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Urso acorrentado ainda filhote passa cinco anos com o ferro entrando na própria carne até quase não conseguir respirar, é resgatado desnutrido e à beira da morte, sobrevive a uma cirurgia e finalmente recomeça a vida em liberdade ao lado de outra ursa em um santuário
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 31/08/2026 às 10:26
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Pashuk cresceu acorrentado em uma pequena jaula na Albânia até o ferro entrar em seu pescoço. Resgatado em 2016, sobreviveu e ganhou nova vida.
Em maio de 2016, uma equipe da organização FOUR PAWS encontrou uma cena extrema ao inspecionar um restaurante no sul da Albânia. Dentro de uma pequena jaula suja estava Pashuk, um urso-pardo nascido em 2011 que havia sido acorrentado quando ainda era filhote. A corrente de ferro nunca havia sido retirada. Conforme o animal cresceu, o metal permaneceu apertado ao redor do pescoço, até que pele e pelos passaram a crescer em torno da estrutura. O ferro entrou na carne, provocou uma ferida profunda e chegou a restringir sua respiração.
Quando os especialistas o localizaram, Pashuk estava desnutrido, exausto e em condição tão grave que a equipe temia que ele não sobrevivesse. O resgate foi realizado em agosto daquele ano com apoio das autoridades albanesas e exigiu intervenção veterinária imediata para remover cirurgicamente a corrente.
O animal que havia passado praticamente toda a vida preso em um espaço reduzido sobreviveria ao procedimento, seria levado para o BEAR SANCTUARY Prishtina, no Kosovo, recuperaria a saúde e, anos depois, passaria a dividir um grande recinto com outra ursa resgatada da Albânia, Gjina.
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Pashuk foi acorrentado quando ainda era apenas um filhote
Pashuk nasceu em 2011 e ainda era pequeno quando seus proprietários colocaram uma corrente de ferro ao redor de seu pescoço. Ele foi mantido em uma pequena jaula ao lado de um restaurante no sul da Albânia, numa prática em que animais selvagens eram utilizados como atrações para chamar a atenção de clientes.
O problema tornou-se progressivamente mais grave porque a corrente não acompanhava o crescimento do animal. Ela permaneceu fechada enquanto seu corpo aumentava de tamanho.
Ao longo dos anos, o espaço entre o pescoço e o ferro desapareceu. A FOUR PAWS relata que a pele e os pelos cresceram ao redor da corrente, fazendo com que o metal ficasse incorporado ao corpo.
O ferro começou a entrar na carne e dificultar sua respiração
A corrente não provocava apenas uma lesão superficial. Segundo informações divulgadas pela FOUR PAWS em 2025, o metal havia crescido profundamente para dentro da carne de Pashuk, causando dor intensa e restrição da respiração.
Quanto maior o urso ficava, mais apertado se tornava o círculo de ferro.
Pashuk também permanecia praticamente sem condições de desenvolver comportamentos naturais de sua espécie.
Seu ambiente era uma pequena jaula escura próxima ao estabelecimento comercial, muito diferente das grandes áreas pelas quais ursos podem caminhar, explorar, procurar alimento e escolher locais para descansar.
A corrente tornou-se a evidência física mais extrema daquele confinamento.
A equipe encontrou um animal exausto e próximo da morte
Quando uma equipe da FOUR PAWS encontrou Pashuk em maio de 2016, a situação provocou preocupação imediata.
Afrim Mahmuti, responsável pelo BEAR SANCTUARY Prishtina e integrante da equipe que encontrou o urso, descreveu posteriormente o animal como completamente cansado e esgotado, lutando para sobreviver.
A organização informou que Pashuk estava desnutrido e em condição considerada próxima da morte.
Mahmuti chegou a pedir a um funcionário do restaurante que oferecesse água fresca ao urso enquanto uma solução para o resgate era organizada.
Não havia margem para simplesmente esperar que suas condições melhorassem. A corrente precisava ser retirada e o estado geral do animal exigia atendimento veterinário.
O resgate foi organizado em agosto de 2016
Com apoio das autoridades da Albânia, a FOUR PAWS organizou a retirada de Pashuk em agosto de 2016. A operação também envolveu o veterinário especializado em animais selvagens Frank Göritz, do Leibniz Institute for Zoo and Wildlife Research, de Berlim.
O procedimento era delicado porque libertar Pashuk significava trabalhar diretamente sobre uma área profundamente lesionada.
A corrente não poderia simplesmente ser aberta e puxada para fora.
Ela havia permanecido ao redor do pescoço por anos e estava incorporada aos tecidos. Por isso, os veterinários precisaram realizar uma cirurgia para retirar o metal e tratar a ferida profunda.
Os veterinários temiam que Pashuk não sobrevivesse
O estado de saúde aumentava os riscos de qualquer intervenção. A FOUR PAWS relata que a equipe temia seriamente pela sobrevivência de Pashuk devido ao nível de fraqueza observado quando ele foi encontrado.
Mesmo assim, o procedimento foi realizado. A corrente finalmente deixou de envolver seu pescoço depois de acompanhar praticamente todo o crescimento do animal desde a infância.
Pashuk conseguiu sobreviver.
