em determinados casos, mas não substituem a informação genética que determina o padrão principal.
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Criadores conseguem selecionar galinhas pela aparência dos ovos
A diversidade ganhou também importância dentro do melhoramento de aves. A característica azul-esverdeada é associada ao chamado gene O, de oocyan, descrito como dominante em diferentes linhagens estudadas.
Isso permite que criadores utilizem cruzamentos para transmitir às gerações seguintes a capacidade de formar cascas azuladas.
O processo se torna mais complexo quando outros genes envolvidos nas tonalidades marrons e na intensidade dos pigmentos entram na seleção.
Com combinações planejadas, plantéis podem produzir ovos brancos, azuis, verdes, marrons e diversas tonalidades intermediárias. Há inclusive trabalhos voltados à seleção pela intensidade específica de azul ou verde.
Cor também pode aumentar interesse comercial pelo produto
Para a ave, a tonalidade resulta de processos biológicos. Para o mercado, porém, ela pode adquirir outro significado.
Ovos visualmente diferenciados chamam atenção, podem ser associados a determinadas linhagens e encontram consumidores dispostos a pagar mais por produtos percebidos como especiais.
Por isso, a cor deixou de representar apenas uma curiosidade da criação doméstica.
Ela pode ser incorporada à seleção genética, à diferenciação comercial e à estratégia de produtores interessados em oferecer uma cesta visualmente diversificada. Nada disso significa, porém, que uma tonalidade incomum torne o conteúdo automaticamente superior.
DNA da galinha começa a definir a cor antes de o ovo chegar ao ninho
Branco, marrom, azul e verde não são versões do mesmo ovo tingidas por alimentos ou tratamentos externos.
Cada resultado depende de mecanismos biológicos que começam a atuar enquanto a estrutura ainda está sendo formada dentro da galinha.
A protoporfirina IX explica grande parte dos marrons, enquanto a biliverdina participa das tonalidades azuis; quando esses sistemas se combinam, aparecem diferentes verdes e olivas.
O resultado visível na caixa do supermercado, portanto, conta mais sobre a genética da ave do que sobre a qualidade nutricional do alimento.
Para o consumidor, compreender essa diferença ajuda a separar aparência de nutrição. Para o produtor, abre espaço para trabalhar genética, seleção e valor comercial.
E é justamente isso que torna a cor do ovo tão particular: uma característica aparentemente decorativa é, na verdade, o resultado final de processos genéticos e bioquímicos definidos muito antes de a casca aparecer fora do organismo da galinha.
Fonte
Compre Rural
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

