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Banco Central liga sinal de alerta e orienta famílias a manter dinheiro vivo em casa para cobrir cerca de 72 horas de despesas caso apagões, falhas de internet ou panes derrubem cartões e sistemas de pagamento na Dinamarca
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 27/08/2026 às 17:33
Atualizado em 27/08/2026 às 17:34
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A referência é de 250 coroas dinamarquesas por morador, preferencialmente em notas pequenas e moedas, dentro de uma estratégia que combina dinheiro, cartões de bandeiras diferentes e transferências bancárias para enfrentar interrupções temporárias nos meios eletrônicos.
O Banco Central da Dinamarca orienta as famílias a manter uma pequena reserva de dinheiro em espécie disponível em casa para pagar alimentos e outras despesas essenciais caso cartões, aplicativos ou sistemas de pagamento fiquem temporariamente indisponíveis.
Na orientação oficial para cidadãos, o Danmarks Nationalbank usa 250 coroas dinamarquesas por pessoa da residência como referência, quantia considerada suficiente para cobrir as necessidades básicas da maioria dos lares por pelo menos três dias.
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O valor não é uma obrigação nem uma recomendação de saque elevado. A instituição ressalta que cada família deve considerar seu próprio padrão de consumo, o número de moradores e os produtos que já mantém em casa para decidir se precisa de uma reserva maior.
O cálculo toma como base um gasto de aproximadamente 70 coroas por adulto ao dia com alimentação, a partir de dados utilizados pelo banco central. A quantia sugerida inclui uma margem acima das despesas previstas para o período de 72 horas.
A orientação é manter o dinheiro preferencialmente em moedas e notas de menor valor. Isso facilita pequenas compras e reduz a necessidade de troco para estabelecimentos que passem a receber mais pagamentos em espécie durante uma interrupção dos sistemas eletrônicos.
O dinheiro também precisa estar disponível antes de uma emergência. Uma falha que afete cartões, conectividade ou outros componentes da infraestrutura pode limitar ou impedir o funcionamento de caixas eletrônicos justamente no momento em que consumidores tentarem sacar.
A reserva em espécie faz parte de uma estratégia mais ampla de contingência. O Danmarks Nationalbank recomenda que cada residência tenha pelo menos dois cartões físicos de bandeiras diferentes, como Dankort, Mastercard ou Visa, e que os usuários conheçam as respectivas senhas.
A lógica é reduzir a dependência de uma única rede. Uma falha que interrompa determinado sistema de cartões pode não atingir outra bandeira, o dinheiro físico ou uma transferência bancária, dependendo da infraestrutura afetada pelo problema.
O cartão físico também pode ter utilidade em situações nas quais o pagamento precisa ser processado de forma offline. Esse tipo de operação depende da preparação do estabelecimento e das condições do sistema, além de exigir que o consumidor tenha o cartão e a senha disponíveis.
A terceira alternativa recomendada é manter acesso a uma solução móvel capaz de fazer transferências diretamente entre contas, como o aplicativo do banco ou o MobilePay. Esse recurso pode continuar funcionando quando a interrupção estiver concentrada na infraestrutura dos cartões.
Dinheiro, cartões e transferências não dependem necessariamente dos mesmos sistemas, o que aumenta a chance de pelo menos uma forma de pagamento continuar disponível durante uma pane técnica, falha de internet ou outra interrupção operacional.
Episódios recentes ajudaram a demonstrar essa diferença. Em falhas que afetaram pagamentos com cartão em julho de 2025 e maio de 2026, consumidores ainda puderam recorrer a dinheiro em espécie e, em determinadas situações, a transferências instantâneas.
Em análise divulgada pelo Danmarks Nationalbank, o banco central registrou aumento das transferências desse tipo durante as interrupções e apontou que o dinheiro físico permaneceu disponível como alternativa na falha ocorrida em maio.
A Dinamarca também dispõe de mecanismos para pagamentos offline em parte do comércio. A estrutura de contingência permite operações com cartão ou carteira digital em estabelecimentos participantes mesmo quando a comunicação normal com a infraestrutura de pagamentos apresenta problemas.
País depende cada vez mais de pagamentos digitais
A orientação para guardar dinheiro ocorre em um país onde os meios eletrônicos dominam amplamente as transações. Mais de 90% dos pagamentos realizados na Dinamarca são digitais, enquanto o uso do celular continua ampliando sua participação nas compras presenciais.
O espaço ocupado pelas cédulas e moedas caiu de forma acentuada. Em 2025, o dinheiro respondeu por 9% dos pagamentos feitos no comércio físico, abaixo dos 11% registrados em 2023 e dos 23% observados em 2017.
Essa queda no uso diário não significa que o dinheiro tenha perdido completamente sua função. O banco central identificou que, entre os dinamarqueses que mantêm cédulas guardadas, a maior parte vê essa reserva como uma preparação para períodos em que pagamentos digitais possam falhar.
A instituição também registrou crescimento no número de pessoas que mantêm mais de mil coroas em espécie. A prática pode coexistir com uma rotina quase totalmente digital, porque o dinheiro guardado para contingência não precisa ser utilizado nas compras comuns.
Para comerciantes, a preparação segue a mesma lógica de diversificação. O Danmarks Nationalbank recomenda que lojas definam procedimentos para períodos em que os pagamentos não possam ser processados normalmente e avaliem alternativas como dinheiro, transferências entre contas e operações offline.
As 250 coroas por pessoa funcionam apenas como parâmetro, não como valor universal para todas as famílias. O objetivo da recomendação é garantir uma margem para despesas essenciais durante cerca de três dias sem depender exclusivamente de cartões, aplicativos ou conexão contínua.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

