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Com dificuldade para conseguir emprego, mãe volta a estudar ao lado da filha de 15 anos, dorme só 4 horas por noite, transforma o celular em ferramenta de estudo, concilia livros com cozinha e limpeza da casa, faz as mesmas provas que a filha adolescente e fica em primeiro lugar no exam
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 25/08/2026 às 07:15
Atualizado em 25/08/2026 às 07:16
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Sem a certificação da Class 10, Mehar Banu enfrentava dificuldades até para conseguir emprego. Anos depois, transformou o celular em ferramenta de estudo, conciliou livros com cozinha e limpeza da casa, fez as mesmas provas que a filha adolescente e conquistou a maior nota entre candidatos privados de Tirunelveli, na Índia.
Voltar à escola depois de anos afastada já seria um desafio para qualquer adulto, mas M. S. Mehar Banu decidiu fazer isso aos 38 anos enquanto continuava cuidando da casa e acompanhava a própria filha adolescente nos estudos. Para conseguir se preparar, chegou a dormir apenas quatro ou cinco horas por noite.
Moradora de Melapalayam, no distrito de Tirunelveli, no sul da Índia, ela carregava havia anos uma etapa escolar não concluída que já havia limitado até suas oportunidades de trabalho. A decisão de retomar os livros ganhou força quando viu a filha Musthahema, de 15 anos, preparando-se para as provas públicas da Class 10.
Meses depois, mãe e filha participaram do mesmo ciclo de exames em 2026 e ambas foram aprovadas. Musthahema alcançou 438 pontos de um total de 500, enquanto Mehar Banu marcou 329 e conseguiu um resultado ainda mais simbólico: terminou em primeiro lugar no distrito entre os candidatos privados.
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Filha de 15 anos ajudou a mãe a transformar o celular em ferramenta de estudo
A volta aos estudos começou dentro da própria casa. Ao perceber o interesse da mãe em retomar a formação, Musthahema instalou no celular dela um aplicativo com conteúdos da Class 10, criando uma maneira prática de aproveitar os poucos momentos livres disponíveis durante o dia.
Em vez de usar esses intervalos apenas para assistir a vídeos curtos ou navegar pelas redes sociais, Mehar Banu começou a acessar o material de estudo pelo telefone. Nos meses finais antes das provas, ela também passou a frequentar um curso preparatório privado para reforçar as disciplinas que seriam cobradas.
A situação criou uma dinâmica incomum entre mãe e filha. Enquanto Musthahema seguia normalmente o percurso escolar de uma adolescente, a mãe precisava recuperar conteúdos depois de anos afastada, ao mesmo tempo em que mantinha praticamente intactas as responsabilidades da vida adulta.
Cozinha, limpeza e tarefas domésticas deixavam pouco tempo para estudar
O principal obstáculo não estava apenas nas matérias, mas na falta de tempo. Mehar Banu continuava responsável por cozinhar, limpar e cuidar das atividades domésticas, o que fazia com que os estudos precisassem ocupar os pequenos espaços que sobravam entre uma obrigação e outra.
Ela própria chamou atenção para o volume de trabalho envolvido na manutenção de uma casa e para o pouco tempo que restava depois dessas atividades. Como não podia simplesmente abandonar as tarefas diárias, passou a reorganizar a rotina e estudar em praticamente todos os intervalos disponíveis.
O esforço acabou atingindo também o descanso. Durante a preparação para os exames, Mehar Banu relatou que dormia apenas quatro ou cinco horas por noite, uma redução significativa que permitia reservar mais tempo para os livros sem deixar de cumprir as responsabilidades domésticas.
Falta da Class 10 já havia fechado portas na busca por emprego
Concluir essa etapa da educação não era apenas uma questão pessoal. Antes de retomar os estudos, Mehar Banu já havia tentado conseguir emprego, mas encontrou dificuldades justamente porque não possuía a certificação exigida em diferentes processos de contratação.
Segundo seu relato ao Times of India, empresas privadas e oportunidades ligadas a órgãos públicos exigiam a Class 10, fazendo com que a ausência do certificado se transformasse em uma barreira concreta. Voltar a estudar, portanto, também significava ampliar as possibilidades profissionais que haviam permanecido fechadas.
A Diretoria de Exames Governamentais de Tamil Nadu mantém uma estrutura própria para pessoas que prestam o SSLC fora do percurso escolar convencional. Esses participantes são classificados como candidatos privados e seguem regras específicas para realizar as provas oficiais do estado.
Mãe e filha fazem as provas no mesmo ciclo e as duas conseguem aprovação
Depois de meses estudando lado a lado, as duas chegaram às provas de 2026 com trajetórias completamente diferentes, mas com o mesmo objetivo imediato. Musthahema, aos 15 anos, fazia o exame como parte natural da vida escolar, enquanto Mehar Banu tentava finalmente concluir uma etapa deixada para trás.
