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Brasileiro chega aos Estados Unidos em 2002 sem falar inglês, insiste até conseguir uma função dobrando talheres em guardanapos, passa por lavador de pratos, ajudante e garçom, assume sozinho um pequeno restaurante após o sócio abandonar a operação no primeiro dia e transforma o negócio numa churrascaria com rodízio e várias marcas licenciadas
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 02/09/2026 às 16:46
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Rodrigo Souza chegou aos Estados Unidos em 2002 sem falar inglês, começou dobrando talheres em guardanapos e passou por diferentes funções em restaurantes. Em 2009, assumiu sozinho um pequeno negócio brasileiro em Massachusetts e, depois, transformou o Comeketo em churrascaria com rodízio, novas marcas e modelos licenciados para outros empreendedores.
Rodrigo Souza, carioca que imigrou para os Estados Unidos em 2002 sem dominar o inglês, começou sua trajetória profissional enfrentando recusas até conseguir uma função criada especialmente para ele em um restaurante italiano de Massachusetts. Dobrava garfos e facas em guardanapos, avançou por diferentes postos do salão e da cozinha e, anos depois, assumiu um pequeno restaurante brasileiro que daria origem ao Comeketo.
Segundo reportagem do Bares & Restaurantes, Rodrigo passou de funcionário sem experiência no idioma a empreendedor do setor de alimentação. Depois de assumir o negócio em 2009 e ficar sozinho quando o sócio deixou a operação, ele desenvolveu a marca, incorporou o rodízio em 2016, diversificou a empresa durante a pandemia e passou a licenciar marcas e modelos para outros empresários.
Rodrigo chegou aos Estados Unidos em 2002 sem falar inglês
A mudança para os Estados Unidos colocou o brasileiro diante de uma barreira imediata: a comunicação.
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Rodrigo não possuía habilidades com o inglês quando começou a procurar emprego e encontrou diversas portas fechadas. Mesmo assim, decidiu que queria trabalhar em um restaurante italiano localizado no interior de Massachusetts.
Insistência fez gerente criar uma função para o brasileiro
Rodrigo continuou procurando uma oportunidade no estabelecimento até chamar a atenção do gerente.
Como resultado da insistência, o restaurante criou para ele uma função dedicada aos chamados roll-ups, tarefa de dobrar garfos e facas dentro de guardanapos.
O trabalho era considerado repetitivo e pouco desejado pelos demais funcionários, mas ofereceu a Rodrigo sua entrada no setor.
Em seis meses, Rodrigo já conseguia se comunicar em inglês
A adaptação ao idioma avançou paralelamente à experiência profissional.
Seis meses depois de chegar aos Estados Unidos, Rodrigo já conseguia se comunicar bem em inglês e começou a assumir outras responsabilidades dentro dos restaurantes.
Lavador de pratos foi uma das etapas antes do salão
O brasileiro passou por diferentes funções antes de alcançar o posto que desejava.
Entre elas estavam o trabalho como lavador de pratos, além de atividades de apoio necessárias para manter a operação dos estabelecimentos funcionando.
Brasileiro trabalhou como busboy e foodrunner
A experiência de Rodrigo também incluiu funções conhecidas no mercado americano como busboy, ou ajudante geral, e foodrunner, equivalente ao cumim que auxilia no transporte e serviço dos pratos.
Essa sequência permitiu que ele conhecesse diferentes partes da rotina de um restaurante antes de assumir diretamente o atendimento dos clientes.
Rodrigo chegou ao posto de garçom
O avanço seguinte foi a função de garçom, trabalho descrito na reportagem como algo associado, naquele período de sua trajetória, ao “sonho americano”.
Rodrigo desenvolveu habilidade de comunicação e passou a valorizar especialmente o contato direto com os clientes, experiência que mais tarde levaria para a gestão de seu próprio negócio.
Oportunidade para ter um restaurante surgiu em 2009
Depois de trabalhar em diferentes estabelecimentos, Rodrigo encontrou uma oportunidade para empreender.
Em 2009, um conhecido possuía um ponto comercial e pretendia abrir ali um pequeno restaurante de comida brasileira.
Dono precisou voltar ao Brasil após um mês de funcionamento
O estabelecimento começou a operar, mas a configuração inicial durou pouco.
Depois de um mês de funcionamento, o proprietário precisou viajar para o Brasil. Rodrigo decidiu assumir o empreendimento ao lado de um amigo.
Sócio deixou Rodrigo sozinho no primeiro dia da operação
A parceria que deveria dividir as responsabilidades não se sustentou.
Segundo a reportagem, o sócio de Rodrigo o abandonou no primeiro dia de operação, fazendo com que o brasileiro ficasse responsável sozinho pelo negócio.
Novo dono não tinha experiência em administração nem culinária
Rodrigo assumiu o restaurante sem formação prática em duas áreas essenciais daquela atividade.
Ele não tinha experiência em administração nem em culinária, o que ampliou a quantidade de tarefas que precisava aprender enquanto já administrava o estabelecimento.
O empresário atribui parte de sua adaptação à disposição para estudar e compreender tanto o idioma quanto a cultura local.
Comeketo tornou-se referência entre brasileiros de Massachusetts
O restaurante recebeu o nome de Comeketo.
