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Michael Jordan tinha 34 anos quando saiu do United Center dirigindo esta Ferrari vermelha na noite do quinto título dos Bulls, vendeu o carro cinco anos depois e ele sumiu do mapa por mais de duas décadas, até um colecionador achar um pedaço do número de chassi num fórum de internet
Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 01/09/2026 às 09:25
Atualizado em 01/09/2026 às 09:26
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O carro que virou molde para o tênis Air Jordan XIV passou anos numa coleção particular sem nenhuma aparição pública confirmada, e agora tem data para ir a martelo.
Tem carro que vale pelo motor e tem carro que vale por uma noite específica. O da história abaixo é do segundo tipo: uma Ferrari 550 Maranello de 1997 que Michael Jordan dirigiu para fora do United Center, em Chicago, na noite de 13 de junho de 1997, quando o Bulls conquistou o quinto título da NBA, conforme reportagem da Forbes.
Depois daquela cena, o carro atravessou uma venda, mudou de estado, entrou numa coleção particular e simplesmente sumiu da vida pública. Sumiço assim não é raro no colecionismo, como no caso já noticiado da Ferrari rara de 1961 guardada durante décadas sob poeira e montanhas de revistas. Este voltou agora, com data de leilão marcada, porque um colecionador passou cerca de dez anos atrás dele.
A cor não é um vermelho qualquer
A 550 Maranello de Jordan é pintada em Rosso Barchetta, tonalidade que a Ferrari usava em conversíveis esportivos e carros de corrida nas décadas de 1940 e 1950, segundo a Forbes. Não é o vermelho padrão que o público associa à marca.
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Colecionador assíduo de carros, Jordan era visto com frequência ao volante dessa Ferrari nos anos 90, no auge da carreira no basquete, conforme a mesma reportagem. O carro fazia parte da imagem pública dele naquele período.
O tênis que copiou o carro
A 550 Maranello não ficou só na garagem: ela inspirou a linha de tênis Nike Air Jordan XIV, de acordo com a Forbes. O modelo trouxe elementos do desenho do carro, como o couro matelassê e as saídas de ar laterais.
Até o logo Jumpman foi emoldurado num escudo que remete ao brasão da Ferrari, conforme a mesma publicação. Quem comprou aquele tênis estava comprando, sem saber, uma citação direta desse carro.
O tênis no último arremesso de 1998
O Air Jordan XIV tem uma cena própria. Jordan usava esses tênis quando deu seu último arremesso pelo Chicago na final de 1998, derrotando o Utah Jazz e garantindo o sexto título do Bulls, segundo a Forbes.
É por isso que a Ferrari não é tratada no mercado como um cupê dos anos 90 qualquer. Conforme o relato da Forbes, ela está amarrada a duas das cenas mais reproduzidas da carreira do jogador, o título de 1997 e o arremesso final de 1998.
A venda de 2002 e o desaparecimento
Jordan vendeu a Ferrari em 2002 para um colecionador de Chicago, e mais tarde o carro foi parar numa coleção particular na Califórnia, conforme a Curated, empresa citada pela Forbes. A partir daí não houve nenhuma aparição pública confirmada.
Segundo a Curated, a 550 Maranello sumiu do mapa por quase um quarto de século. Para o mercado de colecionismo, um carro sem rastro é um carro que pode ter sido desmontado, exportado ou simplesmente esquecido dentro de uma garagem fechada.
Carro parado não é carro perdido, mas quase
O sumiço prolongado é mais comum do que parece nesse mercado, e a saída costuma ser sempre a mesma: conferir os números gravados na estrutura do carro. Foi assim, conforme já noticiado, que a Ferrari de 1961 encostada sob montanhas de revistas voltou ao radar dos avaliadores.
O que muda o valor final, nesses casos, é a continuidade do histórico. Um carro que reaparece com documentação e números confirmados vale muito mais do que um exemplar idêntico sem passado comprovado.
