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Aos 28 anos, servidor vê pacientes carregados por horas em macas de bambu, tira dinheiro do próprio bolso, mobiliza moradores e doadores pela internet e ajuda a construir estrada de 100 km sem verba direta fornecida pelo governo
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 31/08/2026 às 18:29
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Armstrong Pame lidera mobilização em região isolada de Manipur, onde moradores doam trabalho, alimentos e combustível. A “People’s Road” conecta Tousem a outras áreas e transforma o acesso de comunidades antes dependentes de longas caminhadas
Em 2012, Armstrong Pame encontrou um problema que nenhuma planilha conseguia esconder. Moradores de comunidades remotas de Tousem, no estado indiano de Manipur, precisavam caminhar durante horas e, em alguns casos, carregar doentes em macas improvisadas de bambu porque faltava uma ligação rodoviária adequada. Então, o jovem servidor público decidiu mobilizar a própria família, moradores e doadores para tirar do papel uma estrada de aproximadamente 100 quilômetros, conforme relato recuperado pelo The Better India e registros contemporâneos da iniciativa.
Pame não recebeu uma verba governamental específica para executar o projeto. Em vez disso, colocou Rs 5 lakh do próprio dinheiro, enquanto seu irmão contribuiu com mais Rs 1 lakh. Depois, usou a internet para buscar apoio. Em pouco tempo, doações começaram a chegar da Índia e também do exterior.
Porém, dinheiro sozinho não explica como uma comunidade conseguiu construir uma estrada dessa extensão. Moradores trabalharam voluntariamente, forneceram comida, lenha e combustível, enquanto empreiteiros ajudaram com máquinas. A mobilização transformou o projeto naquilo que seu próprio nome resume: “People’s Road”, a Estrada do Povo.
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Falta de estrada fazia moradores carregarem pacientes em macas de bambu
A história começa muito antes das máquinas chegarem.
Tousem fica em uma região montanhosa e historicamente isolada de Manipur.
Para comunidades espalhadas pelas montanhas, percorrer algumas dezenas de quilômetros podia significar uma jornada de muitas horas.
O problema ficava ainda mais grave durante emergências médicas.
Em 2012, surtos de doenças como tifo e malária atingiram a região. Sem uma estrada adequada, moradores precisavam transportar pacientes em macas improvisadas de bambu.
Além disso, médicos tinham dificuldade para chegar às aldeias.
Assim, a ausência de infraestrutura deixou de representar apenas desconforto.
Ela interferia diretamente no acesso à saúde, aos mercados e a serviços básicos.
Armstrong Pame conhece o isolamento desde a infância
Pame não chegou à região como alguém completamente distante daquela realidade.
Ele nasceu em uma comunidade de Tamenglong e conhecia as dificuldades locais desde criança.
Anos depois, estudou Física no St. Stephen’s College, em Delhi, e entrou para o serviço público indiano.
Em 2009, ingressou no Indian Administrative Service, o IAS.
Em 2012, assumiu a função de Sub-Divisional Magistrate de Tousem.
Então, voltou a encontrar problemas que já conhecia.
Durante visitas às aldeias, viu moradores carregando sacos de arroz nas costas e pacientes em macas improvisadas porque veículos não conseguiam alcançar determinadas comunidades.
Quando perguntou aos moradores o que eles mais precisavam, a resposta apontou para a mesma solução:
uma estrada.
Projeto antigo existia, mas ligação rodoviária não havia saído do papel
A ideia de construir uma estrada naquela região não começou com Pame.
Já existiam planos anteriores.
Uma reportagem publicada em dezembro de 2012 pelo New Indian Express registrou que o governo havia aprovado anteriormente uma estrada e que parte relevante dos recursos chegou a aparecer ainda nos anos 1980. Entretanto, o projeto não avançou como esperado.
Décadas depois, o problema permanecia.
Quando Pame buscou recursos governamentais para a nova iniciativa, não conseguiu a verba necessária para executar a ligação.
Então, escolheu outro caminho.
Em vez de esperar indefinidamente por orçamento, decidiu buscar dinheiro diretamente com pessoas interessadas em ajudar.
Servidor coloca Rs 5 lakh e irmão acrescenta mais Rs 1 lakh
A primeira contribuição veio de dentro de casa.
Pame investiu Rs 5 lakh (rúpias).
Seu irmão, que trabalhava como professor na Universidade de Delhi, acrescentou Rs 1 lakh.
Até a mãe entrou na mobilização, destinando o equivalente a um mês da pensão do marido, segundo relato de Pame reproduzido pela imprensa indiana.
O dinheiro da família, porém, não seria suficiente para uma estrada de 100 quilômetros.
Por isso, Pame levou a campanha para a internet.
As redes sociais ampliaram rapidamente o alcance.
Em seguida, começaram a surgir doações de pessoas que nunca haviam visitado Tousem.
A mobilização atravessou fronteiras.
