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Professor solteiro do Rio adota menino que viveu 9 anos e meio em abrigo de Cuiabá, conhece o melhor amigo dele de 10 anos ouvindo o pedido “me adota também” e meses depois volta a Mato Grosso para embarcar com a guarda definitiva de um filho e a provisória do outro
Escrito por Carla Teles
Publicado em 02/09/2026 às 13:26
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Professor Thiago Carneiro de Almeida conheceu Sidiwald após quase uma década de acolhimento em Cuiabá e, durante o processo, aproximou-se de José Roberto, melhor amigo do menino; em junho de 2017, voltou a Mato Grosso e deixou o estado com a guarda definitiva do primeiro e provisória do segundo menino.
O professor Thiago Carneiro de Almeida, então com 35 anos e integrante da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro, construiu uma família a partir de dois processos iniciados em Cuiabá, Mato Grosso. Em dezembro de 2016, ele conseguiu a guarda provisória de Sidiwald Crystofher Rodrigues Santos, que estava perto dos 12 anos e havia passado 9 anos e seis meses em uma instituição de acolhimento.
Segundo reportagem publicada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) em 14 de junho de 2017, foi durante essa aproximação que Thiago conheceu José Roberto Nunes, de 10 anos, melhor amigo de Sidiwald no Lar da Criança. O encontro trouxe um pedido direto do garoto ao professor: “me adota também”. Meses depois, em 10 de junho, os três embarcaram de Cuiabá para o Rio com situações jurídicas diferentes: Sidiwald já tinha guarda definitiva e José seguia com guarda provisória.
Professor conheceu Sidiwald após quase uma década de acolhimento
Sidiwald havia vivido no Lar da Criança, em Cuiabá, durante nove anos e seis meses. A instituição acolhia crianças e adolescentes enquanto eram encaminhados para soluções familiares previstas judicialmente.
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Foi nesse contexto que Thiago avançou no processo para recebê-lo. Em dezembro de 2016, o professor obteve a guarda provisória do menino e iniciou a transição entre a longa permanência no acolhimento institucional e a nova rotina familiar no Rio de Janeiro.
Melhor amigo de Sidiwald fez um pedido inesperado
José Roberto também vivia na mesma instituição. Aos 10 anos, estava no local desde os sete e mantinha uma relação próxima com Sidiwald. Foi por causa dessa amizade que acabou conhecendo Thiago.
Durante um dos encontros, José manifestou o desejo de também fazer parte daquela família. O pedido permaneceu na memória do professor e acabou abrindo caminho para um segundo processo, embora naquele momento Thiago ainda estivesse se adaptando à chegada do primeiro filho.
Processo de Sidiwald aproximou Thiago de José Roberto
A decisão não foi imediata. Além de conhecer José Roberto, Thiago precisava considerar que havia acabado de iniciar uma nova experiência familiar com Sidiwald.
A proximidade entre os dois meninos, porém, pesou na reflexão do professor. José não era uma criança desconhecida para Sidiwald: era justamente o amigo com quem ele havia compartilhado parte da experiência dentro do acolhimento em Cuiabá.
Carta explicou por que professor queria ampliar a família
Em 24 de fevereiro de 2017, Thiago encaminhou uma carta à direção da instituição explicando por que queria iniciar um novo processo. O documento tinha duas páginas e relatava sua decisão de voltar a exercer a paternidade por meio da adoção.
Na carta, o professor abordou a chegada de Sidiwald, a passagem do acolhimento para a vida familiar e o desejo de dar um irmão ao menino. José Roberto já aparecia, naquele momento, como a criança com quem Thiago pretendia construir esse novo vínculo.
José Roberto passou uma semana com a família no Rio
Antes que uma mudança permanente fosse autorizada, José teve oportunidade de experimentar aquela nova convivência. Entre 9 e 15 de abril de 2017, durante o período da Semana Santa, ele viajou para o Rio de Janeiro.
Foi a primeira viagem de avião do garoto. No estado, ele encontrou novamente Sidiwald, passou alguns dias com Thiago e conheceu pessoas que poderiam se tornar seus familiares. A experiência funcionou como uma etapa concreta de aproximação antes da decisão judicial sobre a guarda.