Uma década de caça
O colecionador John Temerian, cofundador da loja de carros clássicos Curated Vintage Supercars, tomou a busca como missão pessoal, conforme a Forbes. A Curated adquiriu a 550 Maranello depois de uma procura de uma década, o que fez o carro ganhar status quase mítico entre colecionadores.
Dez anos é um prazo que, no mercado de clássicos, costuma significar dinheiro parado e pista fria. Nesse período o carro pode trocar de dono mais de uma vez sem que nada apareça em registro público, como mostrou o caso noticiado da concessionária fechada em Nebraska que guardava quase 500 veículos esquecidos.
O pedaço de chassi num fórum de internet
A pista que resolveu a busca não veio de leilão nem de concessionária. A equipe de Temerian encontrou um número parcial de chassi num fórum on-line, e foi isso que permitiu à Curated rastrear o carro, segundo a Forbes.
É um detalhe pequeno com efeito grande: numa conversa de entusiastas, alguém digitou parte de uma sequência que identificava exatamente aquele exemplar. O restante foi trabalho de rastreamento até a coleção da Califórnia.
De volta a Chicago
Depois de localizada e comprada, a Ferrari foi levada de volta a Chicago, cidade em que Jordan a dirigia, conforme a Forbes. A viagem de retorno fecha o círculo geográfico da história e ajuda a montar a narrativa de venda.
Carro de celebridade ganha valor justamente por esse tipo de amarração. É o mesmo mecanismo que sustenta o preço do Honda NSX que Ayrton Senna ajudou a acertar e dirigiu pelas ruas da Europa.
Quanto o mercado espera pagar
A venda será conduzida pela casa de leilões Joopiter, segundo a Forbes. O leilão está marcado para 15 de setembro nos Estados Unidos, e a expectativa é de lances entre US$ 700 mil e US$ 1,3 milhão, conforme o Diário do Grande ABC.
Em conversão direta, ainda de acordo com o mesmo veículo, a faixa equivale a algo entre R$ 3,6 milhões e R$ 6,7 milhões. O teto da estimativa é quase o dobro do piso, o que mostra que nem o próprio mercado sabe onde esse carro vai parar.
Estimativa não é preço de venda
Vale separar as duas coisas antes que o número circule sozinho. O intervalo divulgado é a estimativa da casa de leilões, e não o valor pelo qual o carro foi vendido, porque a venda ainda não aconteceu.
Em leilões de carros ligados a atletas e artistas, a diferença entre estimativa e martelo costuma ser larga nos dois sentidos. Só o resultado do leilão, marcado para 15 de setembro conforme o Diário do Grande ABC, dirá em qual direção esse caso vai.
O que ainda não foi divulgado
Segundo o que essas duas publicações trouxeram até agora, não há a quilometragem do carro, o número de chassi completo ou por quanto Jordan o comprou em 1997 e o vendeu em 2002. São dados que costumam aparecer na ficha do lote publicada pela casa de leilões.
Também não foi divulgado quem é o proprietário californiano que manteve o carro fora de circulação, nem se ele sabia da procedência do exemplar. É a parte da história que segue em branco.
O padrão dos carros que voltam do esquecimento
Achados assim viram notícia porque quebram a lógica normal da depreciação. Carro comum perde valor parado; carro raro parado ganha, desde que a história dele possa ser reconstruída documento por documento.
É o que sustenta o caso da professora que comprou um Mustang escondido embaixo de uma lona dois dias antes do lançamento oficial da Ford, conforme a reportagem sobre o episódio, e ficou com o carro por seis décadas.
O que acontece no dia 15
A Ferrari 550 Maranello de 1997 vai a martelo em 15 de setembro pela Joopiter, com a Curated na origem do achado, conforme o Diário do Grande ABC. É o encerramento de uma busca que, segundo a Forbes, durou cerca de dez anos.
Até lá, o que existe é a estimativa da casa de leilões, a cor de fábrica e o tênis que copiou o desenho, conforme descrito pela Forbes, mais a lembrança de uma saída de estacionamento em junho de 1997. O preço, esse ainda não foi feito.
Fontes
Forbes Brasil
Diário do Grande ABC, Fer
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