Doadores nos Estados Unidos enviam milhares de dólares
Uma das histórias relatadas pelo próprio Pame mostra a dimensão que a campanha alcançou.
Certa noite, uma pessoa nos Estados Unidos entrou em contato e ofereceu US$ 2.500.
No dia seguinte, um indiano sikh que vivia em Nova York prometeu outros US$ 3.000.
Depois que veículos de imprensa começaram a divulgar a iniciativa, novas contribuições apareceram.
Segundo Pame, a campanha chegou rapidamente a aproximadamente Rs 40 lakh.
Há fontes posteriores que apontam valores acumulados maiores ao longo da mobilização. A India Today, por exemplo, relatou aproximadamente Rs 70 lakh levantados durante um ano.
A diferença provavelmente reflete momentos distintos da arrecadação.
Por isso, o mais seguro é não tratar um único valor como custo final definitivo da estrada.
Dinheiro ainda era pouco para construir 100 km de estrada
Mesmo dezenas de lakh de rúpias representam pouco diante do custo convencional de uma obra rodoviária dessa extensão.
Pame sabia disso.
Então, o projeto precisou reduzir despesas de outra maneira.
Empreiteiros locais forneceram máquinas e equipamentos, enquanto moradores assumiram grande parte do trabalho manual.
Essa combinação mudou completamente a equação.
Em vez de contratar toda a mão de obra, a iniciativa transformou moradores em participantes diretos.
E eles não contribuíram apenas trabalhando.
Moradores doam comida, lenha, combustível e trabalho
A mobilização comunitária alcançou uma escala incomum.
Moradores forneceram mão de obra, alimentos para os trabalhadores, lenha para cozinhar, combustível para máquinas e veículos para transportar suprimentos.
Em alguns dias, segundo relato de Pame, entre 100 e 200 pessoas participavam dos trabalhos.
Homens, mulheres e jovens começavam cedo e permaneciam na obra até o fim do dia.
Assim, cada contribuição substituía uma despesa que normalmente entraria no orçamento.
Uma pessoa trabalhava.
Outra fornecia comida.
Outra ajudava com transporte.
Enquanto isso, doadores distantes financiavam combustível, equipamentos e outras necessidades.
A mobilização transformou um problema de infraestrutura em uma iniciativa coletiva.
Morador de 90 anos oferece cinco meses de pensão
Entre as contribuições, uma ganhou destaque especial.
Quando Pame perguntou aos moradores como poderiam financiar a estrada, inicialmente ninguém respondeu.
Então, um homem de 90 anos, chamado Namdeilung, levantou-se.
Ele recebia uma pequena pensão mensal e ofereceu cinco meses daquele benefício para ajudar na construção.
O valor individual não resolveria o orçamento.
Entretanto, o gesto ajudou a mudar o clima da reunião.
Depois disso, outras pessoas começaram a contribuir com aquilo que tinham disponível.
Esse mecanismo explica por que o projeto recebeu posteriormente o nome de People’s Road.
A estrada não surgiu de um único grande cheque.
Ela combinou centenas de contribuições de naturezas diferentes.
Obras começam em agosto de 2012
A construção começou em agosto de 2012.
O terreno criava um desafio considerável.
A região possui montanhas, rios e áreas de difícil acesso.
Além disso, a equipe trabalhava com recursos muito inferiores aos de uma grande obra pública convencional.
Ainda assim, máquinas começaram a abrir caminho enquanto moradores ajudavam no trabalho.
Pouco a pouco, quilômetros de terreno passaram a permitir a circulação de veículos.
O objetivo era criar uma ligação de aproximadamente 100 km, conectando a região de Tousem e ampliando o acesso em direção a Assam e Nagaland.
Estrada fica conhecida como “People’s Road”
O nome surgiu naturalmente.
A comunidade ajudou a construir.
Pessoas espalhadas pelo mundo ajudaram a pagar.
A família de Pame colocou dinheiro.
Empreiteiros forneceram equipamentos.
Assim, chamar a ligação simplesmente de uma obra de Armstrong Pame apagaria parte importante da história.
O próprio servidor sempre atribuiu grande parte do mérito aos moradores e doadores.
Por isso, a estrada ficou conhecida como People’s Road.
Em fevereiro de 2013, a abertura da ligação de aproximadamente 100 km ganhou repercussão nacional.
100 km mudam uma região onde deslocamentos podiam consumir um dia inteiro
Antes da estrada, distância e tempo tinham uma relação muito diferente naquela região.
Não bastava olhar quantos quilômetros separavam duas comunidades.
Era preciso considerar montanhas, rios e ausência de caminhos onde veículos conseguissem passar.
Em alguns locais, moradores precisavam caminhar durante horas para acessar serviços básicos.
Pame conhecia essa dificuldade pessoalmente.
Uma publicação da NDTV registrou que, durante a juventude, ele chegou a enfrentar deslocamentos de quase 24 horas para voltar para casa durante períodos escolares.
Portanto, os 100 km representavam mais do que uma distância no mapa.