Retorno para Cuiabá foi marcado pela espera
Depois do período no Rio, José precisou retornar ao Lar da Criança. De acordo com o relato publicado pelo TJMT, os primeiros dias de volta foram difíceis, porque o menino queria retornar à casa de Thiago.
O desejo, porém, não poderia substituir os procedimentos legais. A mudança dependia da autorização da Justiça da Infância e Juventude, que ainda avaliava o segundo processo enquanto José permanecia em Cuiabá.
Segundo processo exigiu avaliação judicial
Thiago relatou que a nova etapa não ocorreu automaticamente. Segundo ele, havia preocupação da Justiça porque pouco tempo tinha transcorrido desde a chegada de Sidiwald à sua família.
O professor precisou atravessar esse período de análise até conseguir autorização para levar José Roberto. A situação evidencia que a formação daquela família não aconteceu em um único ato: cada menino estava submetido a um processo próprio e a decisões judiciais específicas.
Junho trouxe situações diferentes para os dois meninos
Em junho de 2017, Thiago voltou a Mato Grosso. Na bagagem que carregava no aeroporto estavam documentos que representavam dois momentos distintos da família que estava formando.
Para Sidiwald, o professor já possuía a guarda definitiva. Para José Roberto, havia conseguido a guarda provisória. Isso significa que, naquele momento retratado pela fonte, não seria correto tratar juridicamente os dois processos como se estivessem exatamente na mesma fase.
Despedida do abrigo ocorreu no aeroporto de Cuiabá
No sábado, 10 de junho de 2017, Thiago preparou-se para embarcar no Aeroporto Internacional de Cuiabá – Marechal Rondon com os dois meninos.
Colegas do Lar da Criança participaram da despedida e prepararam cartazes para o momento. Sidiwald deixava definitivamente para trás uma instituição onde havia vivido durante grande parte da infância, enquanto José iniciava uma nova etapa sob guarda provisória do professor.
Nove anos e meio separavam Sidiwald da mudança definitiva
O tempo de Sidiwald no acolhimento é um dos aspectos mais marcantes da história. Ele passou nove anos e seis meses no Lar da Criança antes de chegar à etapa em que Thiago recebeu sua guarda definitiva.
Essa duração ajuda a contextualizar por que a história foi apresentada pelo TJMT dentro do tema da adoção tardia, expressão utilizada para processos envolvendo crianças maiores e adolescentes que aguardam uma família.
Amizade entre os meninos acabou conectando os dois processos
A história de José Roberto surgiu dentro do processo de Sidiwald. Sem a amizade construída pelos dois dentro do acolhimento, Thiago provavelmente não teria conhecido o segundo garoto nas mesmas circunstâncias.
Foi essa conexão que transformou uma adoção inicialmente planejada para um filho em um segundo pedido de guarda. O vínculo anterior entre as próprias crianças tornou-se parte importante da nova configuração familiar.
Professor deixou Cuiabá com dois filhos e duas decisões diferentes
Quando Thiago entrou no aeroporto em junho de 2017, o desfecho não era simplesmente o de um homem que havia “adotado duas crianças” ao mesmo tempo. A realidade jurídica era mais específica: Sidiwald estava sob guarda definitiva, enquanto José Roberto seguia sob guarda provisória.
A distinção não diminui a dimensão daquela mudança, mas permite compreender com precisão o que havia sido autorizado até então. O professor deixava Mato Grosso acompanhado dos dois meninos depois de meses de aproximação, viagens, avaliações e decisões judiciais.
Pedido de três palavras acabou mudando o tamanho da família
Tudo começou com um processo envolvendo Sidiwald, mas a convivência no abrigo colocou José Roberto no caminho de Thiago. O pedido feito pelo menino de 10 anos abriu uma possibilidade que o professor decidiu levar adiante pelos meios legais.
Meses depois, os três deixaram Cuiabá juntos: um menino que havia passado 9 anos e meio em acolhimento já tinha guarda definitiva, enquanto seu melhor amigo começava a nova etapa com guarda provisória. Histórias como essa também levantam uma questão sobre crianças maiores que permanecem durante anos esperando uma família: você já conhecia a realidade da adoção tardia no Brasil? Conte nos comentários o que mais chamou sua atenção nesse caso.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

