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O “torpedo do juízo final” deixa de ser apenas ameaça no papel: Rússia coloca no mar submarino nuclear construído para carregar o Poseidon, arma autônoma de alcance gigantesco projetada para cruzar oceanos em segredo
Escrito por Ana Alice
Publicado em 26/08/2026 às 23:42
Atualizado em 26/08/2026 às 23:52
Ciência e Tecnologia
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A primeira saída ao mar do Khabarovsk torna mais concreto um programa russo cercado por sigilo, propaganda e dúvidas técnicas, enquanto a plataforma dedicada ao Poseidon entra em uma fase decisiva de testes.
O programa russo do Poseidon entrou em uma nova etapa em agosto de 2026, quando o submarino nuclear de propósito especial Khabarovsk, do Projeto 09851, foi visto pela primeira vez navegando fora das instalações da Sevmash, em Severodvinsk, rumo ao Mar Branco.
A embarcação foi concebida especificamente para operar sistemas submarinos especiais e é apontada como a primeira plataforma construída desde o início em torno da missão associada ao Poseidon.
Registros em fontes abertas indicam que a saída ocorreu em 16 de agosto de 2026.
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O Barents Observer informou que o submarino iniciou testes de mar no Mar Branco, embora, até a divulgação das imagens, Sevmash, Ministério da Defesa da Rússia e meios estatais russos ainda não tivessem anunciado oficialmente o início dessa campanha.
O movimento é importante porque transforma o Khabarovsk de um submarino conhecido principalmente por cerimônias, imagens de estaleiro e estimativas técnicas em uma embarcação efetivamente navegando durante a fase de testes.
Ao mesmo tempo, ainda há uma grande diferença entre ir ao mar e entrar em serviço operacional com o Poseidon.
Khabarovsk foi desenvolvido para uma missão submarina especial
O Khabarovsk não é um submarino estratégico convencional equipado com mísseis balísticos e também não se encaixa perfeitamente na categoria tradicional dos submarinos nucleares de ataque.
Projetado pelo Rubin Central Design Bureau e construído pela Sevmash, em Severodvinsk, o Projeto 09851 foi apresentado oficialmente pela Rússia como um submarino destinado ao emprego de armamentos submarinos modernos e sistemas robóticos.
A associação direta com o Poseidon aparece de forma recorrente em análises especializadas e também foi reconhecida publicamente por fontes russas após a retirada da embarcação do galpão de construção.
Em 1º de novembro de 2025, a Sevmash confirmou oficialmente a cerimônia de retirada do Khabarovsk do galpão.
O evento teve a presença do ministro da Defesa Andrei Belousov, do comandante da Marinha russa, Alexander Moiseev, e de dirigentes da indústria naval.
Foi outro marco de um programa iniciado muitos anos antes.
A construção do Khabarovsk começou em 27 de julho de 2014, em Severodvinsk.
Desde então, boa parte de suas características permaneceu protegida pelo nível de sigilo aplicado aos projetos submarinos estratégicos russos.
Poseidon combina propulsão nuclear e capacidade nuclear
O Poseidon é descrito oficialmente pela Rússia como um veículo submarino não tripulado movido por energia nuclear, concebido para operar a grandes profundidades e percorrer distâncias extremamente longas.
Quando Vladimir Putin apresentou publicamente o programa em março de 2018, afirmou que o sistema poderia transportar cargas convencionais ou nucleares e atacar diferentes tipos de alvos, inclusive infraestrutura costeira.
O presidente russo também atribuiu ao equipamento alcance intercontinental e velocidades superiores às de submarinos e torpedos convencionais.
Essas características transformaram o Poseidon em uma das peças mais controversas do arsenal estratégico russo.
Parte dos dados divulgados sobre velocidade, alcance, profundidade e capacidade de sobrevivência, entretanto, vem de declarações do próprio governo russo e não pode ser verificada de maneira independente em sua totalidade.
Em novembro de 2025, Putin voltou a tratar do sistema e afirmou que testes haviam sido realizados com sucesso.
Em cerimônia no Kremlin dedicada aos desenvolvedores do Poseidon e do míssil Burevestnik, declarou que o veículo foi projetado para operar em profundidades de até 1.000 metros.
O governo russo apresenta o Poseidon como parte de sua estratégia de dissuasão nuclear.
