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Após crise migratória da Venezuela, população em situação de rua no Brasil registrada no CadUnico quase dobra em três anos e chega a 392,4 mil pessoas em junho de 2026
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 24/08/2026 às 19:27
Atualizado em 24/08/2026 às 19:28
Economia
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A população em situação de rua registrada no CadUnico quase dobrou desde o início do terceiro mandato de Lula, com alta acelerada no Norte e avanço forte em Roraima, onde a crise migratória da Venezuela pesa sobre os números.
A população registrada como em situação de rua no Brasil quase dobrou em três anos e meio e chegou a 392,4 mil pessoas em junho de 2026, segundo a gazetadopovo.com.br. O avanço é de 97,4% desde dezembro de 2022, último mês antes da posse de Luiz Inácio Lula da Silva, quando o CadÚnico registrava 198,7 mil pessoas nessa condição.
O salto chama atenção não só pelo tamanho, mas pela velocidade. No período, a base federal incorporou, em média, 4,6 mil pessoas a mais por mês em situação de rua. Antes disso, entre 2019 e 2022, o ritmo médio era de cerca de 2 mil por mês.
Os números reforçam uma piora que não ficou concentrada em uma única região. Embora os maiores contingentes continuem no Sudeste, foi no Norte que a expansão proporcional mais disparou. E, em Roraima, o avanço ganhou uma dimensão ainda mais forte por causa da crise migratória da Venezuela.
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Norte lidera a alta e mostra avanço muito acima da média nacional
No Norte, o CadÚnico passou de 4,9 mil pessoas em situação de rua em janeiro de 2023 para 22,8 mil em junho de 2026. A alta foi de 367%, a maior entre todas as regiões do país.
O Nordeste também cresceu acima da média nacional, com aumento de 109%, saindo de 29,1 mil para 61 mil registros. Já Sudeste, Sul e Centro-Oeste tiveram altas menores, mas ainda expressivas: 85%, 83% e 79%, respectivamente.
Mesmo com esse avanço espalhado pelo país, o ritmo mais forte apareceu justamente nas regiões que convivem com pressões sociais e migratórias diferentes das dos grandes centros tradicionais. É aí que a leitura dos dados fica mais sensível.
Roraima quase multiplicou por sete os registros no CadÚnico
Em Roraima, estado que faz fronteira com a Venezuela, o número de pessoas em situação de rua cadastradas saiu de 1.460 em janeiro de 2023 para 10.162 em junho de 2026. O crescimento foi de quase sete vezes.
O avanço foi um dos mais acentuados do país no período analisado. Os dados do CadÚnico, porém, mostram a evolução dos registros e não permitem, isoladamente, determinar quais fatores provocaram esse aumento em Roraima. Por isso, não é possível atribuir diretamente a variação à crise migratória venezuelana apenas com base nesses números.
Em Rondônia, o aumento também foi forte, de 450%. São Paulo continua com o maior número absoluto de pessoas em situação de rua no país e, ainda assim, registrou alta de 88% no período.
Governo ampliou prioridade no Bolsa Família e lançou plano de R$ 982 milhões
Em julho de 2025, o governo federal passou a incluir famílias com pessoas em situação de rua entre os grupos prioritários para entrada no Bolsa Família, por meio de portaria. A medida foi apresentada como uma forma de ampliar a proteção social desse público.
Antes disso, em dezembro de 2023, o governo lançou o Plano Nacional Ruas Visíveis, com investimento inicial de R$ 982 milhões. Mesmo assim, os registros no CadÚnico continuaram subindo e, desde o anúncio, somaram mais 130 mil pessoas cadastradas.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome afirma que parte da alta se explica pela melhoria do cadastramento e pela retomada de capacitações para entrevistadores e operadores do sistema. A pasta também atribui o avanço a fragilização de vínculos familiares, violência, abuso, desemprego, crises econômicas e eventos climáticos extremos.
Os números, porém, seguem pressionando o debate público e político sobre a capacidade das políticas sociais de conter a escalada. O retrato que o CadÚnico mostra é de uma população em situação de rua maior, mais espalhada pelo país e ainda em crescimento.
Se você acompanha esse tema, vale compartilhar a matéria e deixar sua opinião sobre o avanço dos registros no CadÚnico.
Fonte
gazetadopovo.com.br
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

