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Empresa sueca treina corvos para catar bitucas de cigarro nas ruas em troca de comida, corta custos de limpeza em até 75% e reduz problema urbano gigantesco
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 25/08/2026 às 06:39
Atualizado em 25/08/2026 às 06:40
Meio Ambiente
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Corvos treinados na Suécia passaram a recolher bitucas de cigarro em troca de comida, num teste que pode cortar custos de limpeza e reduzir parte de um problema urbano gigantesco.
Uma startup sueca desenvolveu um método para treinar corvos a recolher bitucas de cigarro das ruas e depositá-las em uma máquina em troca de comida. O projeto da Corvid Cleaning ganhou repercussão internacional no fim de janeiro e início de fevereiro de 2022, quando estava sendo preparado e testado em Södertälje, cidade próxima de Estocolmo.
A proposta misturava limpeza urbana, redução de custos e comportamento animal. A cada bituca colocada no equipamento desenvolvido pela empresa, os pássaros recebiam uma pequena quantidade de alimento como recompensa.
Na época, a Corvid Cleaning apresentava a iniciativa como uma possível forma de reduzir os gastos associados à coleta manual desse tipo de lixo. Os animais eram selvagens e, segundo o fundador da empresa, participavam voluntariamente do processo de treinamento.
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Além do caráter incomum da experiência, o projeto buscava enfrentar um problema de grande escala. Dados citados pela Keep Sweden Tidy Foundation indicavam que mais de 1 bilhão de bitucas eram descartadas nas ruas da Suécia por ano e representavam 62% do lixo encontrado no país.
Corvos eram recompensados com comida pelas bitucas recolhidas
O sistema desenvolvido pela Corvid Cleaning seguia um mecanismo de recompensa. O corvo pegava a bituca, levava o resíduo até uma máquina e o depositava no equipamento. Depois da entrega, recebia alimento.
Christian Günther-Hanssen, fundador da empresa, afirmou à época que os animais utilizados eram selvagens e participavam voluntariamente.
A escolha dos corvos estava relacionada à capacidade de aprendizagem dessas aves. Segundo Günther-Hanssen, elas seriam relativamente fáceis de ensinar e também teriam a capacidade de aprender umas com as outras.
O empresário considerava ainda que havia menor risco de os animais confundirem os resíduos utilizados no treinamento com alimento.
Projeto foi divulgado em Södertälje no início de 2022
A iniciativa não surgiu em 2026. O projeto ganhou divulgação pública no início de 2022.
Em 27 de janeiro daquele ano, reportagens na Suécia informavam que a Corvid Cleaning vinha treinando corvos selvagens e preparava o método para testes em Södertälje.
Poucos dias depois, em 1º de fevereiro de 2022, o projeto ganhou repercussão internacional, com reportagens explicando o funcionamento da máquina e a possibilidade de utilizar os pássaros na coleta de bitucas deixadas nas ruas e praças da cidade.
Assim, a iniciativa deve ser entendida como um experimento desenvolvido e divulgado naquele período, e não como uma novidade surgida em 2026.
Södertälje gastava 20 milhões de coroas por ano com limpeza das ruas
Na época em que o projeto foi divulgado, Södertälje gastava aproximadamente 20 milhões de coroas suecas por ano com limpeza urbana, valor então equivalente a cerca de £1,6 milhão.
As bitucas estavam entre os resíduos encontrados nas ruas e ajudavam a pressionar o custo da limpeza.
Günther-Hanssen estimava que o método desenvolvido por sua empresa poderia reduzir em pelo menos 75% os custos relacionados especificamente à coleta das bitucas.
Esse percentual, porém, era uma projeção do fundador da Corvid Cleaning, e não uma economia já comprovada pelo município.
Outras estimativas divulgadas na época indicavam que a coleta convencional de uma bituca poderia custar entre 80 öre e 2 coroas suecas, enquanto o sistema proposto pela empresa poderia reduzir esse custo para aproximadamente 20 öre por unidade.
Economia de 75% era uma estimativa, não resultado já alcançado
O potencial de redução dos custos dependia diretamente da quantidade de resíduos que os pássaros conseguissem recolher.
Isso significa que a estimativa de economia de pelo menos 75% não representava um resultado obtido após a implantação em larga escala.
O projeto ainda precisava passar por testes e avaliações antes de uma eventual utilização mais ampla na cidade.
Além da viabilidade econômica, havia preocupação com a saúde dos próprios animais por causa do contato com resíduos urbanos.
Tomas Thernström, estrategista de resíduos de Södertälje ouvido nas reportagens da época, afirmou que seria necessário avaliar o desenvolvimento da iniciativa e que sua continuidade também dependeria de financiamento.
Experimento colocou inteligência dos corvos a serviço da limpeza urbana
A iniciativa da Corvid Cleaning chamou atenção por transformar uma característica conhecida dos corvídeos — a capacidade de aprender comportamentos e associá-los a recompensas — em uma possível ferramenta de limpeza urbana.
Em vez de substituir completamente os métodos tradicionais, a proposta procurava descobrir se os animais poderiam assumir parte da coleta de um resíduo pequeno, abundante e caro de retirar individualmente das ruas.
A experiência também expôs uma contradição destacada pelos responsáveis pelo projeto: enquanto era possível treinar corvos para recolher as bitucas, o problema original continuava sendo provocado pelo descarte inadequado feito pelas pessoas.
Divulgado em 2022, o experimento de Södertälje tornou-se um exemplo de tentativa incomum de combinar comportamento animal, tecnologia e gestão de resíduos. O potencial de economia de 75% permaneceu apresentado como uma estimativa da empresa para a coleta de bitucas, e não como redução de custos já demonstrada em toda a cidade.
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Fonte
The Guardian
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

