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Grupo dono de Lidl e Kaufland prepara data center de € 5,6 bilhões na Alemanha, combina IA, cloud, energia renovável e reaproveitamento do calor dos servidores
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 02/09/2026 às 14:33
Atualizado em 02/09/2026 às 14:39
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Schwarz Group escolhe Dummerstorf, no norte da Alemanha, por acesso a energia eólica e rede de 380 kV; instalação deverá operar com eletricidade renovável, aproveitar o clima para refrigeração por ar e enviar calor dos servidores para uma futura rede de aquecimento urbano.
A Schwarz Group anunciou planos para investir até € 5,6 bilhões na construção de um grande data center em Dummerstorf, no estado alemão de Mecklenburg-Vorpommern. A instalação deverá alcançar 240 MW de capacidade até 2033 e será usada tanto pelo ecossistema do grupo quanto pela divisão tecnológica Schwarz Digits, responsável por soluções de cloud e inteligência artificial.
O projeto vai além dos 240 MW inicialmente previstos. Segundo a companhia, a localização abre uma perspectiva concreta para ampliar futuramente a conexão à rede elétrica para até 1 GW em 2045. Além disso, o empreendimento pretende usar somente energia renovável durante a operação regular e aproveitar o calor produzido pelos servidores.
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Paulo Nogueira
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A escolha do norte da Alemanha não ocorreu por acaso. O local possui acesso a grandes volumes de eletricidade renovável, principalmente energia eólica onshore e offshore. Ao mesmo tempo, a proximidade de uma linha de 380 kV facilita a conexão de uma infraestrutura que poderá consumir centenas de megawatts.
Schwarz Group planeja investir até € 5,6 bilhões até 2033
O valor divulgado coloca o empreendimento entre os grandes projetos europeus ligados à expansão da computação. O Schwarz Group estima até € 5,6 bilhões para desenvolver a capacidade planejada de 240 MW em Dummerstorf até 2033.
Entretanto, a palavra “até” importa. A companhia ainda trabalha em um projeto inicial, sujeito às aprovações necessárias. Portanto, o montante representa a escala financeira planejada para a implantação, não uma despesa já executada.
O governo de Mecklenburg-Vorpommern também confirmou o investimento. A primeira-ministra Manuela Schwesig destacou que a obra poderá gerar contratos para construção civil e fornecedores locais. Depois, a operação deverá criar novos empregos ligados à infraestrutura digital.
Data center deverá chegar a 240 MW de capacidade
A primeira configuração de grande escala prevê 240 MW até 2033. Essa potência oferece uma dimensão mais concreta do tamanho energético da instalação.
Data centers de IA precisam alimentar milhares de servidores, aceleradores e sistemas auxiliares. Além disso, consomem eletricidade em redes, armazenamento, refrigeração e sistemas de redundância.
Por isso, a expansão da inteligência artificial começa a transformar a disponibilidade de energia em um fator decisivo para escolher onde construir novos centros computacionais.
Esse mesmo desafio já aparece em outras regiões. Na Austrália, por exemplo, a NextDC registrou aumento no uso de água e energia enquanto ampliava sua infraestrutura para atender a demanda digital.
Leia no CPG: boom da IA aumenta consumo de água e energia nos data centers da NextDC
Instalação poderá evoluir para conexão elétrica de 1 GW
O número mais impressionante aparece no horizonte de longo prazo. O Schwarz Group afirma que a área oferece perspectiva concreta para ampliar a capacidade de conexão à rede para 1 gigawatt até 2045.
Isso não significa que o data center já terá 1 GW de carga em 2033. A primeira etapa divulgada permanece em 240 MW. Assim, o gigawatt representa potencial futuro de conexão, caso o ecossistema digital continue crescendo.
A diferença é importante. Uma conexão de 1 GW cria espaço para expansão, mas não equivale automaticamente a 1 GW de servidores instalados ou consumindo energia continuamente.
Ainda assim, a previsão mostra a direção estratégica. O grupo deseja uma localização onde a infraestrutura elétrica possa acompanhar várias etapas de expansão.
Linha de 380 kV pesou na escolha de Dummerstorf
O local considerado fica em um parque industrial no município de Dummerstorf, no distrito de Rostock.
