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Síndrome da Abelha Rainha: por que algumas mulheres no topo das empresas passam a cobrar mais de outras mulheres, bloquear espaço e reproduzir a pressão de ambientes corporativos dominados por homens
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 24/08/2026 às 23:59
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Fenômeno estudado há décadas mostra como desigualdade de gênero, competição interna e escassez de cargos podem influenciar o comportamento de lideranças femininas nas empresas.
A chamada Síndrome da Abelha Rainha descreve situações em que mulheres em cargos elevados passam a agir com maior rigor, distanciamento ou resistência diante de outras profissionais.
O comportamento pode surgir em ambientes corporativos nos quais poucas mulheres chegam às posições de liderança e precisam disputar espaço em estruturas predominantemente masculinas.
Pesquisas da psicologia organizacional indicam que esse padrão não deve ser interpretado como uma característica natural da personalidade feminina.
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A literatura relaciona o fenômeno principalmente à desigualdade de gênero, à pressão por aceitação e à competição por posições de poder dentro das empresas.
Síndrome da Abelha Rainha começou a ser estudada na década de 1970
O termo Queen Bee Syndrome surgiu em 1974, em um trabalho de Graham Staines, Carol Tavris e Toby Epstein Jayaratne.
A expressão passou a ser utilizada para descrever mulheres que alcançavam posições de destaque e demonstravam distanciamento em relação a outras profissionais.
O tema ganhou espaço posteriormente em estudos de psicologia social e comportamento organizacional.
Em 2011, Belle Derks, Naomi Ellemers, Colette van Laar e Kim de Groot analisaram o fenômeno em ambientes profissionais.
Os pesquisadores observaram que o comportamento estava associado principalmente a contextos marcados por discriminação de gênero e culturas empresariais masculinas.
Ambiente corporativo pode criar um modo de sobrevivência profissional
A presença reduzida de mulheres nos cargos mais altos pode gerar uma percepção de escassez de oportunidades.
Essa situação aumenta a pressão sobre profissionais que conseguem alcançar posições de liderança.
Algumas executivas passam a adotar comportamentos tradicionalmente valorizados em estruturas corporativas masculinas para reforçar sua aceitação.
Características relacionadas ao cuidado ou à empatia também podem ser rejeitadas durante esse processo.
A profissional busca demonstrar que pertence ao grupo dominante e que conquistou sua posição seguindo critérios rígidos.
Esse mecanismo pode levar ao distanciamento de outras mulheres e ao aumento das cobranças sobre subordinadas.
Cobranças excessivas e silenciamento aparecem no cotidiano das empresas
A Síndrome da Abelha Rainha pode se manifestar de diferentes formas dentro das organizações.
Uma das principais é a aplicação de padrões distintos de cobrança entre homens e mulheres.
Funcionárias podem enfrentar exigências maiores relacionadas à produtividade, à jornada de trabalho e ao nível de perfeccionismo.
Ideias apresentadas por mulheres também podem receber menos espaço durante reuniões e decisões estratégicas.
Demandas relacionadas à família ou à gravidez podem enfrentar maior resistência.
A lógica adotada por algumas lideranças parte da ideia de que outras profissionais também precisam superar dificuldades semelhantes às enfrentadas anteriormente.
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Viviane Alves
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Rivalidade pode prejudicar a retenção de talentos
A competição estimulada pela escassez de cargos pode se transformar em uma barreira para o crescimento de outras profissionais.
Esse ambiente também pode prejudicar a retenção de talentos e o avanço da diversidade nas empresas.
A presença feminina no topo, quando tratada como exceção, pode aumentar a percepção de que poucas vagas estão disponíveis.
Esse cenário reforça a competição entre mulheres e dificulta a criação de redes internas de apoio profissional.
Em 2016, Derks, Van Laar e Ellemers retomaram essas evidências em uma revisão publicada na revista científica The Leadership Quarterly.
Os pesquisadores destacaram que comportamentos associados à Síndrome da Abelha Rainha precisam ser analisados dentro do contexto organizacional.
Cultura empresarial tem papel central na quebra do ciclo
A superação do fenômeno depende de mudanças na estrutura das próprias empresas.
A ampliação da presença feminina em posições de comando reduz a percepção de que existe espaço apenas para poucas profissionais.
Políticas internas de equidade também podem diminuir a pressão por adaptação a modelos de liderança tradicionalmente masculinos.
Uma revisão sistemática publicada em 2024 no Scandinavian Journal of Psychology voltou a analisar as causas e as consequências do fenômeno.
A literatura reforça que a Síndrome da Abelha Rainha está ligada às condições organizacionais que favorecem seu aparecimento.
O apoio entre lideranças e profissionais também pode contribuir para reduzir esse tipo de dinâmica.
Abrir espaço, promover novas profissionais e criar oportunidades mais equilibradas ajuda a enfraquecer a lógica de competição por exceção.
O que muda quando mais mulheres chegam ao topo?
A presença feminina em diferentes níveis de liderança pode reduzir a ideia de que apenas poucas mulheres conseguirão avançar.
Esse processo também pode transformar a cultura interna das organizações e ampliar as oportunidades de crescimento profissional.
A mudança depende de uma combinação entre equidade, diversidade, apoio entre lideranças e revisão das práticas empresariais.
A Síndrome da Abelha Rainha, portanto, não deve ser tratada apenas como um conflito entre mulheres.
O fenômeno revela como ambientes competitivos e estruturalmente desiguais podem influenciar comportamentos dentro das empresas.
Na sua opinião, o que pesa mais nesse tipo de situação: o comportamento individual das lideranças ou a cultura corporativa que estimula a competição? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

