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Mãe solo deixou os filhos no Brasil para tentar recomeçar sozinha na Irlanda, após ganhar quase R$ 2 mil como cuidadora e ser demitida por uma lesão no joelho; 3 anos depois, conseguiu trazer os quatro legalmente e hoje planeja a cidadania irlandesa
Escrito por Carla Teles
Publicado em 25/08/2026 às 14:56
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A experiência profissional como técnica de enfermagem e cuidadora abriu para Adriana, mãe solo de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, um caminho de trabalho na Irlanda que começou com uma vaga em home care aproximadamente um mês após sua chegada, em janeiro de 2020. Depois vieram mudanças de modalidade de trabalho, busca por uma empresa compatível com sua regularização, reunião familiar e novos custos para instalar os dependentes no país.
A brasileira permaneceu aproximadamente três anos fisicamente distante dos filhos antes de conseguir reuni-los na Irlanda por categorias migratórias diferentes. Na sequência, a família precisou lidar com outro obstáculo concreto da instalação: Adriana relatou ter passado cerca de seis meses procurando uma casa e, na época da entrevista ao Bolder Podcast, publicada em 3 de agosto de 2025, pagava € 2.650 mensais de aluguel.
Técnica de enfermagem já trabalhava como cuidadora antes de deixar o Brasil
Antes da Irlanda, Adriana já estava inserida no setor de cuidados. Ela contou que trabalhava como cuidadora por meio de uma cooperativa, atendendo uma criança em Nova Iguaçu, e cumpria plantões de 48 horas seguidas, seguidos por dois dias em casa. O deslocamento também fazia parte da rotina: segundo seu relato, eram quase três horas para ir e tempo semelhante para retornar.
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A remuneração chegava perto de R$ 2 mil mensais. Adriana disse que o valor era destinado principalmente ao aluguel, alimentação e ao pagamento de pessoas que ficavam com os filhos durante seus períodos de trabalho. Essa experiência prática, posteriormente combinada à formação técnica em enfermagem, tornou-se relevante quando ela passou a buscar oportunidades profissionais fora do Brasil.
Lesão no joelho antecedeu formação profissional e mudança de carreira
A trajetória que levou Adriana ao setor de cuidados passou antes por outra relação de trabalho. Ela afirmou ter recebido, em 2013, diagnóstico de condromalácia patelar e ter comunicado ao supermercado onde trabalhava que possuía limitações para subir escadas e carregar peso.
Segundo a versão apresentada por Adriana, o quadro se agravou em 2015 e, quando informou que precisaria se afastar para tratamento, foi demitida. Ela contestou a situação judicialmente e também relatou uma disputa envolvendo o INSS. Como a fonte é uma entrevista pessoal, a reportagem registra esses acontecimentos como o relato da própria trabalhadora, sem documentação dos processos para verificação independente.
Formação em enfermagem transformou experiência prática em qualificação profissional
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Durante o período em que tratava a condição do joelho, Adriana iniciou o curso técnico de enfermagem. Depois da alta, passou a atuar profissionalmente na área, somando formação formal à experiência de cuidado que já acumulava.
Esse ponto foi importante para o caminho que ela desenhou posteriormente. Adriana não chegou à Irlanda sem uma área profissional definida: ela já pretendia trabalhar com cuidados e havia pesquisado como utilizar a experiência adquirida no Brasil em um mercado estrangeiro.
Indenização foi utilizada como capital para financiar a migração
Após pesquisar possibilidades de mudança, Adriana procurou uma agência de intercâmbio. Os Estados Unidos apareciam em seus planos antigos, mas, segundo ela, a comprovação financeira exigida tornava aquele caminho difícil naquele momento. A Irlanda surgiu então como alternativa.
Adriana afirmou que venceu o processo movido contra a antiga empresa e recebeu uma indenização. O recurso foi utilizado para financiar sua saída do Brasil e a instalação inicial no exterior, enquanto os filhos permaneceram temporariamente sob os cuidados de pessoas de confiança.
Experiência profissional ajudou na contratação cerca de um mês após a chegada
Adriana desembarcou na Irlanda em janeiro de 2020 com a intenção explícita de continuar trabalhando como cuidadora. Na acomodação ligada à escola onde estudaria inglês, uma conversa com o marido de sua anfitriã acabou levando ao contato com um recrutador brasileiro.
