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BNDES escolhe consórcio VGLHH para desenhar o Pró-Urânio e preparar parcerias privadas em cinco áreas minerais da INB
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 01/09/2026 às 07:46
Atualizado em 01/09/2026 às 07:51
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O Pró-Urânio ganhou uma equipe para desenhar seu modelo de negócios depois que o BNDES homologou o consórcio VGLHH, responsável por estudar parcerias privadas em cinco áreas minerais da INB e apresentar propostas até o segundo trimestre de 2027.
A escolha do consórcio abre a fase de modelagem, não a exploração imediata das jazidas. O grupo terá de avaliar dados geológicos, condições econômicas, exigências ambientais e formatos jurídicos antes que o governo decida como oferecer cada oportunidade ao mercado.
O contrato reúne Vallya Advisors, GE21, Lefosse, Harpia Consultoria Ambiental e Harpia Group AG. A combinação junta finanças, mineração, direito e meio ambiente, áreas necessárias para transformar direitos minerais em propostas que possam ser examinadas pelo poder público e por investidores.
A duração prevista é de três anos. Contudo, as primeiras propostas de modelagem são esperadas até o segundo trimestre de 2027. Esse calendário indica que os estudos prioritários devem avançar antes da conclusão integral de todas as atividades contratadas.
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O programa considera Amorinópolis, em Goiás; Espinharas, na Paraíba; Figueira, no Paraná; Rio Preto, entre Goiás e Tocantins; e Lagoa Real, na região de Caetité, Bahia. As áreas possuem características próprias e não devem ser tratadas como um único projeto.
Conforme a consulta ao mercado divulgada pela INB, o objetivo é estruturar a expansão da produção nacional com participação de parceiros. A estatal continua ligada ao ciclo nuclear brasileiro e aos direitos envolvidos.
A seleção do consultor não concede licença, contrato de lavra ou direito automático sobre as reservas. Antes disso, o BNDES precisa receber os estudos, comparar alternativas e apoiar o governo na escolha do modelo. Depois vêm procedimentos de aprovação e eventual seleção de parceiros.
Essa distinção é fundamental para não transformar modelagem em mina aberta. Entre uma área mineral identificada e uma operação comercial existem pesquisa, confirmação de recursos, engenharia, licenciamento, financiamento, infraestrutura e regras específicas para um material estratégico.
O urânio possui uma cadeia diferente de outros minerais. Ele passa por mineração e beneficiamento antes de etapas industriais ligadas ao combustível nuclear. Além disso, sua circulação e uso obedecem a controles estatais e compromissos de segurança que pesam no desenho de qualquer parceria.
Modelo terá de conciliar capital privado e controle público
O desafio do consórcio é encontrar um formato que atraia investimento sem ignorar o papel reservado ao Estado. Uma parceria pode distribuir responsabilidades por pesquisa, implantação, operação e compra do produto, mas cada obrigação precisa estar escrita de forma verificável.
Para o investidor, importam qualidade do depósito, custo, prazo, infraestrutura e previsibilidade regulatória. Para o governo, entram segurança de suprimento, domínio sobre o recurso e benefícios econômicos. Para as comunidades, licenciamento, água, circulação de cargas e recuperação ambiental são questões concretas.
O Brasil possui uma cadeia nuclear em operação, mas expandir a produção doméstica exige capital e continuidade. A modelagem tenta responder se empresas privadas podem assumir parcelas de risco e investimento mantendo o arranjo compatível com as regras nacionais.
A gente só saberá a profundidade dessa abertura quando os modelos forem apresentados. Expressões como parceria ou participação privada podem cobrir estruturas muito diferentes, desde prestação de serviços até contratos ligados à implantação e à produção.
O programa também se conecta ao mercado de minerais críticos, no qual governos procuram reduzir dependências externas. Urânio tem função própria na energia nuclear, mas compartilha a pressão por cadeias nacionais e contratos de longo prazo.
Cada uma das cinco áreas poderá exigir resposta distinta. Uma jazida próxima de infraestrutura existente não enfrenta o mesmo custo de outra isolada. O minério associado, a escala e o estágio de conhecimento geológico também alteram o valor e a forma de contratação.
Por isso, o prazo até 2027 não serve apenas para redigir editais. Será necessário organizar informações, testar interesse, estimar investimentos e identificar riscos que poderiam afastar concorrentes ou criar obrigações impossíveis de cumprir.
O consórcio terá ainda de separar expectativa de evidência. Potencial geológico não equivale a reserva economicamente recuperável. A modelagem deve usar os dados disponíveis e apontar lacunas, sem converter estimativas preliminares em produção garantida.
Para Caetité, onde já existe atividade da INB, a experiência operacional oferece referência. Para as demais áreas, a distância até uma mina pode ser maior. O programa precisa reconhecer essas diferenças para evitar uma licitação única incapaz de refletir o estágio de cada projeto.
O marco de 31 de agosto é, portanto, institucional: o BNDES definiu quem fará os estudos. O próximo marco será técnico, quando as propostas mostrarem qual papel caberá à INB, ao parceiro e ao Estado em cada área.
Até lá, o Pró-Urânio permanece como programa de estruturação. Ele pode preparar expansão da oferta nacional, mas não autoriza afirmar volume de produção, investimento privado ou data de entrada de novas minas, números que ainda não foram definidos.
A qualidade dos estudos também será importante para comparar propostas futuras. Um interessado precisa saber quais dados geológicos existem, quais licenças seriam necessárias e quais infraestruturas teriam de ser construídas. Quando essas informações ficam vagas, o risco aparece no preço ou afasta concorrência. Quando são apresentadas com limites claros, permitem dividir responsabilidades de forma mais realista.
Outro ponto será a governança da parceria. O urânio pertence a uma cadeia estratégica, e qualquer participação privada terá de conviver com o papel legal da INB e com controles públicos. O modelo precisará definir quem investe, quem opera, quem fiscaliza e quem assume cada risco, sem criar sobreposição que paralise decisões ou deixe responsabilidades sem titular.
A entrega prevista para 2027 será, portanto, um mapa de possibilidades, não uma mina pronta. A partir dele, governo e estatal poderão decidir quais áreas avançam, em que ordem e sob quais condições. O valor do trabalho do consórcio estará em reduzir incerteza antes da contratação, permitindo que escolhas posteriores sejam comparadas por critérios técnicos e econômicos verificáveis.
O que você acha de usar parcerias privadas para ampliar a produção brasileira de urânio sob controle estatal?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

