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Um guindaste baixou lentamente no mar um Boeing 737-200 de 30 metros, colocou o avião sobre bases a 27 metros de profundidade e, quase 20 anos depois, ele virou um recife incrível e fascinante
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 29/08/2026 às 12:24
Atualizado em 29/08/2026 às 12:41
Ciência e Tecnologia
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Aeronave aposentada após mais de 73 mil horas de voo foi descontaminada, preparada e afundada em 2006, passando quase duas décadas no fundo do mar até se transformar em habitat para inúmeras espécies marinhas locais
Um Boeing 737-200 aposentado foi colocado propositalmente no fundo do Estreito da Geórgia, no Canadá, em 14 de janeiro de 2006. Após anos de preparação e descontaminação, a fuselagem passou quase duas décadas sendo colonizada por peixes, esponjas, anêmonas, polvos e outros organismos marinhos.
O Boeing havia sido fabricado em 1975 e acumulado mais de 73.000 horas de voo antes de ser aposentado em 2001, devido à idade e a problemas estruturais.
Antes de chegar ao fundo do mar, o avião passou pelas frotas da Pacific Western Airlines, Canadian Airlines e Air Canada. Posteriormente, foi adquirido pela Qwest Air Parts para o aproveitamento de componentes.
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Motores, trem de pouso e outras peças reutilizáveis foram retirados no Aeroporto de Vancouver. Depois disso, a fuselagem chegou à Artificial Reef Society of British Columbia, a ARSBC.
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Boeing 737-200 exigiu quase quatro anos de preparação antes de ser afundado
A ideia de transformar o antigo avião de passageiros em uma estrutura para sustentar vida marinha surgiu em 2002. Entretanto, colocar a aeronave no oceano exigiria preparação ambiental e autorizações.
O trabalho levou quase quatro anos e envolveu centenas de horas de trabalho voluntário. Graxa, isolamento térmico e outros materiais capazes de provocar poluição foram retirados antes da operação.
As superfícies também passaram por limpeza, enquanto aberturas foram feitas na fuselagem. As modificações deveriam favorecer a colonização por organismos e permitir uma passagem mais segura para mergulhadores.
O projeto ainda precisou de licenças do Environment Canada e de seis comunidades das Primeiras Nações.
O ponto escolhido ficou ao largo da costa de Chemainus, na Ilha de Vancouver, aproximadamente 70 quilômetros ao norte de Victoria.
Fuselagem de 30 metros do Boeing ficou apoiada acima do fundo do mar
Em 14 de janeiro de 2006, um guindaste baixou lentamente o Boeing 737-200 até seu novo destino. A aeronave tinha aproximadamente 30 metros de comprimento.
No fundo, a fuselagem foi colocada sobre suportes de 3,3 metros. Essa configuração mantém o antigo avião elevado e permite que animais marinhos e mergulhadores passem por baixo da estrutura.
A profundidade máxima do local é de aproximadamente 27 metros. Grande parte da fuselagem permanece cerca de 21 metros abaixo da superfície.
Mergulhadores podem atravessar a antiga cabine de passageiros, observar os porões de carga e chegar até a cabine de comando. No espaço antes ocupado pela tripulação, pequenos peixes passaram a encontrar abrigo.
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Peixes, polvos, esponjas e anêmonas passaram a ocupar o antigo avião
Com o passar dos anos, as superfícies inicialmente nuas começaram a ser ocupadas por organismos marinhos, transformando gradualmente a estrutura industrial em habitat subaquático.
Na área foram registrados rockfish, lingcod e peixes jovens que utilizam a estrutura como abrigo. Esponjas, anêmonas-plumosas, lírios-do-mar, polvos, pepinos-do-mar e ouriços-do-mar vermelhos também aparecem entre os organismos encontrados.
O recife recebeu o nome Xihuw, termo da língua Hul’qumi’num relacionado aos ouriços-do-mar vermelhos que anteriormente eram abundantes nessas águas e tiveram suas populações reduzidas pela poluição e pela pesca excessiva.
O caso também mostra que simplesmente colocar estruturas no oceano não garante o mesmo resultado. Recifes artificiais dependem de fatores como localização, profundidade e projeto.
Embora possam sustentar comunidades de peixes comparáveis às existentes em estruturas naturais e funcionar como pontos de apoio para determinadas espécies, eles não representam uma solução automática para recuperar ecossistemas degradados.
No Xihuw, o processo começou antes do afundamento, com anos de planejamento, descontaminação, preparação da fuselagem e seleção do local.
Depois disso, a colonização marinha transformou gradualmente o antigo avião em um habitat no Pacífico canadense.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações fornecidas no material-base sobre a Artificial Reef Society of British Columbia e o recife artificial Xihuw, com dados, números e informações preservados conforme o material consultado.
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Fonte
https://www.xataka.com.br
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