Ela fez uma entrevista e relatou que, em fevereiro de 2020, cerca de um mês depois de chegar, já estava contratada para atuar em home care. No caso de Adriana, a experiência profissional brasileira contribuiu para uma entrada rápida no setor, mas o relato não permite generalizar esse prazo para outros trabalhadores.
Inglês básico mostrou risco de comunicação em emergências no trabalho de cuidados
A contratação rápida também expôs uma limitação relevante para profissões ligadas à saúde. Adriana contou que seu inglês ainda era básico e que, em uma das primeiras situações de trabalho, encontrou uma cliente caída e precisou se comunicar com paramédicos.
Como não dominava suficientemente o idioma naquele momento, pediu auxílio a uma vizinha. O episódio mostra que experiência técnica não elimina a necessidade de comunicação funcional em atividades que podem envolver emergências, avaliação de risco e contato com equipes de saúde. A própria Adriana afirmou que não aconselharia profissionais a entrar precipitadamente na função sem um nível mínimo de inglês.
Pandemia alterou demanda e rotina de profissionais do setor
Adriana chegou à Irlanda pouco antes da pandemia de Covid-19. Em março de 2020, com as mudanças na rotina do país, relatou que passou a trabalhar mais horas e atuou em duas empresas durante o período.
Ela também continuou fazendo cursos e acumulando experiência profissional. Para sua trajetória migratória, a pandemia funcionou como uma mudança do mercado de cuidados, aumentando a relevância desses trabalhadores e coincidindo posteriormente com novas possibilidades de regularização para determinadas funções, conforme descreveu no podcast.
Permissão de trabalho levou brasileira de home care para nursing home
Adriana disse que preferia trabalhar em home care, mas a modalidade disponível naquele momento não oferecia o caminho de regularização que buscava. Segundo seu relato, a possibilidade de permissão de trabalho passou a estar ligada a vagas em nursing homes, estabelecimentos de cuidados residenciais.
Isso exigiu uma mudança profissional. Ela começou a enviar currículos e participar de entrevistas, mas encontrou resistência porque algumas empresas pagavam abaixo do valor que, segundo ela, era necessário para a aplicação. Após aproximadamente duas semanas de procura, encontrou uma empresa disposta a seguir com o processo de permissão de trabalho.
Regularização profissional antecedeu possibilidade de reunir a família
A estabilização no mercado de trabalho não trouxe os filhos imediatamente para a Irlanda. Adriana explicou que, no processo migratório vivido por ela, precisou cumprir um período antes de poder avançar na reunião familiar.
A situação resultou em aproximadamente três anos entre a saída da mãe solo do Brasil e a mudança dos filhos para a Irlanda. Durante esse intervalo, ela permaneceu trabalhando no país enquanto acompanhava financeiramente e à distância a educação dos jovens no Brasil.
Três anos separaram chegada da mãe e mudança dos quatro jovens
Adriana relatou que continuou pagando escola, professores particulares e cursos de inglês para os filhos enquanto eles permaneciam no Brasil. A preparação linguística foi pensada também para reduzir dificuldades quando a mudança finalmente ocorresse.
A separação faz parte da trajetória, mas o intervalo também revela uma consequência prática do caminho de imigração profissional adotado: conseguir emprego e regularização não significou reunir imediatamente todos os integrantes da família no mesmo país.
Filhos entraram na Irlanda por categorias migratórias diferentes
Quando a reunião familiar aconteceu, todos os jovens não utilizaram exatamente a mesma via. Adriana explicou que os menores entraram como dependentes, enquanto os dois mais velhos chegaram com visto de estudante, situação que exigiu pagamento de cursos e documentação específica.
Outro detalhe aparece na composição da família: Adriana afirmou que um dos jovens mais velhos era originalmente seu sobrinho e posteriormente foi adotado oficialmente por ela. O caso evidencia que reunir uma família pode envolver categorias migratórias diferentes conforme idade e situação individual de cada integrante.
Reunião familiar criou novo desafio de moradia e aluguel chegou a € 2.650
Trazer os jovens resolveu apenas uma parte da instalação. Com mais pessoas sob o mesmo teto, Adriana precisava encontrar um imóvel compatível com a composição familiar e com a renda disponível.
