O candidato ao Senado Eduardo Velloso (Solidariedade) declarou nesta segunda-feira (31), durante a sabatina do ac24horas, ser contrário à escala 6×1 e defendeu a adoção da jornada 5×2. Empresário, Velloso afirmou que a mudança deve ocorrer por meio de uma transição negociada entre trabalhadores e empregadores e argumentou que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida sem necessariamente provocar perda de produtividade ou aumento do desemprego.
Questionado sobre a discussão que ocorre no Senado Federal em torno do fim da escala 6×1 e sobre sua posição caso seja eleito para o Senado em 2027, Velloso foi direto ao afirmar que já se posicionou publicamente contra o atual modelo.
“Eu sou contra a escala 6×1, inclusive já falei isso publicamente. Eu acredito muito, já tem basicamente formado um consenso, como nós parlamentares, na escala 5×2. Eu acredito que o trabalhador tem o direito de passar o sábado com a família dele. Fazer aquele churrasco no sábado”, afirmou.
Velloso afirmou ainda que já passou por situações em que uma mudança nas regras trabalhistas provocou impacto direto sobre seus negócios. Ele citou a aprovação do piso salarial da enfermagem como exemplo.
“Eu quero falar para você que eu já tive um momento mais difícil na minha empresa e fui a favor do trabalhador. E aqui eu lhe mostro como eu estava, por acaso, no Senado Federal, quando foi votado o aumento do piso salarial dos técnicos de enfermagem, dos auxiliares de enfermagem, dos enfermeiros. Isso tinha um impacto direto na folha do hospital do meu pai”, afirmou.
Segundo ele, apesar do impacto financeiro, foi possível enfrentar a mudança. Velloso utilizou o episódio para defender uma política de valorização salarial como instrumento de distribuição de renda. “E nós conseguimos enfrentar isso. Sabe por quê? Porque a melhor valorização da população é a distribuição de renda com quem trabalha. Não é com bolsa”, declarou.
O candidato afirmou que existe uma diferença muito grande entre os salários mais altos e mais baixos no Brasil e defendeu políticas que permitam a elevação da renda dos trabalhadores.
“Nós vivemos num país onde a diferença de quem ganha mais para quem ganha menos chega a ser quase 28 vezes. Em países desenvolvidos, isso é de 8 a 10 vezes. Ou seja, nós temos que ter uma política pública para avançar com a subida do salário mínimo”, afirmou.
Velloso também citou os salários de autoridades como deputados federais, senadores e ministros para argumentar que a discussão sobre remuneração precisa considerar a desigualdade existente no país.
“Aquela pessoa que ganhava dois mil reais, aquele que passou a ganhar quatro mil, você acha que ele juntou dinheiro? Ele não juntou dinheiro, não. Ele passou a viver com mais dignidade. Ele teve a oportunidade de levar a família dele para um restaurante melhor. Ele teve a oportunidade de que, se andava a pé, comprar uma moto; se tinha uma moto, passou a comprar um carro; se ele morava de aluguel, teve a oportunidade de pagar sua casa própria”, afirmou.
Ao defender a mudança da jornada, Velloso afirmou que o trabalhador poderia utilizar o tempo livre para descansar, ficar com a família e também buscar qualificação profissional. “Aquilo é salutar à economia. No início vai se ajustar e, a partir do momento que você tem uma folga no sábado, aquela pessoa, além de passar o tempo com a sua família, pode ter a oportunidade de se capacitar. Hoje nós temos vários cursos online. As empresas têm que estimular isso”, disse.
Para o candidato, a discussão também precisa considerar a baixa produtividade do trabalhador brasileiro. Ele avalia que a redução da jornada, acompanhada de capacitação e tecnologia, pode fazer com que o empregado produza mais em menos tempo. “Nós estamos num país onde a produtividade por hora é muito baixa. Às vezes, ele fazendo essa capacitação, ele vai produzir mais por hora. A empresa vai ganhar”, afirmou.
Velloso também fez uma comparação com os efeitos da carga tributária sobre a economia. Segundo ele, existe um ponto em que o excesso de cobrança pode reduzir a arrecadação porque empresas e trabalhadores deixam de conseguir sustentar os custos.
“É a mesma coisa quando a elevação de imposto chega a partir de um momento. Tem até um nome que eu esqueci o nome, que quando você tem muito imposto você diminui a arrecadação, porque a população vai quebrando. É a mesma coisa aqui, o trabalhador não vai aguentando”, afirmou.
Velloso também levou a discussão sobre a escala de trabalho para a área da saúde. Segundo ele, o excesso de trabalho e a falta de descanso têm impacto direto sobre os níveis de estresse. “Eu levo para a saúde isso aqui, gente. É menos estresse, menos pressão”, afirmou.
O candidato citou ainda a rotina de trabalhadores que enfrentam longos deslocamentos diariamente para chegar ao emprego. “É aquele trabalhador que sai cedo de casa, passa duas horas num transporte coletivo para ir e para voltar. Você acha que ele chega no sábado feliz da vida para fazer um churrasco? Não chega. Ele tem que ter esse direito”, declarou.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