Na prática, o conceito busca acrescentar uma rota submarina a um arsenal estratégico historicamente baseado principalmente em mísseis terrestres, bombardeiros e submarinos lançadores de mísseis balísticos.
Belgorod já estava ligado ao programa Poseidon
Há uma diferença importante entre o Khabarovsk e outra embarcação russa frequentemente associada à arma.
O Belgorod, Projeto 09852, já foi utilizado no desenvolvimento do programa Poseidon e tornou-se o primeiro grande submarino publicamente relacionado ao sistema.
No entanto, sua origem é diferente.
O Belgorod deriva de um casco originalmente destinado a um submarino do Projeto 949A, conhecido no Ocidente como classe Oscar II, que posteriormente foi profundamente modificado para missões especiais.
O Khabarovsk, por outro lado, foi concebido desde o início como uma plataforma de propósito especial, o que explica o peso dado à sua primeira saída para o mar.
Analistas especializados avaliam que sua arquitetura utiliza soluções relacionadas à família Borei, mas com mudanças significativas, especialmente porque não possui a seção destinada aos grandes mísseis balísticos dos submarinos estratégicos russos.
Capacidade do Khabarovsk para transportar Poseidon ainda é estimada
Uma das informações mais repetidas sobre o Khabarovsk é a possibilidade de transportar até seis unidades do Poseidon.
Essa configuração aparece em análises do Naval News, do U.S. Naval Institute e de outras publicações especializadas em guerra naval.
Moscou, porém, não publicou uma ficha técnica completa do submarino confirmando oficialmente esse número.
Dimensões exatas, deslocamento, configuração dos compartimentos de lançamento e diversos aspectos do sistema de combate continuam sujeitos a estimativas produzidas a partir de imagens, informações abertas e comparação com outros projetos russos.
Isso exige cautela.
O fato de existir uma embarcação projetada para essa missão está documentado.
Já a configuração interna completa do Khabarovsk permanece parcialmente desconhecida publicamente.
Primeira viagem ao mar abre fase de testes do Khabarovsk
A aparição do submarino no Mar Branco em agosto de 2026 não significa que ele já esteja pronto para patrulhas operacionais.
Antes de uma embarcação nuclear desse tipo ser incorporada à Marinha, seus sistemas precisam passar por diferentes etapas de avaliação.
É nessa fase que são observados aspectos ligados a navegação, propulsão, comportamento do casco, sistemas embarcados e funcionamento geral do submarino.
O Barents Observer informou que o Khabarovsk estava realizando testes no Mar Branco após deixar Severodvinsk.
A publicação também destacou que não havia confirmação oficial russa sobre aquela saída específica quando as primeiras informações foram divulgadas.
A expectativa reportada por fontes especializadas é que, depois do processo de testes e eventual aceitação pela Marinha, o Khabarovsk seja destinado à Frota do Pacífico.
Ainda não há uma data pública segura para sua entrada definitiva em serviço.
Assista o vídeo
Programa Poseidon passa da propaganda para uma infraestrutura concreta
Durante anos, grande parte da atenção em torno do Poseidon esteve concentrada em animações divulgadas pelo Kremlin, declarações de autoridades, imagens ocasionais e análises sobre suas possíveis características.
Isso começou a mudar à medida que os elementos físicos do programa se tornaram mais visíveis.
O Belgorod entrou em serviço, o governo russo anunciou testes do Poseidon e, em novembro de 2025, o Khabarovsk finalmente deixou o galpão de construção.
Agora, em agosto de 2026, o submarino especialmente associado a essa missão foi visto navegando durante aquela que é apontada como sua primeira campanha de testes no mar.
Isso ainda não prova que o conjunto Khabarovsk-Poseidon esteja operacional.
Também não confirma todas as capacidades atribuídas ao torpedo nuclear pela Rússia.
Mas mostra que o programa já possui muito mais do que desenhos e declarações políticas: há submarinos, instalações de apoio, testes reportados e uma plataforma dedicada passando por uma das etapas necessárias antes de uma eventual incorporação à frota.
Em um sistema desenvolvido justamente para ser difícil de localizar e prever, a principal questão agora é quando o Khabarovsk deixará de ser um submarino em testes para se tornar uma plataforma efetivamente operacional do Poseidon.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