Uma das vantagens está na proximidade com a rede de 380 quilovolts. Linhas de extra-alta tensão conseguem transportar grandes volumes de eletricidade com maior eficiência.
Além disso, a companhia afirma que tarifas de rede diminuem conforme aumenta o nível de tensão. Para um consumidor industrial de centenas de megawatts, esse elemento pode alterar significativamente a viabilidade econômica do projeto.
Assim, um terreno adequado para data center precisa reunir mais do que espaço físico. Ele também precisa oferecer energia, transmissão, conectividade e condições para refrigeração.
Energia eólica do norte da Alemanha virou vantagem competitiva
Mecklenburg-Vorpommern possui acesso a grandes volumes de eletricidade produzida de forma renovável. O Schwarz Group cita diretamente a presença de energia eólica terrestre e offshore como vantagem regional.
Schwesig também destacou esse ponto. Segundo o governo estadual, a oferta de grandes quantidades de energia verde e a linha de 380 kV tiveram peso relevante na decisão de localização.
Portanto, a expansão renovável começa a influenciar não apenas o setor elétrico. Ela também pode atrair indústrias digitais de alto consumo.
Essa relação entre geração, transmissão e grandes investimentos aparece em outros mercados. A PowerChina, por exemplo, vem tratando renováveis e transmissão como pilares de sua expansão internacional.
Leia no CPG: PowerChina amplia presença em renováveis e transmissão após 20 anos no Brasil
Operação regular deverá usar somente energia renovável
O compromisso ambiental anunciado inclui o uso exclusivo de energia renovável durante a operação regular do data center.
Contudo, a empresa ainda não detalhou nesta comunicação quais contratos ou fontes específicas fornecerão toda essa eletricidade. Portanto, não seria correto atribuir uma quantidade determinada de parques eólicos ou solares ao projeto.
O que está confirmado é a intenção de estruturar a operação regular com eletricidade renovável.
Além disso, a empresa tenta reduzir o impacto da refrigeração, outro grande componente do consumo energético em data centers.
Clima frio ajudará servidores a dispensar parte da refrigeração mecânica
O norte da Alemanha oferece uma vantagem natural: temperaturas externas mais baixas durante parte significativa do ano.
Segundo o Schwarz Group, essas condições favorecem o chamado free cooling, no qual o ar externo ajuda a retirar calor da infraestrutura. Dessa forma, a instalação pode reduzir a necessidade de sistemas mecânicos mais intensivos em determinados períodos.
A empresa também menciona refrigeração por ar de última geração como parte do conceito sustentável.
Entretanto, os detalhes técnicos ainda não estão fechados. Por isso, não existem nesta fase números confirmados de PUE, consumo anual ou redução percentual de energia.
Calor dos servidores poderá aquecer prédios da região
Servidores transformam grande parte da eletricidade consumida em calor. Normalmente, data centers gastam mais energia para remover essa temperatura e descartá-la no ambiente.
Em Dummerstorf, o Schwarz Group pretende seguir outro caminho. A companhia assinou uma carta de intenções com a empresa de serviços públicos de Rostock para aproveitar o calor residual.
O objetivo é integrar essa energia térmica ao planejamento municipal de aquecimento. Assim, parte do calor que sairia dos servidores poderá ser utilizada em uma futura rede de district heating.
Esse conceito já aparece em outro empreendimento do grupo. Em Lübbenau, no estado de Brandenburg, empresas envolvidas em outro projeto de data center assinaram contratos para desenvolver uma solução conjunta de aquecimento distrital.
Projeto tenta transformar calor desperdiçado em infraestrutura urbana
A recuperação térmica cria uma ligação incomum entre infraestrutura digital e aquecimento de cidades.
Primeiro, servidores processam dados e geram calor. Depois, sistemas de refrigeração retiram essa energia dos equipamentos. Finalmente, trocadores térmicos podem transferi-la para água utilizada na rede urbana.
Naturalmente, a eficiência depende de distância, temperatura e desenho do sistema. Portanto, a carta de intenções ainda não representa uma rede pronta.
Mesmo assim, o planejamento mostra uma tendência crescente na Europa: tratar o calor de data centers como recurso energético, e não apenas como rejeito.
