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Arqueólogos abrem pequeno amuleto de cobre enterrado há 1.500 anos na Turquia e encontram folha de ouro de 0,1 milímetro com possível passagem da Bíblia
Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 29/08/2026 às 17:55
Atualizado em 29/08/2026 às 17:56
Ciência e Tecnologia
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Descobertas em Türkmen Karahöyük incluem um amuleto cristão associado a uma criança e um selo luvita que revela a existência de uma administração estruturada na região há cerca de 3.500 anos.
Arqueólogos encontraram em Türkmen Karahöyük, na região central da Turquia, um amuleto cristão com uma fina lâmina de ouro e um selo de pedra de 3.500 anos, objetos separados por quase dois milênios de história.
Amuleto cristão guardava lâmina de ouro em recipiente de cobre
O amuleto cristão foi descoberto dentro de um pequeno recipiente de cobre. No interior, os pesquisadores encontraram uma lâmina de ouro com aproximadamente 0,1 milímetro de espessura, preservada desde o final do período romano.
A inscrição presente na lâmina ainda não foi totalmente publicada. A equipe responsável pela escavação acredita que o texto provavelmente foi retirado da Bíblia, mas a passagem exata e seu significado ainda não foram divulgados.
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Os arqueólogos avaliam que o objeto teria pertencido a uma criança pequena. O amuleto provavelmente era usado ou carregado como uma forma de proteção contra doenças, infortúnios ou danos considerados sobrenaturais.
Michele Rüzgar Massa, codiretora da escavação, comparou a função protetora da peça à de um amuleto contra o mau-olhado. Ela também ressaltou que objetos cristãos desse tipo são incomuns e citou um exemplar comparável encontrado anteriormente na Alemanha.
Amuletos contendo palavras sagradas, orações ou trechos bíblicos eram utilizados no mundo romano tardio. Seus proprietários acreditavam que a presença física do texto religioso poderia oferecer proteção divina.
O ouro era adequado para esse tipo de objeto por ser valioso e resistente à corrosão. Essa característica permitiu que uma lâmina extremamente fina atravessasse os séculos e chegasse preservada até a escavação.
A identificação completa da inscrição poderá mostrar se o conteúdo invocava cura ou proteção. Também poderá indicar se a lâmina guardava uma passagem específica relacionada a crianças, possibilidade ainda não confirmada pelos pesquisadores.
Selo de 3.500 anos identifica funcionário da Idade do Bronze
Outra descoberta feita em Türkmen Karahöyük pertence a um período muito anterior. Os arqueólogos encontraram um selo de pedra com sinais hieroglíficos luvitas, além de dois selos de cobre e um selo de argila.
O selo de pedra contém um nome próprio e um título oficial. O nome foi interpretado como Kurunti-ziti, associado a Kurunta, uma divindade conhecida nas tradições religiosas dos mundos hitita e luvita.
O funcionário identificado não aparenta ter ocupado o nível mais elevado do governo. Mesmo assim, a presença de um título oficial indica que o assentamento possuía uma hierarquia administrativa estruturada.
Os selos provavelmente eram empregados por funcionários na autenticação de documentos, recipientes ou mercadorias. Quando pressionados contra a argila úmida, deixavam marcas que serviam aos procedimentos de registro e controle administrativo.
Reunidos, os objetos indicam que Türkmen Karahöyük funcionou como um centro administrativo importante por volta de 1500 a 1400 a.C. O selo preservou tanto a identificação de uma pessoa quanto sua posição dentro daquela estrutura burocrática.
Hieróglifos luvitas registravam nomes, profissões e títulos
O luvita era uma língua indo-europeia falada na antiga Anatólia e estreitamente relacionada ao hitita. Ela foi registrada por meio da escrita cuneiforme e também de um sistema hieroglífico próprio.
Os hieróglifos luvitas combinavam sinais silábicos, usados para representar sons, com logogramas, que correspondiam a palavras ou ideias completas. Entre seus registros mais antigos estão selos produzidos durante o segundo milênio a.C.
Inscrições monumentais mais longas tornaram-se especialmente frequentes no sul da Anatólia e no norte da Síria depois do colapso do Império Hitita.
Como os selos podiam registrar nomes, profissões e títulos oficiais, essas peças preservam informações sobre pessoas que poderiam permanecer ausentes de outros registros históricos. O exemplar encontrado identifica Kurunti-ziti e sua participação na administração local.
Türkmen Karahöyük já havia despertado atenção internacional após a descoberta, em pesquisas anteriores, de uma inscrição monumental em hieróglifos luvitas. O monte está localizado na planície de Konya, área que conectava diferentes zonas políticas e culturais da antiga Anatólia.
Escavação reúne 150 participantes e investiga cinco áreas
O trabalho no sítio começou depois de seis anos de levantamento arqueológico e está em sua terceira temporada. O projeto é codirigido por Michele Rüzgar Massa, da Universidade Bilkent, e James Osborne, da Universidade de Chicago.
Hüseyin Erpehlivan, da Universidade Bilecik Şeyh Edebali, atua como vice-diretor. Aproximadamente 150 pessoas participam da escavação, incluindo cerca de 60 pesquisadores provenientes de 13 países.
A iniciativa também envolve as universidades de Bilkent, Chicago, Nova York e Pavia, além do Instituto Britânico em Ancara e da Prefeitura Metropolitana de Konya.
Os pesquisadores trabalham em cinco áreas distribuídas pelo monte. As camadas arqueológicas encontradas abrangem a Idade do Bronze, a Idade do Ferro, o período helenístico e a Antiguidade Tardia.
O selo pertenceu a um integrante da administração da Idade do Bronze. Quase dois mil anos depois, o amuleto cristão teria sido confiado a uma criança como objeto de proteção espiritual, segundo a interpretação apresentada pela equipe.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

