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Fábrica de ímãs de terras raras na Coreia do Sul salta de 130 MW para 750 MW de energia contratada para multiplicar por dez a produção, de 1.000 para 10.000 toneladas por ano, e reduzir a dependência da China
Escrito por Douglas Avila
Publicado em 30/08/2026 às 20:21
Atualizado em 30/08/2026 às 20:25
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A Evolution Metals & Technologies fechou com a estatal coreana KEPCO a ampliação da rede elétrica que alimenta sua planta de ímãs de terras raras em Pohang, e o número explica a ambição: potência quase seis vezes maior, terreno vinte vezes maior e uma produção que deve pular de mil para mais de dez mil toneladas anuais até o fim de 2026.
O anúncio saiu em 27 de agosto de 2026, em comunicado oficial da empresa americana distribuído pela GlobeNewswire. Segundo o texto, a Korea Electric Power Corporation, a KEPCO, vai elevar a capacidade elétrica da operação de Pohang dos atuais 130 megawatts para cerca de 750 megawatts. A empresa ainda fica com direito de preferência sobre qualquer potência adicional na região.
Não é só fio e subestação. Conforme o comunicado, a KEPCO deve bancar aproximadamente 90% dos custos de subestação, cabeamento e obras civis, enquanto a prefeitura de Pohang e a província de Gyeongbuk aprovaram, de forma condicional, um subsídio de cerca de US$ 20,7 milhões para construção e equipamentos. Ou seja, o poder público coreano está pagando boa parte da conta de uma fábrica cujo cliente final mira, sobretudo, a indústria americana.
De 24 mil para 482 mil pés quadrados
A fábrica atual em Pohang ocupa cerca de 24 mil pés quadrados, algo como 2,2 mil metros quadrados. De acordo com a empresa, o plano é chegar a aproximadamente 482 mil pés quadrados de área construída, perto de 45 mil metros quadrados. O terreno, de cerca de 1,3 milhão de pés quadrados, foi adquirido junto ao governo municipal de Pohang. A cidade é o berço da POSCO, uma das maiores siderúrgicas do planeta.
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A peça central desse salto são os equipamentos da japonesa ULVAC, fornecedora de máquinas de vácuo e sinterização usadas na fabricação de ímãs de alto desempenho. Conforme o comunicado, a entrega e a instalação estão marcadas para novembro de 2026. A energia nova deve chegar justamente quando a obra e a montagem das máquinas ficarem prontas.
Em reportagem da Interesting Engineering, o presidente do conselho da empresa, David Wilcox, resumiu a aposta: com material em conformidade com as regras de compras do Pentágono, histórico operacional comercial, operadores treinados, equipamentos a caminho, licenças, terreno, energia e dois países aliados, a companhia diz ter “a receita para desfazer permanentemente a dependência da cadeia de suprimentos da China em ímãs permanentes de terras raras”. É uma frase de executivo, claro, mas o contexto por trás dela é real.
Por que ímãs de terras raras viraram peça estratégica
Ímãs de neodímio-ferro-boro, os NdFeB, são os ímãs permanentes mais potentes que existem em escala comercial. Eles estão no motor de quase todo carro elétrico e no gerador das turbinas eólicas de acionamento direto. Também aparecem em robôs industriais e em uma lista longa de sistemas de defesa, de mísseis guiados a caças. Sem eles, a eletrificação e a automação simplesmente não funcionam no tamanho e no peso que a engenharia atual exige.
O problema é a concentração. Segundo dados da Agência Internacional de Energia, a China respondeu em 2024 por cerca de 60% da mineração das terras raras usadas em ímãs, por 91% do refino e por 94% da produção mundial de ímãs sinterizados, uma fatia que era de aproximadamente 50% em 2005. Em outras palavras, a China não só domina a matéria-prima como controla quase todo o produto acabado.
Além disso, há um relógio regulatório correndo nos Estados Unidos. A cláusula DFARS 252.225-7052, citada pela própria empresa, proíbe fornecedores do Departamento de Defesa americano de comprar ímãs produzidos na China, na Rússia, no Irã ou na Coreia do Norte. A partir de 1º de janeiro de 2027, conforme o comunicado, a restrição passa a alcançar também as etapas de mineração e refino. Por isso a pressa em ter dez mil toneladas prontas antes disso. Quem tiver ímã “limpo” no estoque no início de 2027 vende para um mercado que, por lei, não pode mais comprar do maior produtor do mundo.
Dá pra entender, então, por que uma empresa americana constrói na Coreia do Sul e não no Texas. O país aliado já tem a energia, a mão de obra metalúrgica, a vizinhança da POSCO e um governo disposto a subsidiar. A fábrica opera hoje com cerca de mil toneladas por ano, o que é pouco diante da demanda, mas serve como prova de que o processo funciona antes de multiplicá-lo por dez.
E o Brasil, que tem terras raras no chão de Goiás
Enquanto a Coreia monta a ponta final da cadeia, o Brasil está na outra ponta. Em Minaçu, no norte de Goiás, a Serra Verde opera o depósito de Pela Ema, um dos poucos jazimentos de argila iônica em produção fora da China. Segundo o governo de Goiás, a mina iniciou produção comercial em 2024 e, em plena capacidade, deve entregar pelo menos 5 mil toneladas por ano de óxido de terras raras, incluindo os quatro elementos que importam para ímãs: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
A diferença entre os dois projetos é justamente o degrau da cadeia. Goiás extrai e concentra o óxido; Pohang recebe metal já separado e transforma em ímã sinterizado, o produto que vai para dentro do motor. Entre um e outro há a separação e a metalização, etapas em que a China concentra mais de 90% da capacidade mundial. Confesso que é difícil olhar para esse mapa sem pensar na oportunidade perdida: o Brasil tem o mineral, mas por enquanto vende matéria-prima e compra ímã pronto.
O que vem depois, no caso coreano, é uma corrida contra o calendário. Novembro de 2026 é a data das máquinas da ULVAC e da energia nova. O fim do ano é o prazo declarado para as dez mil toneladas. Janeiro de 2027 é quando a regra americana aperta. Se a Evolution Metals cumprir esse cronograma, Pohang vira uma das poucas fontes de ímãs de terras raras em escala industrial fora da China, com cliente garantido por lei. Se atrasar, o mercado continua onde sempre esteve. Me conta nos comentários o que você acha disso.
O Brasil deveria investir para transformar as terras raras de Goiás em ímãs aqui, ou é melhor seguir exportando o óxido?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