Chips para IA ainda não foram escolhidos
Apesar do investimento bilionário, vários detalhes permanecem em aberto.
O Schwarz Group afirma que as especificações técnicas ainda não foram finalizadas. Entre os pontos pendentes está a configuração exata dos microchips destinados a cloud e inteligência artificial.
Essa cautela faz sentido porque o projeto atravessará vários anos. O mercado de aceleradores de IA muda rapidamente, enquanto novas gerações de hardware surgem em ciclos cada vez menores.
Portanto, definir hoje todos os chips que equiparão uma instalação prevista para 2033 poderia limitar a capacidade de atualização tecnológica.
Data center será usado também pelo ecossistema do próprio grupo
O Schwarz Group controla um enorme ecossistema empresarial. Entre suas companhias estão Lidl, Kaufland, PreZero, Schwarz Produktion e a divisão tecnológica Schwarz Digits.
A nova infraestrutura deverá atender parte dessas necessidades internas. Além disso, deverá sustentar a expansão de serviços digitais oferecidos pela Schwarz Digits.
Assim, o projeto não nasce apenas para alugar espaço físico a terceiros.
Ele se conecta diretamente à estratégia de transformar infraestrutura própria em base para cloud, cibersegurança e inteligência artificial.
STACKIT entra no centro da estratégia de soberania digital
Uma das principais plataformas envolvidas é a STACKIT, serviço de cloud associado à Schwarz Digits.
O governo de Mecklenburg-Vorpommern já pretende utilizar a plataforma para implementar pedidos digitais de licenças de construção. A expectativa é colocar aplicações concretas na administração pública ainda até o fim de 2026.
A lógica é reduzir dependência de provedores estrangeiros para dados governamentais e aplicações críticas.
Além disso, o projeto trabalha com serviços regidos por legislação alemã, elemento que o Schwarz Group coloca no centro da ideia de soberania digital.
Governo quer depender menos de provedores estrangeiros
Manuela Schwesig foi explícita ao explicar a parceria.
Segundo a primeira-ministra, o estado quer ganhar mais independência em relação a fornecedores estrangeiros de data centers, cloud e aplicações de IA. Além disso, espera ampliar segurança de dados.
Esse objetivo se conecta a uma discussão maior na Europa.
Governos europeus investem em capacidade própria para evitar dependência excessiva de infraestrutura tecnológica controlada fora do continente.
Um exemplo recente é o novo supercomputador LUMI-AI, contratado por € 387,8 milhões para operar na Finlândia e multiplicar a capacidade europeia destinada a IA.
Leia no CPG: Europa encomenda supercomputador de IA de € 387,8 milhões para operar em 2027
LUMI-AI e Dummerstorf mostram corrida europeia por infraestrutura
Os dois projetos possuem modelos diferentes.
O LUMI-AI é uma infraestrutura de supercomputação ligada ao programa europeu EuroHPC. Já Dummerstorf será um grande data center privado desenvolvido pelo Schwarz Group.
Entretanto, ambos respondem ao mesmo problema: a IA precisa de infraestrutura física em enorme escala.
Modelos digitais podem parecer intangíveis. Porém, dependem de chips, energia, redes elétricas, refrigeração, fibra óptica e prédios industriais.
Assim, a corrida pela inteligência artificial começa cada vez mais a parecer uma corrida por infraestrutura pesada.
Administração pública será um dos primeiros testes
A parceria entre Schwarz Digits e Mecklenburg-Vorpommern não espera o data center de 2033 para produzir resultados.
O estado prevê implementar até o fim de 2026 um sistema digital de autorização de construções usando a plataforma STACKIT.
Além disso, o governo negocia a introdução do OpenDesk no setor educacional. O primeiro foco envolve estações de trabalho gerenciadas e seguras para professores.
Essas aplicações funcionam como projetos-piloto.
Caso a experiência tenha sucesso, o modelo poderá ser replicado em outras regiões da Alemanha.
Parceria quer virar modelo para toda a Alemanha
O comunicado chama a cooperação de um blueprint, ou modelo, para o restante do país.
A ideia é criar soluções escaláveis e transferíveis. Dessa forma, aquilo que funcionar em Mecklenburg-Vorpommern poderá ser adotado por outras administrações públicas.