A organização preservou posteriormente a corrente retirada de seu corpo como registro das condições em que o urso havia vivido. Para a equipe responsável pelo resgate, o objeto passou a representar a gravidade das consequências do confinamento inadequado de animais selvagens.
Outros dois ursos também foram retirados de condições inadequadas
Pashuk não era um caso isolado. Na mesma operação envolvendo animais mantidos na Albânia, a FOUR PAWS também resgatou Tomi e Gjina, dois outros ursos que viviam em condições inadequadas.
A situação fazia parte de um problema mais amplo envolvendo os chamados “restaurant bears”, ursos mantidos próximos a restaurantes ou outros estabelecimentos para servir como atração.
Em março de 2016, a FOUR PAWS e o Ministério do Meio Ambiente da Albânia haviam assinado um memorando para buscar uma solução para dezenas de ursos mantidos inadequadamente no país. A organização estimava naquele período que havia mais de 30 indivíduos em condições problemáticas.
Pashuk ganhou uma nova casa no Kosovo
Depois do resgate e dos cuidados veterinários, Pashuk foi levado para o BEAR SANCTUARY Prishtina, no Kosovo.
O santuário havia sido criado em 2013 para receber ursos anteriormente mantidos em pequenas jaulas, especialmente animais usados como atrações em restaurantes e indivíduos provenientes de posse privada.
A estrutura oferece grandes recintos com árvores, estruturas de madeira, espaços para caminhar e áreas com água onde os animais podem se banhar.
Assista o vídeo
Também existe a possibilidade de afastamento e escolha de diferentes áreas do recinto, além de condições que permitem aos ursos apresentar comportamentos naturais, inclusive a hibernação durante o inverno.
Para Pashuk, significava uma mudança radical em relação à jaula onde havia crescido.
A profunda ferida no pescoço conseguiu cicatrizar
Nas semanas e meses posteriores, a recuperação surpreendeu os profissionais. A FOUR PAWS afirma que a ferida ao redor do pescoço cicatrizou completamente depois do tratamento e dos cuidados recebidos no santuário.
A recuperação física também foi acompanhada por mudanças de comportamento. Depois de anos preso, o urso passou a ter espaço para caminhar livremente, explorar o ambiente e escolher como utilizar diferentes partes do recinto.
O tratamento permanente incluía alimentação adequada, acompanhamento veterinário e enriquecimento ambiental.
Pashuk havia sobrevivido à condição que inicialmente fez os especialistas acreditarem que poderia morrer. Mas uma nova mudança ainda estava por acontecer.
Gjina apareceu do outro lado do recinto
Pouco depois da chegada ao santuário, os funcionários perceberam que Pashuk demonstrava interesse por uma vizinha.
Era Gjina, outra ursa resgatada da Albânia. Ela também havia vivido como atração de restaurante e enfrentado anos de confinamento. Segundo a FOUR PAWS, Gjina havia sido mantida em uma jaula de apenas quatro metros quadrados, exposta às condições climáticas e recebendo bebidas alcoólicas oferecidas por visitantes do estabelecimento.
Inicialmente, Pashuk e Gjina ficaram em recintos vizinhos.
Os tratadores começaram a perceber que os dois se aproximavam da divisória, cheiravam um ao outro e procuravam permanecer próximos.
Os dois nunca haviam convivido com outro urso
A aproximação chamou especialmente a atenção dos cuidadores porque ambos tinham um histórico de isolamento.
A FOUR PAWS relata que Pashuk e Gjina haviam sido mantidos sozinhos e nunca tinham visto outro urso antes da chegada ao santuário.
A equipe passou a acompanhar cuidadosamente as interações.
Quando considerou que havia condições para uma aproximação segura, iniciou o processo de socialização. A adaptação ocorreu sem grandes problemas.
Com o tempo, os dois passaram a compartilhar o mesmo grande recinto, onde permanecem sob acompanhamento da equipe especializada.
Pashuk e Gjina passaram a brincar juntos
Anos depois do primeiro contato, a relação entre os dois continuava sendo registrada pelo santuário. Em atualização publicada em fevereiro de 2025, Albana Hoti, chefe de manejo animal e instalações do BEAR SANCTUARY Prishtina, afirmou que Pashuk e Gjina continuavam se dando bem apesar das diferenças de personalidade.
Segundo ela, Gjina apresenta comportamento mais sensível, enquanto Pashuk é descrito como mais relaxado.
Os funcionários observam os dois brincando juntos e rolando pelas encostas do recinto. A imagem contrasta diretamente com o animal encontrado quase uma década antes.
De uma jaula escura para um recinto com árvores e lago
As condições oferecidas no santuário permitem comparar duas fases completamente diferentes da vida de Pashuk.
Na Albânia, ele permaneceu em uma pequena jaula ao lado de um restaurante, com uma corrente de ferro que ficou progressivamente mais apertada conforme seu corpo crescia.
No Kosovo, passou a ter acesso a um ambiente planejado para permitir comportamentos naturais de ursos.
O BEAR SANCTUARY Prishtina possui recintos amplos com árvores, estruturas para escalada e lagos para banho, além de áreas onde os animais podem se afastar quando desejam.
Pashuk também recebeu aquilo que não havia experimentado durante os primeiros anos: contato adequado com outro indivíduo de sua própria espécie.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