Ela afirmou ter passado cerca de seis meses procurando casa e disse que enfrentava dificuldades relacionadas à proporção entre renda e custo do imóvel. Após conseguir ajuda de uma imobiliária indicada por brasileiros, fechou a locação. Na entrevista de 2025, informou pagar € 2.650 por mês, com contribuição dos filhos que já trabalhavam e apoio governamental calculado conforme renda e composição familiar.
Moradia mostrou que reunião familiar também depende de capacidade financeira
O caso de Adriana acrescenta uma dimensão econômica ao processo. Ter autorização para reunir dependentes não elimina a necessidade de encontrar uma moradia capaz de acomodar a família e que seja aceita dentro dos critérios financeiros utilizados pelos locadores.
No relato dela, quantidade de moradores, renda e valor do aluguel influenciaram a procura. Assim, a reunião familiar passou a se cruzar diretamente com outro mercado: o imobiliário. Para uma família maior, a disponibilidade de habitação e o custo mensal podem se transformar em uma segunda barreira depois da documentação migratória.
Escola precisou apoiar adaptação linguística dos dependentes
A integração dos filhos trouxe também demandas educacionais. Kimberly chegou à Irlanda aos 16 anos e contou que o inglês aprendido no Brasil ajudou, mas não eliminou as dificuldades de comunicação no ambiente escolar.
Adriana afirmou que a escola ofereceu aulas específicas de inglês e outros mecanismos de apoio. Em uma das primeiras avaliações de Kimberly, uma professora chegou a preparar a prova em português para facilitar a transição linguística, segundo o relato. O episódio funciona como exemplo das necessidades de integração que podem surgir depois que dependentes chegam ao país.
Nem todos os integrantes apresentaram o mesmo ritmo de adaptação
O processo também não produziu uma experiência uniforme para todos os jovens. Adriana contou que um dos filhos mais velhos decidiu fazer uma pausa e retornar temporariamente ao Brasil porque não havia se adaptado à Irlanda naquele momento.
Ela disse ter respeitado a decisão e organizado sua permanência com a avó. O relato reforça que regularização migratória, autorização de permanência e integração efetiva são etapas diferentes, especialmente quando uma família reúne pessoas de idades e trajetórias distintas.
Mudanças de status migratório reduziram dependência de empregador
Mais adiante, Adriana relatou outra mudança em sua situação migratória. Segundo sua descrição, depois de ter passado pela permissão de trabalho vinculada à trajetória profissional, conseguiu uma autorização que lhe permitia permanecer no país sem depender diretamente de um empregador patrocinador.
Ela afirmou ter solicitado essa mudança após problemas com uma empresa e disse que o processo levou em consideração sua permanência, histórico e situação no país. O relato mostra como condições de emprego e status migratório podem permanecer interligados mesmo anos depois da chegada do trabalhador estrangeiro.
Cidadania permaneceu como objetivo futuro, não direito já concedido
Na entrevista publicada em agosto de 2025, Adriana afirmou que ainda aguardava completar o período de residência que considerava contabilizável para solicitar a cidadania irlandesa. Ela deixou claro que planejava fazer a aplicação quando atingisse esse marco.
A transcrição disponível apresenta de forma truncada o ano mencionado por ela, portanto não é seguro reproduzir uma data exata para o futuro pedido. Também não há base para afirmar que a cidadania já tenha sido concedida. A cidadania irlandesa permanecia como etapa futura de um percurso migratório ainda em andamento.
Caso mostra como emprego, permissão, moradia e dependentes se cruzam na imigração profissional
Retirada a dimensão exclusivamente pessoal da história, ainda permanece uma sequência concreta de decisões e obstáculos profissionais: formação técnica no Brasil, experiência como cuidadora, contratação em home care, necessidade de inglês funcional, mudança para nursing home, permissão de trabalho, espera antes da reunião familiar, categorias distintas para os filhos e busca por uma moradia compatível.
Adriana é o caso concreto de como mercado de trabalho, setor de cuidados, imigração profissional e custo de instalação podem se cruzar ao longo de vários anos. A condição de mãe solo faz parte desse percurso, mas não substitui os fatores profissionais, migratórios e financeiros que determinaram cada etapa.
Na sua opinião, qual é a etapa mais difícil para um profissional que pretende trabalhar legalmente na Irlanda e posteriormente levar os filhos: conseguir emprego, obter a documentação adequada, pagar a moradia ou organizar a reunião familiar? Conte nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