Com o desenvolvimento do negócio, o estabelecimento tornou-se uma referência para a comunidade brasileira em Massachusetts, enquanto Rodrigo continuou ampliando seus conhecimentos sobre empreendedorismo e gestão.
Clientes brasileiros deixaram de ser o único foco
Rodrigo percebeu, com o tempo, que a clientela do Comeketo não era formada majoritariamente por brasileiros.
Essa constatação levou o empresário a direcionar parte maior de seus esforços para conquistar um público diversificado, incluindo consumidores americanos.
Preço e qualidade foram ajustados para atrair americanos
A estratégia comercial também passou por mudanças.
Rodrigo avaliou que brasileiros residentes na região nem sempre atribuíam o mesmo valor a refeições que também poderiam preparar em casa. A partir dessa leitura, passou a trabalhar a relação entre qualidade e preço e a buscar mais clientes americanos.
Rodízio chegou ao Comeketo em 2016
Uma das principais mudanças no modelo do restaurante aconteceu sete anos depois de Rodrigo assumir o empreendimento.
Em 2016, ele introduziu o formato de rodízio e aproximou o Comeketo do modelo de churrascaria que desejava desenvolver.
Churrascaria realizava um antigo objetivo do empresário
Rodrigo relatou que abrir uma churrascaria era um projeto que já desejava realizar.
A adoção do rodízio, portanto, representou uma mudança importante na trajetória do Comeketo e ampliou a presença da culinária brasileira oferecida pelo estabelecimento.
Pandemia levou à criação de novas marcas brasileiras
O negócio voltou a se transformar durante a pandemia.
Rodrigo criou uma série de marcas de restaurantes brasileiros para funcionar por delivery, abrangendo desde churrascarias até operações voltadas a sucos e sobremesas típicas.
Marcas e modelos passaram a ser licenciados
A expansão deixou de ficar limitada aos estabelecimentos diretamente administrados pelo carioca.
A reportagem informa que Rodrigo passou a licenciar marcas e modelos para outros empreendedores, ampliando a aplicação dos conceitos desenvolvidos em seus restaurantes.
Três anos no Exército dos EUA influenciaram a gestão
Parte das práticas adotadas por Rodrigo no dia a dia também veio de uma experiência fora do setor de alimentação.
O empresário serviu durante três anos no Exército dos Estados Unidos, em uma divisão de dedicação parcial, o que permitiu que mantivesse o restaurante enquanto cumpria suas atividades nas forças armadas.
Rodrigo afirmou ter aprendido nesse período sobre planejamento, cumprimento de metas e adaptação rápida diante de mudanças inesperadas.
Cultura interna virou um dos principais desafios do negócio
Rodrigo considera a construção de uma cultura organizacional sólida uma das tarefas mais difíceis para qualquer empresa.
Na avaliação do empresário, quando os funcionários compreendem e aderem à visão da organização, aumentam as chances de comprometimento com o trabalho.
Rotatividade de funcionários permanece como desafio
O turnover é apontado por Rodrigo como uma dificuldade contínua no restaurante.
Nos Estados Unidos, onde parte dos trabalhadores do setor depende de gorjetas para complementar a renda, ele considera importante manter ambiente de trabalho adequado, equipe qualificada, previsibilidade e oportunidades de desenvolvimento.
Tecnologia integra caixa, cozinha e estoque
Rodrigo também utiliza tecnologia para acompanhar diferentes áreas do Comeketo.
Os sistemas empregados integram caixa, cozinha e controle de estoque, permitindo centralizar informações importantes para a administração do restaurante.
O empresário também afirmou investir em um grupo de software de gestão e enxergar possibilidades relacionadas a inovações tecnológicas para o Brasil no médio prazo.
Acolhimento virou parte da estratégia do Comeketo
O relacionamento com os clientes permanece como um dos pontos centrais da operação.
Rodrigo costuma circular pelo salão, cumprimentar consumidores e perguntar sobre comida, instalações e serviços, usando esse contato para receber avaliações diretamente de quem frequenta o estabelecimento.
Comeketo opera em Leominster, Massachusetts
O restaurante de Rodrigo está localizado em Leominster, no estado de Massachusetts.
Ao comparar o ambiente regulatório dos dois países, o empresário afirmou considerar a burocracia dos Estados Unidos menos complexa do que a brasileira, embora ressalte que regras variam conforme estado e município e que punições podem ser fortes quando há descumprimento.
Negócio passou de pequeno restaurante a rodízio com marcas licenciadas
A trajetória empresarial de Rodrigo Souza começou anos antes de ele se tornar dono de um restaurante: primeiro vieram os roll-ups, a lavagem de pratos, as funções de ajudante, o serviço como garçom e o aprendizado do inglês depois da chegada aos Estados Unidos em 2002.
Desde a oportunidade surgida em 2009, o Comeketo passou pelo rodízio adotado em 2016, ganhou novas operações durante a pandemia e chegou ao modelo em que marcas e conceitos podem ser licenciados para outros empreendedores.
Na sua opinião, qual etapa foi mais decisiva nessa trajetória: insistir até conseguir o primeiro emprego, assumir sozinho o restaurante sem experiência em gestão e culinária ou adaptar o negócio para conquistar um público além da comunidade brasileira? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

