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Pai de 57 anos e filho de 23 completam volta ao mundo de bicicleta, pedalam cerca de 30 mil quilômetros por 400 dias, atravessam 30 países e voltam com 3 recordes
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 27/08/2026 às 18:00
Atualizado em 27/08/2026 às 18:01
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George e Josh Kohler começaram como ciclistas iniciantes, deram a volta ao mundo de bicicleta entre março de 2025 e maio de 2026 e transformaram uma aventura familiar em três recordes específicos para pai e filho.
A volta ao mundo de bicicleta de George e Josh Kohler começou a tomar forma em um treino de apenas 16 quilômetros. Quando voltaram para casa, pai e filho mal conseguiam caminhar. Aquele começo doloroso parecia muito distante dos milhares de quilômetros que viriam depois.
Poucos anos depois, George, aos 57 anos, e Josh, aos 23, completaram cerca de 30 mil quilômetros em 400 dias. Eles saíram do Reino Unido em 29 de março de 2025 e retornaram em 2 de maio de 2026, depois de cruzar 30 países.
A informação foi publicada pela Cycling Weekly, revista britânica de notícias especializada em ciclismo. A distância percorrida equivale a aproximadamente 12 viagens rodoviárias entre Porto Alegre e Fortaleza.
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O treino de 16 quilômetros
Há cerca de cinco anos, os dois ainda eram ciclistas iniciantes. Josh teve a ideia depois de assistir, na escola, a uma palestra do aventureiro Leon McCarron e ler um livro sobre uma longa travessia de bicicleta pelos Estados Unidos.
Pai e filho compraram as bicicletas e começaram a treinar nos fins de semana. O primeiro percurso, com cerca de 16 quilômetros, deixou os dois exaustos e mostrou quanto preparo ainda seria necessário para pedalar longas distâncias todos os dias.
O avanço veio aos poucos. Eles atravessaram a Grã Bretanha de uma ponta à outra e, mais tarde, percorreram 6 mil quilômetros entre Nova York e São Francisco. Essas experiências deram confiança para um plano maior, cuja preparação levou um ano.
400 dias dividindo a estrada
A Cycling Weekly, revista britânica de notícias especializada em ciclismo, detalhou uma viagem iniciada em Norfolk, no Reino Unido, que passou por Europa, Ásia, Oceania e América do Sul. Durante mais de um ano, os dois alternaram dias longos sobre a bicicleta com hotéis baratos, barracas e hospedagens oferecidas por desconhecidos.
No Cazaquistão, um homem permitiu que dormissem no chão da mesquita que administrava. Na Austrália, um sistema de irrigação encharcou a barraca. Na China, eles acordaram e perceberam que a água do Rio Amarelo quase havia alcançado o local do acampamento.
A alimentação também precisou acompanhar o esforço. Em dias que chegaram a 200 quilômetros, eles gastavam entre 4 mil e 5 mil calorias. O cardápio incluiu pés de galinha, mingau com pernas de rã e cérebro de porco, prato que os dois não conseguiram comer.
A convivência constante provocava discussões quase todos os dias. Mesmo assim, pai e filho combinaram que não dormiriam irritados um com o outro. Ao final dos 400 dias, ambos avaliaram que a relação estava mais forte e que passaram a compreender melhor um ao outro.
Os momentos em que quase foram impedidos de continuar
Um dos trechos mais duros surgiu no sul da Austrália. Durante 60 dias de pedal, quase sempre havia vento contrário ou lateral, enquanto a temperatura chegou a 46 graus Celsius. A paisagem aberta oferecia pouca proteção contra o calor.
No Quirguistão, foram dois dias de subida por uma estrada de terra até um passo de montanha com mais de 3 mil metros de altitude. Josh ainda foi atacado por abelhas e deixou a bicicleta cair sobre o próprio pé. Quando encontraram asfalto, os dois beberam rapidamente uma garrafa de 2 litros de refrigerante.
O encontro mais delicado aconteceu no Planalto Tibetano, a cerca de 4 mil metros de altitude. Policiais chineses avisaram que estrangeiros não podiam continuar pelo condado em que eles estavam. Um dos agentes reconheceu a dupla pelos vídeos publicados nas redes sociais, pediu uma foto e ajudou a organizar o transporte até a cidade seguinte, de onde eles puderam retomar o percurso.
Outro risco apareceu quando o quadro de uma bicicleta rachou na Turquia. A substituição enfrentou atrasos na alfândega e precisou chegar até Tbilisi, na Geórgia, antes que o limite de 14 dias de parada comprometesse a tentativa de recorde.
Os três certificados na chegada
O retorno a Halvergate, em Norfolk, reuniu 70 ciclistas nos 25 quilômetros finais. Mais de 100 pessoas esperavam na chegada, junto com um representante do Guinness World Records, organização responsável por verificar e registrar as marcas.
Os três certificados reconheceram categorias bem definidas. Uma delas foi a circunavegação de bicicleta mais rápida por pai e filho, termo usado para uma volta completa ao redor do mundo. As demais registraram a maior viagem de bicicleta por pai e filho e o maior número de países visitados em uma viagem contínua de bicicleta por pai e filho.
A primeira categoria exige um cuidado importante de interpretação. O certificado reconhece a dupla na categoria formada por pai e filho. Portanto, não significa que George e Josh fizeram a volta ao mundo mais rápida entre todos os ciclistas.
A aventura também arrecadou recursos para o Fundo das Nações Unidas para a Infância, conhecido pela sigla UNICEF, e para a organização local Bicycle Links. A campanha ligada ao fundo ultrapassou 67 mil libras na semana da publicação, em 7 de maio de 2026, depois de começar com uma meta de 10 mil libras.
George e Josh saíram de uma primeira pedalada de 16 quilômetros, quando mal conseguiam andar, para uma jornada de cerca de 30 mil quilômetros. No caminho, enfrentaram calor extremo, grandes altitudes, imprevistos mecânicos e o desafio diário de conviver em família.
Os três recordes resumem os números da viagem, mas a transformação começou antes deles. O resultado veio de anos de treino e de uma decisão simples: continuar pedalando mesmo quando o desafio parecia grande demais.
Você encararia uma viagem de 400 dias ao lado de alguém da sua família? Conte nos comentários e compartilhe esta história com quem toparia essa aventura
Fonte
Cycling Weekly
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