O resultado trouxe uma dupla comemoração para a família. A adolescente conquistou 438 pontos de um máximo de 500, enquanto a mãe terminou com 329 pontos e garantiu a aprovação que buscava depois de tantos anos longe daquele nível de ensino.
Os 329 pontos, porém, representaram mais do que simplesmente passar na prova. Entre todos os candidatos privados do distrito de Tirunelveli, Mehar Banu obteve a maior pontuação, transformando a retomada dos estudos aos 38 anos em uma conquista reconhecida publicamente.
Aos 38 anos, ela ficou em 1º lugar entre candidatos privados de Tirunelveli
O primeiro lugar precisa ser entendido dentro do contexto correto. Mehar Banu não teve a maior nota entre todos os estudantes de Tamil Nadu nem entre todos os alunos regulares de Tirunelveli, mas alcançou a melhor pontuação do distrito dentro da categoria de candidatos privados.
A distinção torna o resultado relevante justamente porque reúne pessoas que fazem o exame fora da trajetória escolar convencional. É um grupo que pode incluir candidatos que interromperam os estudos anteriormente e depois procuram uma nova oportunidade para obter a certificação.
Em 2026, o SSLC de Tamil Nadu teve taxa geral de aprovação de 94,31%, de acordo com os resultados divulgados no estado. O índice chegou a 96,47% entre as meninas e ficou em 92,15% entre os meninos, mostrando a dimensão de um exame realizado em larga escala no sistema educacional local.
Class 10 não equivale diretamente à conclusão do ensino médio brasileiro
Para leitores brasileiros, existe uma diferença importante na interpretação dessa conquista. A Class 10 faz parte de uma estrutura educacional diferente da adotada no Brasil e não deve ser apresentada simplesmente como se Mehar Banu tivesse concluído integralmente o ensino médio brasileiro.
A Diretoria de Exames Governamentais de Tamil Nadu distingue oficialmente o SSLC, relacionado à Class 10, do Higher Secondary Examination, correspondente à Class 12. São etapas diferentes, com exames próprios realizados dentro do sistema educacional do estado indiano.
A própria trajetória de Mehar Banu deixa essa diferença evidente. Depois de conseguir a aprovação na Class 10, ela não encerrou os estudos e já começou a se preparar para a Class 12, que representa uma etapa posterior de sua formação.
Marido se emociona e chora durante homenagem pela conquista
O resultado também rendeu uma homenagem pública. Depois de conquistar a maior pontuação entre os candidatos privados de Tirunelveli, Mehar Banu recebeu reconhecimento pelo desempenho em uma cerimônia que contou com a presença do apresentador de televisão Gopinath.
Na plateia estava Shibahathullah, marido de Mehar Banu e trabalhador diarista, que havia apoiado a decisão de voltar a estudar junto com outros integrantes da família. Ao vê-la sendo homenageada depois de acompanhar toda a preparação, ele se emocionou e chorou durante a cerimônia.
A reação mostrou o peso que aquela aprovação havia adquirido dentro da família. Não se tratava apenas dos 329 pontos, mas do resultado de meses nos quais Mehar Banu precisou dividir o mesmo dia entre tarefas domésticas, estudo, responsabilidades familiares e poucas horas de descanso.
Depois do primeiro lugar, a próxima meta já é chegar à Class 12
Conseguir a Class 10 poderia ter encerrado uma pendência antiga, mas Mehar Banu decidiu continuar. Aos 38 anos e depois do primeiro lugar entre os candidatos privados de seu distrito, ela já iniciou a preparação para as provas da Class 12.
A mudança é significativa porque aquilo que começou como uma tentativa de recuperar uma etapa escolar perdida transformou-se em um novo projeto de formação. A certificação que antes fazia falta até na busca por emprego passou a funcionar como ponto de partida para continuar avançando nos estudos.
A história também guarda uma inversão pouco comum entre gerações. Foi ao observar a filha estudar que Mehar Banu encontrou o impulso para voltar aos livros, e foi a própria adolescente quem colocou no celular da mãe uma das ferramentas que ajudariam na preparação.
No fim, as duas estudaram lado a lado, participaram do mesmo ciclo de exames e comemoraram juntas a aprovação. Enquanto Musthahema seguia naturalmente sua trajetória escolar, Mehar Banu mostrava, aos 38 anos, que uma etapa interrompida anos antes ainda poderia ser retomada — e concluída no topo da classificação de sua categoria no distrito.
Você acredita que histórias como a de Mehar Banu podem incentivar mais adultos a voltar aos estudos depois de anos afastados? Conte sua opinião nos comentários.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

