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A ilha do Alasca que virou “Ilha dos Ratos” passou por uma operação extrema com toneladas de veneno lançadas por helicópteros e, anos depois, renasceu com aves de volta e um ecossistema recuperado muito mais rápido do que os cientistas esperavam
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 02/09/2026 às 19:35
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Hawadax, no Alasca, perdeu aves após invasão de ratos e voltou a se recuperar após erradicação dos roedores, em um dos casos mais impressionantes de restauração ecológica.
Quando a bióloga Carolyn Kurle chegou pela primeira vez à ilha de Hawadax, no Alasca, o que mais chamou atenção não foi a paisagem, mas o silêncio. Segundo a Scientific American, a diferença entre uma ilha sem ratos e uma ilha invadida por roedores era fácil de perceber pelo som: onde antes havia barulho constante de aves marinhas, ali quase não se ouvia nada. A antiga Rat Island, no arquipélago das Aleutas, tinha se tornado um lugar silencioso porque os ratos haviam devastado quase toda a fauna de aves nativas.
Hoje, a situação mudou completamente. Segundo a UC San Diego, cerca de uma década depois da erradicação dos ratos, Hawadax voltou a abrigar aves marinhas, recuperou parte importante de sua vegetação costeira e também reverteu impactos que chegavam até o ambiente marinho. O caso virou um dos exemplos mais fortes de como um ecossistema insular pode reagir com rapidez quando uma espécie invasora é removida.
Ratos chegaram a Hawadax após naufrágio e reorganizaram toda a cadeia ecológica da ilha
A invasão começou no fim do século XVIII, quando ratos chegaram à ilha após um naufrágio. Em um ambiente sem predadores terrestres naturais desse tipo, os roedores encontraram condições ideais para se multiplicar.
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Paulo Nogueira
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O efeito mais imediato caiu sobre as aves que nidificavam no chão, especialmente espécies costeiras que colocavam ovos e criavam filhotes em áreas abertas e não tinham qualquer defesa evolutiva contra esse novo predador.
Segundo a UC San Diego, os ratos devoraram ovos e filhotes e praticamente eliminaram a população reprodutiva de várias aves nativas. O que parecia um impacto restrito à fauna terrestre acabou produzindo um desequilíbrio muito maior, porque as aves tinham papel importante no controle de invertebrados da zona costeira. Quando elas desapareceram, toda a dinâmica ecológica da ilha começou a mudar.
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Esse colapso fez a ilha perder não apenas biodiversidade, mas também sua identidade acústica. O silêncio de Hawadax virou o sinal mais visível de um sistema profundamente degradado.
Desaparecimento das aves afetou até as algas marinhas no entorno da ilha
Um dos pontos mais impressionantes do caso de Hawadax é que o impacto dos ratos não ficou restrito à terra firme. Segundo a UC San Diego, as pesquisas lideradas por Carolyn Kurle mostraram que a invasão alterou toda a cadeia alimentar, inclusive no mar ao redor da ilha.
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Normalmente, as aves marinhas se alimentavam de invertebrados costeiros, como caramujos e lapas. Esses invertebrados, por sua vez, consumiam algas marinhas. Quando os ratos reduziram drasticamente as populações de aves, os invertebrados herbívoros passaram a se multiplicar sem controle, e a consequência foi a redução da cobertura de kelp, as grandes algas que funcionam como habitat essencial para diversos organismos marinhos.
Isso transformou Hawadax em um caso raro em que uma espécie invasora terrestre conseguiu alterar a estrutura ecológica de um ambiente que se estende do solo até o mar. O estudo mostrou que os ratos não destruíram apenas ninhos e filhotes, mas desencadearam um efeito dominó que reorganizou a ilha inteira.
Erradicação dos ratos abriu caminho para uma recuperação ecológica mais rápida do que o esperado
A remoção dos ratos aconteceu em 2008, em uma operação coordenada por organizações de conservação e órgãos ambientais. Depois disso, os pesquisadores puderam comparar os dados do período em que os roedores dominavam a ilha com o cenário observado cinco anos depois e, mais tarde, onze anos após a erradicação.
Segundo a UC San Diego, os resultados surpreenderam até os próprios cientistas. As aves litorâneas começaram a voltar, as populações de invertebrados caíram para níveis mais próximos dos observados em ilhas sem ratos e a cobertura de algas voltou a crescer. Em pouco mais de uma década, a estrutura ecológica de Hawadax se aproximou da encontrada em ilhas que nunca haviam sido invadidas.
Essa velocidade de recuperação é um dos elementos que tornaram o caso tão importante. Em vez de uma resposta lenta e parcial, Hawadax mostrou que a restauração pode ser profunda quando a fonte principal de destruição é removida a tempo.
Hawadax voltou a ficar barulhenta e recuperou até o nome original
O retorno das aves trouxe de volta aquilo que Carolyn Kurle percebeu logo na primeira visita: o som. Segundo a Scientific American, a ilha voltou a ficar barulhenta, com aves circulando novamente, vegetação mais alta e um ecossistema muito mais próximo do que existia antes da invasão dos roedores.
A recuperação teve também um efeito simbólico importante. Com o sucesso da restauração, a ilha deixou de ser oficialmente chamada de Rat Island e voltou a usar o nome tradicional Hawadax, ligado ao povo Unangan, também conhecido como aleúte. A mudança ajudou a marcar o fim de uma identidade associada à praga invasora e o retorno de uma história muito mais antiga do lugar.
O caso de Hawadax virou prova de que a restauração ambiental não precisa ser apenas uma ideia abstrata. Quando a ação é precisa e o problema central é enfrentado, a natureza pode responder com velocidade suficiente para surpreender até quem estuda o ecossistema há anos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