A estrada reduzia uma barreira que havia acompanhado gerações.
Acesso a hospitais estava entre as maiores preocupações
Talvez nenhuma consequência seja tão fácil de visualizar quanto a saúde.
Antes da ligação, pacientes podiam depender de outras pessoas para carregá-los.
Em situações graves, cada hora adicional de deslocamento aumentava o problema.
Além disso, a falta de acesso dificultava a chegada dos próprios profissionais de saúde às comunidades.
Com uma via onde veículos pudessem circular, a lógica mudava.
Pessoas, medicamentos, alimentos e outros produtos conseguiam percorrer caminhos antes extremamente difíceis.
Isso não significa que uma estrada tenha resolvido todos os problemas estruturais de Tousem.
Entretanto, criou uma ligação física que antes praticamente não existia.
Projeto também aproxima Manipur de Assam e Nagaland
A localização torna a estrada especialmente importante.
Tousem fica em uma área próxima de outros estados do nordeste indiano.
Assim, a ligação não servia apenas para conectar aldeias dentro de Manipur.
Ela também aproximava a região de Assam e Nagaland.
Essa conexão amplia as possibilidades de deslocamento de pessoas e mercadorias.
Para produtores rurais, uma estrada pode significar acesso mais rápido aos mercados.
Já aos estudantes, pode reduzir isolamento.
Para famílias, facilita viagens.
Além disso, veículos de emergência ganham caminhos que antes não conseguiam utilizar.
Projeto transforma jovem servidor no “Miracle Man”
A repercussão ultrapassou Manipur.
A imprensa indiana começou a contar a história do jovem servidor que havia mobilizado moradores e doadores para construir uma estrada sem financiamento governamental direto.
Em 2012, Pame recebeu indicação ao CNN-IBN Indian of the Year, na categoria de serviço público.
Depois da abertura da estrada, ganhou o apelido de “Miracle Man”.
Entretanto, a história que ele próprio conta é menos individual.
Pame insiste na participação dos moradores.
Sem trabalho voluntário, máquinas cedidas e dinheiro de milhares de quilômetros de distância, a conta dificilmente fecharia.
Estrada mostra o tamanho do efeito quando dinheiro e trabalho se encontram
A matemática da People’s Road não funciona como a de uma obra convencional.
Não existe apenas uma empresa contratada, um orçamento e uma equipe remunerada.
Existem diferentes formas de contribuição.
A família coloca dinheiro.
Doadores enviam recursos.
Moradores trabalham.
Outros fornecem comida.
Empreiteiros disponibilizam máquinas.
Além disso, comunidades ajudam com combustível e transporte.
Consequentemente, o custo financeiro não representa sozinho o valor dos recursos mobilizados.
Esse ponto também impede uma comparação direta entre o dinheiro arrecadado e quanto uma estrada convencional de 100 km custaria.
Grande parte da operação dependia justamente de contribuições não monetárias.
Cinco anos depois, Pame ainda tentava reduzir o isolamento da região
A estrada não encerrou o trabalho de Pame com infraestrutura.
Em 2017, já como Deputy Commissioner de Tamenglong, ele buscou outra conexão que ainda faltava: internet e telefonia.
Pame escreveu a Mukesh Ambani pedindo que a Reliance Jio estudasse a instalação de mais torres de telecomunicações nas áreas montanhosas.
Naquele momento, algumas pessoas ainda precisavam caminhar um ou dois dias até a sede do distrito simplesmente para entregar documentos.
A ideia era usar conectividade para permitir que parte desses serviços ocorresse online.
Assim, cinco anos depois da estrada, o problema havia mudado de forma.
Primeiro, faltava conexão física.
Depois, também era preciso ampliar a conexão digital.
Uma estrada de 100 km começa com pacientes em macas de bambu e termina como símbolo de ação comunitária
A sequência ajuda a entender por que a história ganhou tanta repercussão.
Em 2012, Armstrong Pame tinha 28 anos e trabalhava como administrador público em uma região marcada pelo isolamento.
Ele viu moradores carregando pacientes e mercadorias por caminhos onde carros não conseguiam passar.
Depois, tentou encontrar uma solução.
Colocou Rs 5 lakh do próprio dinheiro.
Seu irmão acrescentou Rs 1 lakh.
Doadores começaram a contribuir pela internet.
Moradores ofereceram trabalho, comida, combustível e transporte.
Empreiteiros ajudaram com máquinas.
Meses depois, a região ganhou uma ligação de aproximadamente 100 quilômetros que ficou conhecida como People’s Road.
O resultado talvez explique melhor o nome do que qualquer slogan.
Pame iniciou a mobilização.
Porém, foram centenas de pessoas, cada uma contribuindo com dinheiro, trabalho ou recursos, que transformaram um caminho inexistente em uma estrada onde veículos finalmente podiam circular.
Você acredita que uma mobilização comunitária desse tamanho conseguiria tirar uma obra de infraestrutura do papel no Brasil?
Fonte
The Better India
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