Esse detalhe amplia a importância do projeto.
O data center atende uma necessidade empresarial do Schwarz Group. Porém, a parceria também tenta desenvolver uma camada de infraestrutura digital soberana para órgãos públicos.
Portanto, a aposta combina investimento privado, digitalização administrativa e política tecnológica.
Construção deverá movimentar fornecedores antes mesmo dos servidores chegarem
Antes de qualquer modelo de IA entrar em operação, o projeto deverá exigir uma grande quantidade de obras físicas.
Um data center de centenas de megawatts precisa de fundações, prédios técnicos, subestações, cabos, redes, geradores de emergência, equipamentos de refrigeração e sistemas de segurança.
Por isso, o governo estadual espera contratos para construção civil e empresas especializadas. Depois, a operação deverá gerar empregos permanentes.
Entretanto, nenhuma das duas fontes informa uma quantidade exata de empregos.
Logo, seria incorreto estimar milhares de vagas sem documentação adicional.
Disponibilidade de energia virou fator de localização industrial
Durante décadas, empresas escolhiam grandes projetos considerando principalmente mão de obra, terreno e logística.
Agora, data centers adicionam outro critério: capacidade elétrica disponível.
Dummerstorf ilustra essa transformação. A combinação de geração eólica e linha de 380 kV aparece explicitamente como vantagem do local.
Se o projeto avançar até 1 GW de conexão, essa dependência ficará ainda mais evidente.
Portanto, regiões com muita energia renovável e redes robustas podem ganhar vantagem na disputa por investimentos digitais.
€ 5,6 bilhões não significam que a obra já começou
Essa é a principal cautela editorial.
O Schwarz Group pretende investir até € 5,6 bilhões até 2033, mas o empreendimento continua em fase inicial. Além disso, ainda depende das aprovações padrão.
Da mesma forma, 240 MW representam a capacidade esperada para 2033, enquanto 1 GW indica uma possibilidade de expansão da conexão elétrica até 2045.
Portanto, não seria correto afirmar que a Alemanha já possui um data center de € 5,6 bilhões e 1 GW funcionando.
O acontecimento comprovado é mais específico: empresa e governo anunciaram a parceria, apresentaram o local e divulgaram a escala planejada do investimento.
Projeto junta IA, energia renovável e aquecimento urbano
Quando os números aparecem juntos, fica mais fácil entender a dimensão da proposta.
O Schwarz Group planeja colocar até € 5,6 bilhões em Dummerstorf. A primeira grande etapa mira 240 MW em 2033, enquanto o local poderá sustentar uma conexão de até 1 GW em 2045.
Além disso, a instalação deverá utilizar energia renovável na operação regular. O clima regional ajudará no resfriamento, enquanto o calor residual poderá abastecer uma rede de aquecimento.
Ao mesmo tempo, o grupo pretende usar essa infraestrutura para aumentar a oferta de cloud e IA sob legislação alemã.
Assim, o projeto combina três setores que antes pareciam separados: computação, energia e infraestrutura urbana.
Schwarz Group transforma varejo em infraestrutura de IA
O aspecto mais inesperado talvez esteja no protagonista.
O Schwarz Group é conhecido principalmente por suas operações de varejo. Porém, a divisão Schwarz Digits amplia cada vez mais a atuação em infraestrutura tecnológica.
Agora, uma companhia ligada a supermercados e cadeias de varejo planeja um dos maiores investimentos digitais anunciados recentemente no norte da Alemanha.
Se o empreendimento receber as aprovações necessárias e avançar conforme planejado, Dummerstorf poderá abrigar 240 MW de infraestrutura computacional até 2033.
Depois, a conexão elétrica poderá crescer em direção a 1 GW até 2045.
A escala revela uma mudança profunda na economia da inteligência artificial. Não basta desenvolver os melhores modelos: empresas também precisam garantir onde os servidores ficarão, de onde virá a eletricidade e como centenas de megawatts de calor serão retirados das máquinas.
Você acredita que disponibilidade de energia renovável poderá se tornar mais importante que incentivos fiscais na disputa mundial por novos data centers de inteligência artificial?
Fonte
Schwarz
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

